sexta-feira, 12 de março de 2010

caligrafia

Ela sempre gostou do efeito daquela luz batendo no cabelo. Gostava do vento artificial e do cheiro da fumaça. Tatuou uma palavra no braço esquerdo. Indecifrável de longe... parecia ter sido escrita com a própria caligrafia. Acho que era “essência”. Daquelas que de longe ninguém compreende, mas de perto dá pra ter uma ideia do que se trata.









Um dos maiores medos da minha vida é ter minha essência incompreendida. Ou diminuída. Incompreendida eu sempre fui. Nasci assim e vou morrer do mesmo jeito, por mais que eu explique, desenhe e faça mímica. Não adianta. Não se explica o inexplicável. Então não dou mais explicações. Nem pro porteiro, nem pro delegado. Até quando eu tento me explicar as algumas coisas tudo vira um caos. Apesar disso, eu entendo minha essência e não diminuo ou faço pouco caso dela. Ao contrário, ela é a refeição do meu ego. Mas é um medo... juro. Acho que eu sempre quis me esconder dos olhos alheios, mais que isso, dos pensamentos alheios. Medo. Medo. Medo.



Vou ali no meu caramujo e já volto!

Um comentário:

keke disse...

É engraçado como as coisas são meio contraditórias. Ao mesmo tempo que quer ser entendida, que todos saibam da sua essencia, tem medo.
p.s.: eu já desisti sempre que tento explicar algo, complico ainda mais.