sábado, 20 de março de 2010

Eu tentei fugir e fui desencorajada.

A história sempre se repete, meu talento é único, se fosse bom seria invejável. A capacidade que eu tenho de acreditar é o que me arrasa. Infelizmente, quem morre por último é a esperança e ela anda de mãos dadas com as nossas fraquezas. Ainda assim, eu insisto em pedir, avisar, orientar. Eu me exponho. Eu viro uma ridícula. Se eu não tivesse tanto medo de palhaço, certamente eu mereceria um nariz vermelho.



Algumas sensações não têm nome, mas um ponto de interrogação define bem essa.

- Como vai você?

- Eu estou “?”. E tu?

- Ah, eu estou “!”

- Que booooom, Nogueira.



Talvez a culpa seja do não dito. Não, acho que tudo foi dito. Pelo menos tudo que era importante foi dito.



Talvez nem tenha culpa nenhuma, mania feia essa de sempre ter que culpar alguém, alguma coisa. Parece que no mundo só se tem certeza da morte e da culpa.



Dá licença, tira o pé do meu gramado. Não pisa na minha grama, ontem plantei sonhos aqui.



Ser feliz é uma atitude muito digna. Aprendi a ser feliz por fazer outras pessoas felizes, mesmo longe de mim. Falar é lindo, fazer é que são elas...


Por fim, preciso dar razão ao Tavares. Fale por nós, Humberto.

O que você me pede eu não posso fazer
Assim você me perde, eu perco você
Como um barco perde o rumo
Como uma árvore no outono perde a cor.
O que você não pode, eu não vou te pedir.
O que você não quer, eu não quero insistir.
Diga a verdade, doa a quem doer.
Doe sangue e me dê seu telefone.

Todos os dias eu venho ao mesmo lugar,
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas, quando o Bourbon é bom
Toda noite é noite de luar.
No táxi que me trouxe até aqui Willie Nelson me dava razão,
As últimas do esporte, hora certa, crime e religião.
Na verdade 'nada' é uma palavra esperando tradução.

Toda vez que falta luz,
Toda vez que algo nos falta
O invisível nos salta aos olhos,
Um salto no escuro da piscina.

O fogo ilumina muito por muito pouco tempo
Em muito pouco tempo, o fogo apaga tudo.
Tudo um dia vira luz.
Toda vez que falta luz
O invisível nos salta aos olhos.

Ontem à noite, eu conheci uma guria
Já era tarde, era quase dia.
Era o princípio num precipício.
Era o meu corpo que caía.
Ontem à noite, a noite tava fria
Tudo queimava, mais nada aquecia.
Ela apareceu, parecia tão sozinha.

Parecia que era minha aquela solidão.
Eu conheci uma guria que eu já conhecia
de outros carnavais com outras fantasias
Ela apareceu, parecia tão sozinha.
Parecia que era minha aquela solidão.


(piano bar, engenheiros do havaii)

Fiquei em dúvida se devia ter postado essa ou Abril.

quinta-feira, 18 de março de 2010



Às vezes parece jogo de xadrez sem tabuleiro.
Posso ser a rainha do jogo da minha vida?



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Em tempo: amo conversar com o Salton.
GRANDE AMIGO
GRANDE IRMÃO
(em caps lock)

sexta-feira, 12 de março de 2010

caligrafia

Ela sempre gostou do efeito daquela luz batendo no cabelo. Gostava do vento artificial e do cheiro da fumaça. Tatuou uma palavra no braço esquerdo. Indecifrável de longe... parecia ter sido escrita com a própria caligrafia. Acho que era “essência”. Daquelas que de longe ninguém compreende, mas de perto dá pra ter uma ideia do que se trata.









Um dos maiores medos da minha vida é ter minha essência incompreendida. Ou diminuída. Incompreendida eu sempre fui. Nasci assim e vou morrer do mesmo jeito, por mais que eu explique, desenhe e faça mímica. Não adianta. Não se explica o inexplicável. Então não dou mais explicações. Nem pro porteiro, nem pro delegado. Até quando eu tento me explicar as algumas coisas tudo vira um caos. Apesar disso, eu entendo minha essência e não diminuo ou faço pouco caso dela. Ao contrário, ela é a refeição do meu ego. Mas é um medo... juro. Acho que eu sempre quis me esconder dos olhos alheios, mais que isso, dos pensamentos alheios. Medo. Medo. Medo.



Vou ali no meu caramujo e já volto!

sexta-feira, 5 de março de 2010

babel

Ela masca chiclete. Ele lava as cuecas no banho.



Ela mora numa cidade pequena e suburbana. Ele corta o cabelo a cada 15 dias.



Ela toma vinho tinto. Ele liga o ar condicionado.



Ela não fala francês. Ele usa meias brancas.

Ela usa gloss com glíter. Ele é destro.



Ela não sabe pintar as unhas. Ele coleciona tampinhas.



Ela ouve rock. Ele não usa óculos.



Ela corre nos finais de semana. Ele lê o obituário.



Ela usa pantufas. Ele comprou uma moto.



Ela é impaciente. Ele toca sax.



Ela acende velas pela casa. Ele tem um cachorro.



Ela sabe regra de três. Ele dirige mal.



Ela tem medo de altura. Ele come batata frita com mostarda.



Ela não usa vermelho. Ele tem i-pod.



Ela tem irmãs. Ele gosta de Fernando Pessoa.



Ela é vegetariana. Ele tem imãs de geladeira.



Ela dorme pouco. Ele não quer ter filhos.



Ela abre a janela. Ele usa relógio.



Ela odeia abacaxi. Ele tem rinite.



Ela ama fotografia. Ele dorme no sofá.







Um dia ela foi molhar as plantas.



Ele pisou na grama.



E aboliram os pontos finais...


terça-feira, 2 de março de 2010

surpresa

Um dia um pingo de tinta, desses bem desavisados, caiu sem querer no meu papel. Passei o dedo e aquilo foi virando o mar. Depois o céu. E nasceu um mundo.
Um dia, eu desavisada, fui caída sem querer numa vida de alguém. Agora é difícil saber quem é o mundo de quem.