quarta-feira, 8 de julho de 2015

a fidelidade da tampa



Já falei sobre a minha cozinha? Digo MINHA e friso em caixa alta, com grifo MEU. Não me venha com “grifo nosso”, sempre escrevo as minhas barbaridades em nome próprio e sozinha, ainda que dentro de mim habitem muitas. Calma, antes de analisar a minha multiplicidade de personalidades, vamos falar do sentimento de posse. A cozinha é MINHA, não porque sou possessiva. Sou. Finjo que não – escrever é confessar. A cozinha é MINHA porque não é da casa.

É meu xodó.
É a minha academia.
É meu parque de diversões.

Nenhum garfo mora lá sem que eu tenha permitido. Escolhi cada porta e todas as medidas dos armários, improvisei uma horta, pendurei talheres grandes, escolhi os panos de prato. Amo a cafeteira e faço milagres na minha batedeira planetária.

Só eu cozinho.

Admito mão-de-obra aprendiz para bater um bolo ou untar uma forma. Empresto para que o marido e o filho usem na minha ausência apenas nos casos de emergência. Leia-se inanição.

Mentira.

Pizza congelada e miojo estão liberados. Qualquer coisa que não use mais de uma forma e o forno elétrico está liberada. De resto, morro de ciúmes da minha, ou melhor, MINHA cozinha.

Justifico-me com a ajuda da psicologia. A cozinha é o útero materno, é dentro da casa, a origem da vida. A cozinha é de onde vem o alimento, fonte de energia, tem íntima relação com a saúde. Quando nasce um bebê, a primeira intimidade que ele cria é com a alimentação através do seio materno. É dali que vem todo o conforto para a sua vida fora do útero seguro. É o prazer que cura seus medos, angústias e aflições. Desde o início da vida humana a alimentação está associada tanto a afeto e proteção quanto seu preparo está indelevelmente ligado ao universo feminino. E eu sou muito feminina, muito esposa e muito mãe. Alimento a família. Sinto prazer e satisfação em inventar, preparar, enfeitar e servir as refeições. Dobro os guardanapos, escolho a toalha de mesa, limpo a mesa.

A cozinha de uma família é a sua história. Através da cozinha são desenvolvidos estudos antropológicos. Duvidam? Já leram Casa Grande e Senzala? Gilberto Freire traça todos os perfis a partir da cozinha. Os personagens nascem na cozinha, cada recita de bolo é transmitida como um código genético. É uma herança de ingredientes, rituais e sabores que emoldura o enredo.

Em casa, sou eu quem providencia as refeições, do café da manhã ao chá quentinho antes de deitar. Abasteço a despensa, elaboro cardápios, invento jantares, testo novos sabores, regulo a sobremesa. E por conhecer a porção que cada um consome, dificilmente sobra alguma coisa, o que me faz usar poucos portes plásticos para guardar restinhos na geladeira.

Há poucos dias infartei. Percorri uma maratona dentro do armário. Culpa da infidelidade.

Explico. Sou ciumenta com a cozinha, mas não consigo dar conta de tudo. Eventualmente conto com a ajuda de algumas moças que costumam limpar a casa semanalmente. E, sim, isso inclui a MINHA cozinha.

Precisei de um pote para guardar na geladeira algumas frutas que havia picado. Em tempos de correria, facilita muito! Abri o armário e todas as tampas estavam divorciadas de toos os potes. Precisei garimpar com meio corpo dentro do armário até encontrar a tampa do pote que havia separado. Foi fácil convencer a fazer as pazes.

Concluí que a culpa é da infidelidade. O armário dos potes é um verdadeiro troca-troca de casais. O Sofazão dos tuppewares. Muitos potes gêmeos confundem as tampas gêmeas e daí, por causa da confusão, vai cada um para um canto. Acredito que seja esta a conclusão da moça que me auxilia em casa. Achei justo. Achei digno. Tem vocação para mediadora de brigas matrimoniais.

Como sou boa casamenteira, praticamente uma Santa Antônia, reatei os casais. Devolvi a harmonia aos potes, unindo cada um com a sua tampa amada. Isso facilitou bastante a minha vida, porque hoje de manhã, ao fazer o lanche que o filho leva para a escola, a sanduicheira estava feliz da vida, ao meu alcance, com sua tampinha hermeticamente fechada.

Nas gavetas das panelas, a história é outra. Cada uma tem a sua tampa. Menos as frigideiras que tratei de ter em número par, com tamanho semelhante. Guardo-as juntas para amenizar a solidão. A leiteira também é uma sem-tampa, mas não está nem aí, só quer ferver. Já o escorredor, tadinho, sofre bullying porque nem panela é.

A felicidade voltou às prateleiras. A alegria e o sucesso de um casal está intimamente relacionada com a fidelidade. A dedicação exclusiva ao par, à família. A fidelidade é a melhor amiga da tranquilidade. A vida de um casal só é plena com a honestidade.

Por isso a panela de pressão vive nervosa, bufando, hipertensa, prestes a explodir!
Adquiri uma que vem com duas tampas.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

HOME OFFICE

Algumas tarefas domésticas são legais. Outras não. As que não são legais, vou empurrando com a barriga. Já tentei empurrar para o marido, que fez de conta que não era com ele. Varrer a casa, por exemplo, é chato! Sem falar que é difícil resistir à tentação de sair voando ou brincar de faroeste com o filho.

Arrumar a cama também é um saco. Pra que esticar lençol, colcha, edredom? Não vai durar nem vinte e quatro horas. Sem falar que eu gosto de cama estilo ninho de passarinho. Guardar roupa faço contra a vontade, só porque dei fim na cadeira que ficava no quarto. Lá pelas tantas as peças de roupa do armário eram em menor quantidade do que as que se empilhavam na pobre cadeira. Era o HD externo do closet.

Outras coisas são legais na vida de Maria! Espirrar vidrex por tudo e passar o pano. Vidro ou não vidro. Ok, de preferência, vidro. Dobrar as toalhas depois que saíram do sol, eu amo! Cuidar das plantas, arrumar as antiguidades da sala, inventar detalhes pro lavabo, disso eu gosto.

E eu amo cozinhar! Quis ser alquimista na infância - e astronauta, bombeira, ecologista, enóloga. Transformo qualquer coisa num banquete. Misturo e tempero com criatividade e amor.

Ah, cuidar da roupa também me agrada! É divertido catalogar as roupas na lavanderia. Os tapetinhos do banheiro são sempre os últimos. Abraço as camisas antes de lavar e depois de secas. Sou adepta dos mil cheirinhos disponíveis em diversos sabores de amaciante.

Sou uma romântica lavadeira. Constatei há pouco, quando fui estender a roupa íntima no varal. Olhei para as meias felizes, já penduradas em pares. Estendi as cuecas namorando as calcinhas.


Definitivamente, pendurei o amor no varal!

 Hoje, foto dupla da dupla.
Ando a favor dos pares!
E a partir de hoje as postagens também estarão no www.icothomaz.com.br

 Dois em um - Marcelo Camelo

Cada qual para o seu canto
Cada um pro seu lugar nenhum
Não há nau que zarpe em bando
Não há mal que santo cure em par

Não há razão pra sermos dois 

Cada um com seu tamanco
Cada um pro baile que quiser
Toma o teu sapato branco
Dá minha fantasia de mulher

Mas vai, razão, me diz porquê
Por quê razão? Por quê nenhum

Pois não, razão, me diz que não
Mas há razão pra sermos dois em um.

domingo, 8 de setembro de 2013

aprendi na cozinha

Das coisas que aprendi na cozinha – com e sem ajuda. Primeiro: prefiro não ter ajuda. Mas nem penso em dizer isso quando meu marido resolve abrir as tampas. Muito menos quando ele coloca uma mostarda vencida de origem desconhecida no meu molho. A cumplicidade não tem marca. E não sabe cozinhar. Confie no resultado.

Também aprendi que qualquer coisa feita no almoço pode ser transformada em janta das seguintes formas: acrescentando arroz, acrescentando massa ou acrescentando ovo. No último caso ainda se pode optar pela frigideira ou pelo forno. Da mesma maneira os casais que se aborrecem com a rotina podem ousar para requentar a relação. Acrescente mais carinho, acrescente cuidado. Proponha um banho em dupla, uma massagem nos pés ao acordar. Sirva um vinho às três da tarde de domingo, abra a janela e deixe a cidade entrar. Brindem quando os olhares se cruzarem.

Gelo. Comprar um sacão de gelo ocupa lugar demais. As forminhas são uma invenção genial. Porém, a tarefa que eu acho mais complicada e tento o máximo prorrogar é encher aqueles quadradinhos com água na medida certa, caminhar equilibradamente até a geladeira, abrir a porta de cima – sem que caia um pingo no chão – e guardar a forminha. Na infância pensava que o gelo vinha da água por mágica do frio. Depois me explicaram que era um fenômeno da física. O que é importante, porque não há lei da física que mantenha um bom relacionamento sem o exercício do equilíbrio. Não permita que caiam pingos de discórdia no chão do seu relacionamento. Evite os tombos. Mantenha os passos firmes e os olhos na forminha. Não coloque mais água do que o necessário. Saiba a hora de parar. Reconheça que não há necessidade de transbordar em tudo. Se dedique a aprender os limites. Os seus. Os dele.

Aprendi que prazo de validade é uma coisa relativa. Já comi iogurte do mês passado e sobrevivi sem uma cólica. Aquilo que valia até ontem não ficará podre hoje, na virada do relógio. Seja flexível. Não estipule prazos radicais para mudanças radicais. Não peça milagres instantâneos, até o macarrão precisa de pelo menos três minutos para ficar pronto.

Experimentar é um verbo importante para quem cozinha. Prove o sal. Prove o açúcar. Prove a temperatura. Experimente coisas que nunca usou – isso inclui as roupas dele. Experimente a temperatura dele com a própria pele, o sabor. Uma pessoa tem cheiros, cores e sabores que podem render um cardápio digno de banquete.


Ah, mais uma coisa: nunca esqueça de desligar a cafeteira. Não é a cozinha que deve pegar fogo...




Quando eu chego em casa nada me consola
Você está sempre aflita
Lágrimas nos olhos, de cortar cebola
Você é tão bonita
Você traz a coca-cola eu tomo
Você bota a mesa, eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você não está entendendo
Quase nada do que eu digo
Eu quero ir-me embora
Eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo neste apartamento
Você não acredita
Traz meu café com suita eu tomo
Bota a sobremesa eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você tem que saber que eu quero correr mundo
Correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo

domingo, 1 de setembro de 2013

a noiva do vento



Peça para uma criança definir o vento. Eu apenas acreditava na existência real do ar quando ele virava vento. Quando era tomado de força, ganhava forma, movimento, atiçava a minha curiosidade. A observação do vento ainda atrai os pequenos. Na pracinha aqui perto havia uma menina sentada à sombra com a mãe. Olhava com atenção as folhas secas que trocavam de lugar no chão. Nem balanço, nem gangorra, a garota estava descobrindo o vento.

O vento tem intimidade com a paixão.

 Oskar Kokoschka pintou A NOIVA DO VENTO com pinceladas desesperadas, cores nervosas, num quadro que emoldura a própria enxaqueca do abandono. Na obra, uma mulher adormecida sobre um corpo masculino, cujos olhos não passam de órbita vazia – tradução da ausência de vida. A mulher não o deixa, mesmo que ele já a tenha deixado. Mesmo que ele já esteja morto. A ausência de qualquer conotação sexual pela ausência de cores quentes (vermelho, laranja) e o excesso de tudo aquilo que pode faltar, que remete ao gelo e à solidão pelo uso dos diversos tons de azul, verde e cinza que não permitem identificar qualquer paisagem coerente.

O quadro pede ajuda. É uma obra de ser vista em silêncio, porque ela grita. Chora. Sofre pela harmonia que existe entre a presença e a ausência. A paixão fugiu do corpo.

Kokoschka pintou a mulher. Alma e ele tinham uma relação tumultuada, o amor e a paixão eram alimentados pela intranquilidade. Ela reconheceu que o relacionamento entre os dois era inviável. Não aprendeu a se dedicar a Oskar. Não foi dele. Alma, que era viúva, jamais esqueceu o falecido marido, Gustav Mahler. Era a noiva do vento. Oskar tirou dela a inspiração para sangrar em tintas. Expressou seu sofrimento em forma de arte. 

Noiva de uma força que a tomava de paixão, mas que nunca poderia ter. 

Quantas paixões são despertadas pelo vento? Quantas pessoas investem o amor numa flutuante e leve rufada de ar, que vai levar as folhas, que pode se transformar em furacão, mas que vai passar porque não há forma de existir.

O amor. A angústia. Cavalos que correm como favoritos nas apostas sentimentais. Um dá ao outro a motivação para chegar na frente, um tira do outro a força de cruzar antes a linha de chegada.

A NOIVA DO VENTO representa o abandono do artista. É o reconhecimento da utopia, da fragilidade do seu devaneio, o fracasso pela ilusão de ser amado por uma mulher que não se livrará do passado.

Esta noite acordei com um suspiro forte do meu marido. Ele fez o meu cabelo mexer com o vento da respiração enquanto me abraçava. Não sou a noiva do vento. Amo um homem que me faz vento para que eu saiba que o amor existe, ainda que eu esteja dormindo. Ainda que eu não enxergue, me sinto amada. Ele é a minha realidade.


Eu fico toda brisa...



No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

(Quintana) 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

afinidade

Chove há cinco dias. Com pouca folga entre os pingos miúdos e os mais encorpados. Chove mesmo. Lamento por quem não aprecia a beleza da cor acinzentada das manhãs. Lamento por quem não consegue sorrir para o dia amoado diante da janela.

Eu amo a umidade que cola na pele. Adoro quando as gotas caem em mim, quando preciso correr de um canto até outro procurando por abrigo. Acho poético quando a água escorre no vidro, uma lágrima encontrando a outra, virando rio, corredeira, poça na canaleta da janela.

Ouço pouca música quando chove porque os pingos fazem sinfonia, inventam som, tocam de improviso. É melodia natural.

Gostar da chuva é uma arte. O tempo é trabalhoso. Favorece menos qualquer coisa que se faça fora da cama. Favorece mais qualquer coisa que se faça no fogão. As pessoas ficam mais sérias, menos falantes, austeras. Rabugentas.

O meu gato Tobias gosta. Se ajeita na frente das janelas do apartamento para admirar a cidade. Ele mia para a chuva. É de alegria.

Gostar da chuva é incomum.

Há fluidez nos atos de pessoas que têm afinidades. As atitudes acontecem sem combinações prévias, sem acertos, sem convites. Uma noite de gravar na memória se desenha sem querer. Tatuagem feita de retina e demais sentidos. O destino une as peças do quebra-cabeça.

Voltamos de uma festa munidos de uma garrafa de vinho para beber em casa. Ao entrarmos na garagem, todas as vagas estavam ocupadas. Chovia. Quase onze horas da noite. Não havia estrelas no céu, mas abrimos o teto do carro. As gotas da chuva não eram uniformes ou ritmadas. Eram displicentes como um domingo à noite.

Desligamos o motor, deitamos os bancos e ficamos olhando a chuva. Sentido vertical, fluxo nuvem-chão. Estatelando a água naquela porção de vidro em que nossos olhos estavam grudados enquanto dentro do carro havia apenas a nossa respiração e o toque das mãos se fazendo carinho.

Quando nos olhamos, começamos a rir. A naturalidade com que fizemos tudo, nosso momento de silêncio com o testemunho único da chuva.

Afinidade: essa mágica que a vida faz conspirando encaixes simétricos no universo.





(e é claro que quando vagou lugar, estacionamos o carro e bebemos nosso merecido vinho em casa!)


smack!
Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!

Não importa que Deus
Jogue pesadas moedas do céu
Vire sacolas de lixo
Pelo caminho

Se na praça em Moscou
Lênin caminha e procura por ti
Sob o luar do oriente
Fica na tua

Não importam vitórias
Grandes derrotas, bilhões de fuzis
Aço e perfume dos mísseis
Nos teus sapatos

Os chineses e os negros
Lotam navios e decoram canções
Fumam haxixe na esquina
Fica na tua

Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!

Não importa que Lennon
Arme no inferno a polícia civil
Mostre as orelhas de burro
Aos peruanos

Garibaldi delira
Puxa no campo um provável navio
Grita no mar farroupilha
Fica na tua

Não importa que os vikings
Queimem as fábricas do cone sul
Virem barris de bebidas
No rio da prata

Boitatá nos espera
Na encruzilhada da noite sem luz
Com sua fome encantada
Fica na tua

Poetas loucos de cara
Soldados loucos de cara
Malditos loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Parceiros loucos de cara
Ciganos loucos de cara
Inquietos loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!

Se um dia qualquer
Tudo pulsar num imenso vazio
Coisas saindo do nada
Indo pro nada

Se mais nada existir
Mesmo o que sempre chamamos real
E isso pra ti for tão claro
Que nem percebas

Se um dia qualquer
Ter lucidez for o mesmo que andar
E não notares que andas
O tempo inteiro

É sinal que valeu!
Pega carona no carro que vem
Se ele não vem, não importa
Fica na tua

Videntes loucos de cara
Discrentes loucos de cara
Pirados loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Latinos, deuses, gênios, santos, podres
Ateus, imundos e limpos
Moleques loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Gigantes, tolos, monges, monstros, sábios
Bardos, anjos rudes, cheios do saco
Fantasmas loucos de cara
Ah, vamos sumir!

Vem, anda comigo pelo planeta
Vamos sumir!
Vem, nada nos prende, ombro no ombro
Vamos sumir!