quarta-feira, 30 de junho de 2010

mogli

Não que eu queira me desfazer da postura de boa moça – que eu juro que sou –, mas boas moças também falam de sexo. Lógico que eu não pretendo falar das minhas particularidades ou das minhas preferências. Eu tenho lido muita, muita, mas MUITA, em caps lock, bobagem. Escutado mais ainda. O mundo da solteirice é complicado demais, porque os próprios solteiros e solteiras complicam. SIM, homens e mulheres, meninos e meninas. Não venham me dizer que as mulheres complicam tudo, complicam muita coisa sim, mas os homens também têm suas parcelas de culpa. Até tenho as minhas opiniões um pouco machistas, volta e meia me vejo inclinada a defender o time dos meninos, adoro e adoto a praticidade deles no que dá (literalmente, ou dá ou desce). Isso tem uma explicação, já falei aqui: assim como Mogli foi criado por lobos, eu fui criada por meninos. Fui ter amigas lá pelos 15, 16... O que não quer dizer que Mogli seja um lobo, muito menos que eu seja um menino. Definitivamente, não sou.

Mas sempre tive uma relação muito boa com os guris e até hoje tenho amizades sinceras com eles, que me mimam – quase não gosto! Então, preciso compartilhar algumas coisas, me sinto na obrigação. Primeiro, não tenha vergonha de tirar a roupa. Se você é gordinha, tem celulite, relaxa. Nessa hora eles não percebem. Os comentários que eu ouço nunca são “daí, ela tinha culote” ou “ela tava cheinha de celulite na bunda”. Mas já ouvi coisas sobre tirar a roupa com muita pressa, usar uma calcinha velha, marrom ou que não combine com o sutiã. Ah, sim, a maioria dos homens que habitam o mundo não sabem combinas a meia, com o terno e com a gravata, mas sabem muito sobre lingerie. Aliás, desconfie do homem que sabe alinhar meia, terno e gravata. Ou ele tem namorada, ou ele quer namorado.

E a dúvida sobre transar ou não... As meninas nunca sabem se podem ou não transar no primeiro encontro. Os meninos dizem que é indiferente transar no primeiro ou no quinto, por exemplo. Mas percebo que eles não ligam no dia seguinte para aquela que transou no primeiro dia, enquanto é consideravelmente mais alta a chance de ligarem para aquela que deixou o sexo pra depois. Por quê? Simples, um homem, no primeiro encontro não vai transar por estar loucamente apaixonado por ti. Vai transar porque pintou o clima, rolou tesão, essas coisas carnais. Jamais cobre dele por não ter ligado. A escolha foi dos dois.

Também escuto reclamações femininas de que ia tudo muito bem até transarem, quando ele, misteriosamente, sumiu. “Tu acha que ele só queria transar? Tava me enrolando esse tempo todo?” Sim e não. Mas o que importa, sejamos práticas... se foi ou não foi, faz diferença? O telefone vai tocar? Relaxa, isso acontece o tempo todo no mundo, não foi a primeira vez, não será a última. Em vez de ficar preocupada com “o tempo”de transar, por que não se preocupar em conquistar a pessoa? Mostrar as qualidades, o quão interessante pode ser, apresentar as opiniões, gostos, objetivos... O que ele quer, nesse momento é o de menos, ele nem sabe. Vocês estão se conhecendo, pare de pensar no nome dos filhos. E outra. O cara que quiser apenas sexo, com certeza não vai chegar falando “oi, sou o Fulano, minha única intenção contigo é a cópula sem fins reprodutivos”. Me preguem na cruz, mas eu não daria uma bofetada nessa pessoa. Ele ia ganhar no mínimo uns segundos do meu tempo, até que eu parasse de rir e tentasse entender a situação. Estou imaginando e rindo sozinha hahaha! Enquanto isso, Noah and the Whale cantando...

Acho toda essa história de complicar muito complicada. Prefiro tudo descomplicado ao máximo. Conversas abertas, sinceridades, algumas cortantes. Azar. Estamos aqui para viver. Ou estou errada?!

Acho que as pessoas perderam o prazer da paquera, esqueceram o charme da conquista, o jeito de fazer a corte. E eu acho que fazer a corte é coisa de homem, nem pense em você, mulher, tomar a iniciativa, dar uma cantada. Imagina a cena: um bar. O cara encostado, tomando um chopp com um amigo. Chega você, mulher, dá um tapa na bunda dele, se encosta no balcão. Toma um ou dois goles do chopp dele, dá uma mexida básica no cabelo (homens, isso quer dizer “estou na tua”), se apóia com um só cotovelo no balcão de modo que o decote fique à mostra sem nada saltar pra fora. E daí, olhando dentro dos olhos dele: “então, gatinho, eu sou a Fulana, posso te pagar uma bebida?” No mínimo bizarro! Mas também seria divertido... hahaha

Canta, Noah, canta!


Pra mim, a melhor aproximação ainda é "oi, vamos viver, descomplicar e nos divertir?"
Topo!
 
(entreguei o ouro pro bandido?!)
 

Pra não dizer que não falei em poesia...

Il guscio rotto

In caso di male

hai chiesto cremazione

perché il male

smettesse di mangiare

noi siamo quelli

che hanno sibilato sì o no

a brochure di bare

non c'era bisogno

di fare pace tra noi

quando la cerea spianata frontale

confermava che le guerre

erano tutte inventate



ancora una volta

hai avuto troppo coraggio

ancora una volta

hai deciso tu

chiedendoci regali

per le infermiere

dei tuoi ultimi orgogli

e poi avviarti

i medici con le mani aperte

i mesi scivolati a terra

il guscio rotto



ancora una volta

hai avuto l'ultima parola

cercando di non sporcare

non suonando mai

il campanello del reparto

confessando alla suora

e bestemmiando fino in fondo

che non ti andava di morire

e poi zittirci che avevi sonno

proprio nel giorno della Madonna

terça-feira, 22 de junho de 2010

das desculpas que eu não peço

PEQUENO ESCLARECIMENTO: este post já foi publicado no blog antigo, mas revivi ele por se encaixar perfeitamente ao dia de hoje, nesta semana. Também porque sem ele a Jana não vai me dar alta!
 Aquele que já estava engatilhado, eu publico depois.

Desculpa se eu não peço licença e acabo invadindo os lugares que não me são permitidos, se fazendo isso eu cometo atropelos. Desculpa pelas minhas desobediências, mas eu nunca disse que era uma menina boazinha, desculpa pela minha mania de pensar demais, de querer demais, de fazer demais e esperar de menos. Desculpa por todas as palavras que eu não disse e pelas que eu disse mentindo, mas estava escrito na minha testa que era mentira.



Desculpa pelo meu amor cínico, pela intensidade passageira, pela falta de tato. Desculpa pelos choros mentirosos e risadas pretensiosas. Desculpa pelos pequenos segredos, pela personalidade forte, pela falta de submissão, pela inteligência, pela opinião, por ter ligado o foda-se, por jogar as coisas por cima, pelas pequenas explosões, pelos dias de chuva. Desculpa por pisar em ovos (querendo que quebrem). Desculpa por quebrar as correntes, pelas mãos de areia.



Desculpa por não saber falar de sentimentos, por abraçar quando eu quero correr, por dar oi quando eu quero sumir. Desculpa por ser bem resolvida, pela auto-estima, pelos superlativos. Desculpa por não saber todas as respostas e por inventar explicações malucas, por acreditar nas minhas teorias, por alimentar meus monstros, por cultivar meus defeitos. Desculpa pela ousadia. Desculpa pelos gritos que eu prendo.



Desculpa por saber voar sem tirar meus pés do chão, por morar no meu umbigo, por escolher quem eu vou amar, por desamar, por desarmar, pelo desapego, por selecionar palavras certas nas horas erradas e palavras erradas nas horas certas, por me apegar nos detalhes. Desculpa pelas observações e declarações fora de hora. Desculpa pela racionalidade, pela impulsividade, pela imoralidade, pelas calorias fora de hora, pelos pequenos desejos e pelas aventuras. Desculpa por arriscar e querer mais, por ser eternamente insatisfeita, por me reinventar e ser intranquila. Desculpa por ainda assim me sentir em paz e vibrar diferente.



Desculpa por torcer, por vibrar, por não ouvir, por me fazer de besta, por olhar pro lado, por atravessar a rua e não respeitar as placas de pare. Desculpa por dar valor ao que eu acho certo. Desculpa por não ser sexy, pelo jeito casual, pelos palavrões que escapam sem querer. Desculpa por acreditar no destino quando me convém e nas simpatias, mandingas e manias. Desculpa por rogar pragas, esbravejar, maldizer e torcer o nariz. Desculpa pelas horas que eu gasto lendo pessoas, pelo medo que eu tenho de ser desvendada, por pular a janela, por escalar o muro, por descer a escada e torcer o pé, pela porta fechada. Desculpa pelas minhas escolhas, por ter uma vida e por me conhecer.



Desculpa por jamais poder pedir estas desculpas, por ser assim, por ser doce e ter casca, por quebrar o gelo, pela política, pela intensidade e pela inconstância. Desculpa pelas pequenas, médias e grandes insanidades e inconsequencias.



Desculpa por fazer bolhas de sabão com as minhas alegrias, de soprar elas ao vento e ver uma a uma virarem nada. Desculpa se a beleza está no momento, mas essa culpa não é minha, não fui eu quem inventou o sentimento. Nem no auge da minha maior crise de criatividade eu ousaria...

****
Com vocês, o ornitorrinco!beso!

 
Ah, sim, já fui menos covarde, sim!!! Já me escondi menos, já fugi menos, já sumi menos... Mas já fiz menos tanta coisa! E também já tenho quase completa minha lista de loucuras. Mil vezes ja tomei banho de chuva, de temporal, já caminhei no meio do vendaval, comendo poeira. Já corri nua. Já dancei no meio da rua (sem música). Já pulei sem parar a noite inteira. Meu final de semana já teve um dia só, com duas noites, duas manhãs, mas parecia tudo tão madrugada (aliás, não foi?!), minhas semanas já tiveram menos dias, mais dias, mas nunca dias iguais. Por isso que os devaneios e as insanidades sempre deixam sempre um gosto de quero mais. Loucuras são repetíveis, mas dias iguais, jamais. Prefiro respirar em dias livres, escolher se chovo, faço sol, fico nublada, ando na faixa ou na calçada (?!), fico de bem ou emburrada.

Hoje eu já sou menos inquieta, mais discreta. E continuo sendo eu, em muitas faces e mesma pessoa... ô vida bem boa!!! Tá, mas muito lero-lero, falei, falei e não expliquei o que eu quero.

Só vim dizer que se eu achar pertinente (e também acho beeem prudenete!!), vou seguir do mesmo jeito. De repente, mato mais coisas no peito...
(já viram que sol tá na rua hoje???)


****

Somos o contorno daquilo que ninguém sabe como desenhar.
Somos a inspiração do que alguém projetou sem executar.
Somos o sonho mais perdido e a razão mais vazia.
Somos o que ninguém sabe, nem explica por quê.
Somos matéria.
Somos alma.
Somos algo que ninguém quer entender.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

bigorna

Não duvido que eu tenha estado errada. Mas, como a maioria das pessoas, sempre achei que a paixão fosse dominada totalmente pelo sentimento. Não é. Pelo menos é nisso que tenho sido levada a crer. Mudei de ideia, me agreguei a uma nova filosofia sobre a paixão.



Acho que pode ser que a paixão impulsione muita coisa. Pode impulsionar tudo sem passar nem perto de qualquer racionalidade. As atitudes apaixonadas não são apresentadas à razão. Mas não acredito mais que a paixão seja puramente sentimental na sua origem. Acho que ela não vem do sentimento, acho que vem da racionalidade. Não acho mais que seja possível conhecer uma pessoa e no meio da conversa – ou nas conversas vindouras – sentir uma bigorna despencando na cabeça, com as letrinhas: PAIXÃO.



Cena de desenho? Pode ser... Não querem um amor de novela? Pois a minha paixão é de desenho animado!



Acredito que a paixão surja da mais pura racionalidade. Qualquer coisa do tipo: “acordei disposta a dormir apaixonada”. Depois disso, tudo pode acontecer. Nada também – já disse que eu adoro a teoria do caos?! – porque não depende apenas de uma decisão. Ela é o início!!! Vai além da receptividade. É decisão racional e ponto. Não tem muito o que explicar.



Se a pessoa não está disposta, ela pode muito bem rosnar, ameaçar morder a cada bom dia recebido. Ou discretamente se aposentar da paixão, sem alardes. Porém, se decidir se apaixonar, a paixão vai surgir. Vai acontecer. É fato. Estou acreditando muito nisso. A paixão é, na sua origem, racional. Os defeitos da outra pessoa ficam toleráveis, as temperaturas mais amenas, você fica mais afável, domesticável, devorável, quem sabe até adorável... E daí sim, depois de se apaixonar, tudo é sentimento, tudo é explosão!!!



Chegamos ao senso comum, onde todo mundo já fez alguma catástrofe passional. Onde os cantores sertanejos têm suas magníficas inspirações. Desliguei a ironia. E como a gente gosta disso, né?! E depois a paixão se desfaz, deixa aquela coisa estranha, sensação de quem engoliu um elevador. Ou vira amor. E quando isso acontece, sugiro que ainda assim se coloque lenha na fogueira da paixão. Mas eu não quero falar sobre isso agora. O amor é outra coisa – e ainda vou pensar se eu também o acho racional.



Andei pensando muito sobre a paixão. Sabe que a ideia da bigorna caindo na cabeça sempre me agradou, mas não sei... Agora tem me parecido utópica demais. Paixão não é uma maldição, embora estar apaixonado possa ser às vezes. Estou mais inclinada em acreditar em amor à primeira vista do que em paixão sem racionalidade. E eu nem sou uma pessoa romântica! Agora acredito que o início da paixão é pura racionalidade. Já disse que eu adoro que me provem que eu estou errada?!



***

Só a título de curiosidade, estou ouvindo Gary Go – me reclamaram do meu repertório água com açúcar de mulherzinhas! Tai! Um GURI!

***
 
Talvez eu não adore que me provem que eu estou errada. Não muito...
Não sei se preceberam, mas em nenhum momento eu disse se estou ou não disposta a me apaixonar.
Bom, estou disposta a me provarem que estou errada.
 
***
 
musiquinha:
 
C'è un principio di magia

Fra gli ostacoli del cuore
Che si attacca volentieri
Fra una sera che non muore
E una notte da scartare
Come un pacco di natale
C'è un principio d'ironia
Nel tenere coccolati
I pensieri più segreti
E trovarli già svelati
E a parlare ero io
Sono io che li ho prestati
Quante cose che non sai di me
Quante cose che non puoi sapere
Quante cose da portare nel viaggio insieme
C'è un principio di allegria
Fra gli ostacoli del cuore
Che mi voglio meritare
Anche mentre guardo il mare
Mentre lascio naufragare
Un ridicolo pensiero


Quante cose che non sai di me
Quante cose che non puoi sapere
Quante cose da portare nel viaggio insieme
Quante cose che non sai di me
Quante cose devi meritare
Quante cose da buttare nel viaggio insieme
C'è un principio di energia
Che mi spinge a dondolare
Fra il mio dire ed il mio fare
E sentire fa rumore
Fa rumore camminare
Fra gli ostacoli del cuore
Quante cose che non sai di me
Quante cose che non puoi sapere
Quante cose da portare nel viaggio insieme
Quante cose che non sai di me
Quante cose che non vuoi sapere
Quante cose da buttare nel viaggio insieme

quinta-feira, 10 de junho de 2010

uma nota só

E depois dos dias nublados, sem motivo me faço radiante dia de sol. A tempestade que se armava foi embora, cessaram os trovões, não vejo mais raios. Tudo isso contra a minha vontade. Sim! Às vezes tento fazer com que o mau humor impere apenas para que eu me sinta mais humana. Da mesma maneira que às vezes preciso colocar uma futilidade na minha vida, sem julgar ou condenar.

Não quero mais ouvir lamentações. Minha ouvidoria de reclamações está em greve. Desculpa, eu sei que é egoísmo, mas é temporário, garanto.

É que de uma hora pra outra, tudo que eu escuto são pessoas na minha volta dizendo: “que saco, dia dos namorados sem namorado”. Ok. Mas antes do dia 12, tudo bem não ter namorado? E depois? Também? Parem de reclamar, ou reclamem do frio, sei lá... Simplesmente reclamem pra outra pessoa, então! Eu estou no maior climão de dia dos namorados, adoro o dia dos namorados... Me fazendo feliz – o certo seria “fazendo-me”, mas acho assim mais poético. Comprei-me (uau!) presentes, comprei um vinho, ando fazendo boas jantas e sobremesas especiais. Enfeito a mesa, acendo velas, lareira, filminho, cobertor. Cheguei a me passar ontem colocando duas taças na mesa! Danço e canto pra mim. Estou romântica até por dentro dos olhos. Aliás, estou romântica a olhos vistos, tenho me achado até mais sexy. (?!?!?!)

Quero que todas as pessoas do mundo que têm namorado aproveitem da melhor maneira possível. Enfrentem as filas dos restaurantes, filas nos motéis, bares, gastem com presentes, escrevam cartões com dizeres apaixonados, letras de músicas... Tudo isso que faz parte e eu acho o máximo. Adoro casais apaixonados. Adoro os apelidos bregas. As despedidas de namorados duram eternidades! Os telefonemas rendem contas astronômicas. Lindo. Eu juro que não estou sendo irônica. A Raica, minha gata é testemunha e Corinne Bailey aqui cantando acabou de dizer “tell me I'm forgiven”. Óbvio que está, como qualquer um que ama, desama, gostaria de amar e ser amado neste dia.

Particularmente, prefiro ser amada todos os dias. E amar diariamente. Ainda não sei se é possível, a vida é um tempo que eu gostaria de usar para descobrir.

Também não estou dizendo que eu não acredito no amor. JAMAIS diria isso. Acredito, confio e às vezes ele até me convence, nas suas mais variadas modalidades, que é essencial. Gikovate talvez não concorde.

Bom, amando ou não amando, sozinhos ou acompanhados, não reclamem. Aproveitem. Se não há quem amar, se o amor não é correspondido, ame-se! E é um bom começo, se encontre pra depois se perder. Ah, acho tão bonito quem se perde no caminho alheio... não dá nem pra deixar pãozinho pelo caminho pra tentar voltar.

A melhor maneira de fazer outra pessoa feliz é sendo feliz. Não condicione a sua felicidade à companhia alheia. O que funciona é ser feliz e quem quiser ser feliz junto, que chegue mais. Aí começa a diversão de ser feliz a dois.

Não é a solidão que faz aparecer esse montão de reclamações. Ou é e eu estou equivocada?

Acho que a coisa vai mais além. Sei lá, um sentimento de exclusão. Hoje eu quis comprar um brinquedo pro Fido e a loja era tomada de ursos com corações e dizeres “I LOVE YOU”. Eu só queria um playmobil! E não venham me dizer que não é isso. Que no dia das mães ninguém sente isso por não ter filho, porque mesmo quem não tem é filho de alguém. Então participa igual.

Pensando bem, talvez vocês tenham razão. Talvez o dia dos namorados seja mesmo cruel e sarcástico, excludente! Me lembrem de sentir isso no dia do índio, no dia da árvore... Mas por favor, não reclamem mais pra mim, eu estou me namorando, apaixonadamente. Fiquem bem. Sobrevivam. Aproveitem. The Love is in the air...

Porém, o amor é outra coisa.

Um beijoS!
Ah, por favor, além dos recomeços, me perguntem sobre o amor. Aaaah, o amor!


Heart of Glass
(Nouvelle Vague)



Once I had a love and it was a gas


Soon turned out had a heart of glass


Seemed like the real thing, only to find


Much to mistrust, love's gone behind










Once I had a love and it was divine


Soon found out I was losing my mind


It seemed like the real thing but I was so blind


Much to mistrust, love's gone behind










In between


What I find is pleasing and I'm feeling fine


Love is so confusing there's no peace of mind


If I fear I'm losing you it's just no good


You teasing like you do










Once I had a love and it was a gas


Soon turned out had a heart of glass


Seemed like the real thing, only to find


Much to mistrust, love's gone behind










Once I had a love and it was divine


Soon found out I was losing my mind


It seemed like the real thing but I was so blind


Much to mistrust, love's gone behind










Lost inside


Adorable illusion and I cannot hide


I'm the one you're using, please don't push me aside


We could made it cruising, yeah






It's just no good


You teasing like you do


domingo, 6 de junho de 2010

crystall ball

Existe a palavra contículo? Se não existe, está inventada. Avisem o seu Aurélio que quer dizer um conto bem pequenininho, como uma gotícula. Algumas histórias são rios, outras são pingos. As minhas geralmente são baldes – de água fria. Eis aqui, um contículo...







Eles já se conheciam quando se encontraram naquela festa, que não estava boa. Ele bebia cerveja, ela água. Ele estava com os colegas de trabalho, ela com as ex-colegas da faculdade. E ela já havia se interessado por ele, já deu bandeira e até se insinuou em outra oportunidade. Discretamente. Ele se fez de desentendido, mesmo assim, raramente acabava uma festa sozinho. Ela nunca ia embora acompanhada.







Conversaram num canto do bar, entre muitos sorrisos e alguns goles das suas respectivas bebidas. Não estavam propriamente flertando. Na verdade estavam sim, apenas tentavam fingir que não. Foi quando chegou Lise. Era uma das ex-colegas de faculdade dela, talvez a mais bonita, queixo e nariz harmônicos, cabelo preto, curto, com a nuca à mostra, olhos grandes, cor de esmeralda. Lise passava longe de ter qualquer equilíbrio entre beleza e inteligência.







Ele perguntou quem era. Ela, elegante, como sempre, apresentou os dois e saiu de cena. Ela não era feia, pelo contrário, alta, magra, cabelos longos, olhos verdes, boca grande, do tipo que chama a atenção e até ouve alguns elogios. Preferiu ir embora.







Não estava chateada, nem com ele nem com a Lise. Não tinha perdido nada, já que não se perde aquilo que jamais se teve. Apenas resolveu ir embora. Pensava quanto tempo demoraria até Lise soltar uma das suas pérolas. Se ainda assim ele a levaria embora ou pelo menos a acompanharia até o carro. Será que vão trocar telefones? Lá foi ela, se despedir das demais colegas, pagar a conta e quando foi até a guarita do serviço de manobristas para pedir o carro, ele estava lá. Sozinho.







Ela parou do lado dele, entregou a ficha de número 800 para o manobrista. Quieta. Ele colocou por cima dela o casaco que tinha nos braços:







- Pensei que já tivesse ido...



- Pensei que tu fosse ficar mais.



- Pensei que não seria tão bom.







Ela riu. Eles eram iguais e diferentes, ao mesmo tempo e sem explicação. Um havia lido a entrelinha do outro.







O carro dele chegou. Ela tirou o casaco do ombro e foi devolver pra ele...







- Amanhã eu pego. No bolso direito tem meu telefone, vou esperar que tu me ligues dizendo onde vamos jantar.







Se abraçaram por uns 3 ou 4 minutos, mudos.







Ele foi embora. Logo chegou o carro dela. Ela enfiou correndo a mão no bolso direito, estava lá, o telefone dele, premeditadamente escrito num guardanapo. Ela riu.







Nunca ligou.

fim!
 
 
 


AGORA EM CAPS LOCK:

BETA, EU TÔ MUITO FELIZ POR TE TER DE VOLTA!

beso


Música:

Who is the man I see

Where I'm supposed to be?

I lost my heart, I buried it too deep

Under the iron sea



Oh, crystal ball, crystal ball

Save us all, tell me life is beautiful

Mirror, mirror on the wall



Lines ever more unclear

I'm not sure I'm even here

The more I look the more I think that I'm

Starting to disappear



Oh, crystal ball, crystal ball

Save us all, tell me life is beautiful

Mirror, mirror on the wall

Oh, crystal ball, hear my song

I'm fading out, everything I know is wrong

So put me where I belong



I don't know where I am

And I don't really care

I look myself in eye

There's no one there

I fall upon the earth

I call upon the air

But all I get is the same old vacant stare



Oh, crystal ball, crystal ball

Save us all, tell me life is beautiful

Mirror, mirror on the wall

Oh, crystal ball, hear my song

I'm fading out, everything I know is wrong

So put me where I belong


(Keane - Crystall Ball)



*** Às vezes eu faço certo fazendo errado. Na maioria das vezes que eu acerto, foi tentando errar. Não vejo muito problema em errar acreditando estar certa. #justlive