quinta-feira, 29 de abril de 2010

salva-vidas

“Respira fundo, olha pra dentro e não esquece quem tu és”. Foi a melhor coisa que eu já ouvi na vida. Porque ouvi no momento certo. Houve um tempo em que eu me perdi. E me perdi feio. Foi em 2006. Se eu não tivesse escutado isso, talvez jamais tivesse encontrado o caminho pra voltar – nunca digo me achado porque ainda sou a rainha das perdidas. Mas foi isso. Nada de mapas... Eu não tinha a menor ideia de onde estava, tinha algumas dúvidas sobre quem eu era, o que queria, pra onde ir. E ouvi aquilo.







Ninguém me disse pra onde correr, o que eu deveria fazer, qual era o próximo passo. Foi só aquela frase que até hoje é a minha bússola. Quando cai a casa, quando o mundo desaba na minha cabeça e eu não vejo a saída, fecho os olhos e olho pra dentro, tentando achar a melhor maneira de ficar bem comigo. É a mais pura sinceridade que eu consigo, comigo mesma. Com o tempo a gente aprende que pode colocar qualquer um no bolso, mentir pra quem quiser, forjar, fingir, inventar. A gente também pode ser inimigo de quem bem entender. Só não dá pra fazer isso com nós mesmos. Aprendi a gostar de mim assim. Impulsiva, mas ponderada. É que com o tempo, a gente pega cancha de fazer o que faz sentir bem.







Se eu olho pra dentro e está tudo bem, sigo. Por fora eu posso ser essa agitação, intranquila. Posso ter essa inquietude que ninguém entende. Eu queimo chuveiros, cafeteiras, lâmpadas, mas aqui dentro é um paraíso!!! Meu refúgio em mim. Sou meu SPA e meu terapeuta, olho pra dentro, respiro fundo, dou um alô pros meus valores. Elenco minhas prioridades, amo, desamo, escolho, duvido, pondero e me pergunto “tudo bem?”, porque eu não quero mesmo me ofender.







E acho graça quando alguém me diz “eu te conheço, eu já te saquei”. Mesmo? Se quiser me explicar, estou aceitando. Me “vivo” há 30 anos e ainda tenho dúvidas sobre mim, mas elas não me incomodam. Qual seria a graça se eu soubesse tudo inclusive sobre mim???







Então, se às vezes eu sorrio, por dentro, posso chorar. Se pareço frágil por fora, posso ser uma muralha. Posso parecer qualquer coisa pra qualquer um. Posso enganar qualquer um, aliás, qualquer um pode enganar quem bem entender, até a própria mãe. Mas ninguém consegue mentir pra si.







E querem saber um segredo? Quando eu olho pra dentro, fica tudo bem quando eu sou sincera pra fora.







Daí também mostro quem eu sou.
Prazer, eu sou a Kuky!



beso
 
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Obs.: GRÊMIO!!!!
 
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pra ouvir antes de dormir...
 
I did my best to notice



When the call came down the line


Up to the platform of surrender


I was brought but i was kind


And sometimes i get nervous


When i see an open door


Close your eyes


Clear your heart






Cut the cord


Are we human?


Or are we dancer?


My sign is vital


My hands are cold


And I'm on my knees


Looking for the answer


Are we human?


Or are we dancer?






Pay my respects to grace and virtue


Send my condolences to good


Give my regards to soul and romance


They always did the best they could


And so long to devotion


You taught me everything i know


Wave goodbye


Wish me well






You got to let me go


Are we human?


Or are we dancer?


My sign is vital


My hands are cold


And I'm on my knees


Looking for the answer


Are we human?


Or are we dancer?






Will your system be alright


When you dream of home tonight?


There is no message we're receiving


Let me know is your heart still beating






Are we human?


Or are we dancer?


My sign is vital


My hands are cold


And I'm on my knees


Looking for the answer






You've got to let me know


Are we human?


Or are we dancer?


My sign is vital


My hands are cold


And I'm on my knees


Looking for the answer


Are we human


Or are we dancer?






Are we human?


Or are we dancer?






Are we human


Or are we dancer?


(the killers)

domingo, 25 de abril de 2010

água de abril

Eu nao sou daqui. Eu nao sou desse tempo. Eu não vivo nesta época de pessoas criadas para terem vergonha do amor. Eu não sou de um mundo que desdenha das palavras e da alma que se deposita nelas. O meu gesto não é virar as costas, é estender a mão.



Eu não sou desse tempo, mas eu não vim do passado. Eu faço parte de um futuro que eu mesma criei. Eu vim de um mundo onde se pode acreditar em alguém que diz o que quer. Lá ensinam a jogar limpo. Lá a gente aprende a ser sincero. Este é o mundo das caras quebradas, dos corações partidos, das almas farrapas, do riso amarelo, do olhar distante e do frangalho. Porque as pessoas de visão, criadas nesse futuro, vivem neste presente imundo. Aqui é a terra da insensibilidade.



- O que é isto no teu peito?

- Um calo. Serve pra bombear sangue.

- Um dia foi coração?

- Talvez, um dia seja.



E assim eu sou o que se chama de “uma besta”, por andar de olhos fechados, num caminho que se faz no próximo passo. Sem trilha. Volta e meia caindo em buracos cavados pela minha própria insensatez. Não faz diferença se é dia ou noite, aliás, não tem tempo, eu já disse que odeio cronologias e não uso relógio. Gritando xingamentos que ninguém vai ouvir, fazendo uma poesia que jamais vão ousar recitar, sobre dor, sobre ódio, sobre mágoa e desilusão. Pulando das pontes pra cair nos rios que eu não sei nadar.



A vida insiste em nos ensinar as lições que já decoramos e teimamos em não aprender. E a gente insiste em cultivar os mesmos erros. Mas isso é certo? Quem sabe, Alfie... quem sabe... Gravei um CD pra ti no sábado passado, Alfie. Com uma música só: sweet disposition. Muitos minutos sacrificados por alguns refrões. Sempre se pode plagiar uma bela melodia. Porque agora é Autumn.



Mas eu não desliguei o verão.



Eu tive um álbum de figurinhas da copa. Hoje eu coleciono cicatrizes e novos palavrões. Sempre me disseram pra não falar tudo que penso. Pois eu também não deveria dizer tudo o que sinto. Quem se importa levanta a mão. Ninguém? Ok. Já imaginava... é o que se chama de moderno, viver a vida profunda de um pires e criar raízes no vento. E o que é de verdade? E os planos que se traçam? Alguém? Alguém? Algum objetivo? Alguém? Alguém? E se eu não acordar? E se não houver nada de baixo dos meus pés?



É a água?

É abril?

É o pó?



Um sonho em voz alta.

Um momento.



Eu não quero mais procurar respostas pras perguntas que eu mesma faço. Eu não quero justificativas leves e histórias mal contadas. Eu odeio faz-de-conta. Jamais fui a princesa do alto da torre. Eu quero meu dragão de volta, aquele que fica na porta do umbigo que eu morava. Se a minha vida é um livro, este é o capítulo que o leitor mais afoito pula. Tem uma bifurcação no meu caminho e a escolha é quase um santo – mas eu nem sei mais se eu sou católica. E agora que eu sou muda? E o que muda? O que deveria mudar? E o que eu ganhei por ser assim?



Então me taxem, de novo. Coloquem em mim o rótulo que acharem bom, porque para mim ele não existe, não foi aqui que finquei minha bandeira. Não será aqui que levantarei meu castelo. Não é a minha piscina que está cheia de ratos. Cumplicidade? Confiança? Companheirismo? Hoje a minha metralhadora de mágoas está carregada demais. Meu hoje pode durar muito tempo, já disse que os meus olhos estão fechados e eu não uso relógio.







Trilha pra não dormir:



I was cryin' when I met you


Now I'm tryin to forget you


Your Love is sweet...


I was cryin' when I met you


Now I'm dyin' 'cause I let you


Do what you do down to, down to, down to, down to, down to


(aerosmith)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

iPod

Um dia eu abri o olho e tudo que antes era nítido tinha virado um borrão. Todas as obras perfeitas e acabadas voltaram a ser rascunhos. Ou nunca deixaram de ser e eu pensei que sim. Talvez o Lucas tenha razão e eu também deva me permitir morrer aos 16. Ter eternos 16 e aceitar que a maioria tem. Por que justo eu levar tão a sério? Por que justo eu ser tão levada a sério?




A maioria dos sentimentos que eu conheci na minha vida teve a profundeza de um pires. E eu paguei a conta todas as vezes que fui intensa e desmedida. Paguei a conta todas as vezes que prometi não ter cuidados e pular do bungee jump. Caí no buraco por andar de olhos fechados. E sempre fui culpada por ser quem eu era, quem eu sou e agir como eu ajo. Sempre fui apontada, carreguei o baú.



Não gosto de ser insignificante. Não gosto de entrar na vida de ninguém se não for pra fazer um maremoto. Eu gosto de mudar, amo me reinventar, sou um camaleão. Já ouvi isso no sentido pejorativo, mas a grande verdade é que, quem me conhece, sabe que eu jamais perdi minha essência, que eu luto pela preservação dela. A tranquilidade da minha alma vale meu peso em ouro – não que eu pese muito!



Eu não quero morar nas estantes, eu quero ser cicatriz, daquelas bem hipertróficas.



Quero escrever AMOR com bic nos braços (to write Love...). Eu sei fazer ventania e plantar minhas tempestades, sei cair e levantar. Sei ir embora. Mas também sei ficar. Só pedir. Eu sei fazer o domingo desaparecer (desligue o rádio e a TV) e deixo versos jogados pelo chão. “Eu sei calar na hora exata” e plagiar uma bela melodia. Tente me ouvir e tente me ver. Tente me achar no lugar onde eu não estiver, porque eu faço de tudo pra perceber que sou eu...



Eu caminhava predisposta a fazer a marcha do pra sempre. Eu não tinha mapa, mas eu fiz uma trilha de pão no caminho.



Está escrito em mim, está em braile na minha pele. Não se lê com os olhos. Precisa muita sensibilidade...



E vou cantar:

Eu vou entrar na tua casa

Eu vou entrar na tua vida

Eu vou sentar e esperar tu me mandar embora mais uma vez



Sorrir e cantar mais, se não der efeito:



Estranho é o deserto dentro de ti

E os muros que me impedem de chegar

A hora marcada de um triste fim

E o medo que eu tenho de errar

Você deixou de acreditar

Você chegou a duvidar de mim

Você perdeu o seu lugar

Que por muito tempo eu guardei aqui

E agora eu digo adeus



Trilha sonora perfeita pra sair de fininho. Eu não faço barulho pra entrar ou sair, faço isso na ponta dos pés. Só sou um tumulto ambulante quando já estou dentro.

Acho que hoje não se cultiva mais a noção de dividir a vida, de construir algo em comum, de ter a vida que meus pais têm. Muita coisa pra quem tem sempre 16.

(hoje sem foto)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

24,016438 horas

Há dias que eu acordo meio mandona. Resolvo que quero isso ou aquilo, me aproprio do mundo, escolho desejos alheios e, se bobear, até o refrigerante dos filhos dos vizinhos. Tem dias que eu não dou opção. Não há Cristo que me convença a mudar de opinião. São raros, mas existem. Decido quem existe, quem some, o que aconteceu, mudo os rumos da história, decreto o improvável, minto jurando que é sério. Um pequeno caos de 24 horas... até pelo perigo que representa fazer isso por mais tempo – não quero ser presa, juro - , ou seja, no dia seguinte tudo está como sempre foi. Cabral voltou a descobrir o Brasil, a gravidade é uma realidade e a minha conta bancária segue no vermelho. Piscante!



E daí, nesses dias, eu resolvo tudo. Nada fica sem solução, já que EU decido, EU mando, Eu determino. O que eu sei, eu digo, o que eu não sei, eu invento. E vale. Pelo simples fato que eu decido. E se alguém discordar, eu mando sumir – do MEU mundo, no MEU dia. Já pensei em fazer um #kukyday, mas a minha megalomania não chegaria a tanto. Ou chegaria?



De qualquer forma, vou encaminhar isso ao meu Departamento de Veja Bem.



Ah, no dia que eu sou a dona do mundo, o Departamento de Veja Bem não existe. Nada fica pendente de nada.



Logicamente, hoje não foi um dia de dona do mundo. Mas sinto que ele se aproxima avassalador, tresloucado e esquizofrênico. E daí, temei! TEMEI!!!












Quero mandar uns salves para pessoas amadas que estão longe fisicamente, mas bem presentes no meu coração, pra quem eu mando boas energias, inclusive incluo nas minhas orações diárias. Acreditem, eu rezo. Pra quem, não interessa, importa a fé e a energia que esse ato representa. Lá vai meu salve:



Lucas, amei o videozinho novo da música Taste like Cookie. Chorei chorinhos. Tu não está na minha prateleira. #cicatriz

Tavares, meu urso-irmão, irmão-urso, que fez aníver esta semana, preciso dizer o que se passa no meu coração?

Bell, que fez aníver dia primeiro de abril, nenhuma outra data seria tão perfeita hahahaha. (já aprendi a andar de sonrisal sem cair, é só não beber!)

Vavo, por cuidar deles... pelo menos, eu acho que cuida.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

não escrevi nada do que era pra escrever

É sério, posso ser uma pessoa zen, mas isso não quer – obrigatoriamente – dizer que eu tenho paciência. Não tenho. Eu sou bem tranquila, é verdade. Brigo muito pouco e os insultos que eu falo são sem querer, pelo menos na grande maioria. As birras e desaforos sim, são pensados. Assumidamente premeditados. Acho que não há mal algum, posto (adoro usar “posto”) que assumo que faço mesmo de caso pensado. E não fico nem vermelha... Eu tenho muitos (MUITOS EM CAPS LOCK) defeitos e também conheço todos pelo nome e sobrenome. Gosto deles e continuo sustentando que as maiores paixões não surgem das qualidades e sim dos defeitos. Eu tenho alguns defeitos que eu gosto mais do que de algumas qualidades, e tenho características que às vezes são defeitos e às vezes são qualidades. Também tenho algumas características com as quais eu convivo sem saber exatamente o que são. Algumas coisas funcionam sempre bem, outras só quando não se alteram as CNTP (isso me lembra que até hoje odeio mais que tudo na vida cálculo estequiométrico).



Por incrível que pareça, o porquê de eu ser assim eu sei (ok, não sei, mas tenho uma teoria tão infundada quanto todas as outras)... Claro, são vários porquês: sou aquariana, meu ascendente é Áries, Deus quis, blá blá blá. Mas a culpa é das mimadices. Sim, eu sou mimada. Sempre fui. Não sei se é porque eu sou ruiva, porque tenho sardas no nariz, porque faço cara de Cocker pra pedir as coisas, o fato é que eu sou mimada e pela grande maioria das pessoas. Não culpem só os meus pais, me mimar era – ou ainda é – a obrigação deles. Estou falando dos mimos facultativos: amigos, amigas, chefes, professores, namorado, gatos, motorista do ônibus, sogro, sogra, dentista, etc. Acham que esse ego pra lá de inflado veio de fábrica? Lógico que não!



Nada disso é uma crítica e eu não quero que mude! E já que eu sou mimada, posso querer e ser atendida, ok?! Mas eu fui criada no meio de um bando de guris, fazia pista de bicicross, subia nas árvores, jogava futebol, bafo e carrinho de lomba como todos eles (um pouco menos coordenada, talvez). Mas se eu ralava o joelho, me carregavam no colo até o mercúrio mais próximo! Se alguém brigava comigo, todos eles me defendiam. Enquanto vocês chamavam a mãe, eu chamava meus amiguinhos!!! E assim também foi na minha adolescência, onde eu era proibida de namorar e ai de quem tentasse me paquerar. E daí vem um pouco das mimadices que eu tenho hoje em dia... de ter “um pouco” de moral com os meus amigos.



Hoje, conversando com um amigo sobre fidelidade, ele – que está namorando – me falando que não vê problema algum com a infidelidade. Claro, desde que o corno não seja ele. E eu bravamente levantei a bandeira da moral e dos bons costumes (ah, pra isso eu sou bem careta) e falei pra ele que eu vejo sim e que quando eu namoro, sou pra lá de boa moça. E ele me veio com a frase que eu mais gostei de ler na tarde: “tu é boa moça até solteira. Nunca te vi fazer nada que te tirasse o mérito de ser pra casar”. Até copiei pra Clá!!! Preciso me gabar com testemunhas, né!



Gostei disso... gostei muito disso! Sempre me preocupei em não me expor. Nunca andei por aí cada noite com uma companhia diferente, solteira ou não. Eu gosto da noite, gosto da vida social e quando a gente fica muito “visível” tem que cuidar pra não ficar também com histórias. Não condeno quem faz, cada um faz o que se sente bem pra fazer, mas eu não sei ser de outro jeito. Me vem sempre na cabeça a imagem do Guilherme (e eu tinha 14 anos) me falando: tu não vai fazer o que qualquer uma faz, porque tu não é qualquer uma e não vai se comportar como qualquer uma.



E nessa páscoa em Gramado, Diego me falou uma coisa que encaixou perfeitamente: eu não chamo qualquer uma de minha namorada. E ele me chamava de namorada antes mesmo de nós elegermos um dia (já que desde o primeiro inocente beijinho de tchau a gente nunca mais desgrudou).



Seja como for... eu não sou qualquer uma. Sou um ser mimado e educado. Com alma de tergal. Talvez eu nunca admire as bolsas da moda, talvez eu nunca use uma roupa com a etiqueta mais cara que o tecido, talvez o meu jeans seja sempre surrado, mas porque eu escolhi assim, saber quem eu sou e fazer disso o meu próprio orgulho. Meu guia. E porque eu sou sabidamente especial, quero perto de mim pessoas especiais, como meu namorado, meu FIIIDO, meus pais, minha mana, meu cunhado, minhas amigas fiéis(ah, sim, hoje eu tenho amigas e elas também me mimam!!!), meus amigos eternos, meus parceirinhos de bagunça, os doidinhos que lêem isso tudo e não entendem nada! Hahaha



Ah, no fim das contas, esse post nem era pra isso. Queria mesmo dizer que eu detesto gente que se faz de coitadinha e passa a vida se martirizando, reclamando e sofrendo pelos cantos. E pior, que às vezes procura uma aprovação que não existe. A Páscoa já passou. O cara que inventou isso tava lá pregadinho na sexta-feira santa. Sejamos criativos.