quarta-feira, 27 de outubro de 2010

cineminha

Sabe quando uma pessoa está falando contigo, tu estás prestando atenção, mas na tua cabeça estão passando outras coisas? Eu faço isso às vezes, olho com a maior cara de foto 3x4, mas na minha cabeça, os pensamentos estão absurdamente mais além. E a pessoa ali, na minha frente, tentando me ganhar na palavra. É pura preguiça de ir contra e explicar o meu ponto de vista, por que eu discordo ou o que eu acho de diferente. Assim a pessoa acha que concordamos, que podemos ser parecidos, até temos afinidades. Eu presto atenção e não me manifesto por pura preguiça. Óbvio que não é sempre, mas geralmente em fins de noite, fins de festa, fins de ano e quando eu sei que a pessoa se ofende muito com opinião contrária, apenas me transformo em boa ouvinte. Em certas situações a pessoa só precisa mesmo falar. Eu me proponho a só ouvir. E não é que eu concorde.

Isso mostra o quanto é difícil assumir pra um outro quem nós somos. Mostra o quanto a gente tende a jogar, a se esconder em vez de se mostrar de verdade, a ponto de a verdade parecer uma fofoca sobre nós. A verdade tenta fugir e aparecer num escape, numa ato-falho, fica gritando dentro da gente “me diga”. E a gente tentando emudecer a coitada. É muito mais fácil falar o que deve ser dito pra agradar. Concordar pra não perder. Algumas verdades chocam, traumatizam, isso quando a gente as conhece, porque às vezes podemos não saber delas. Ninguém precisa saber sempre o que sente, se ama ou não, se prefere ou não, mas até isso pode ser dito: não sei. E dizer isso não é feio.

De uns meses pra cá engatei uma marcha acelerada de mudanças de comportamentos. São baseadas no que eu já pensava, baseadas no que eu não penso mais, nos pensamentos novos que eu tenho, sem distinção ou preconceito. Joguei tanta coisa pra cima... pratiquei o desapego de ideias e conceitos. Pratiquei a reciclagem de princípios, tudo em nome de uma única bandeira: ser tão sincera de mim pra fora quanto sou de mim pra dentro. Tem que ter coragem, pro que vai e pro que vem. Dói. Doeu em mim e pode ser que doa um pouco por aí... Mas também foi bom, foi um prazer saber que posso me conhecer suficiente pra assumir mudanças, para ter atitudes e pensamentos. Fazer isso sem vergonha alguma.

Perdi o pudor de não mudar.

Parei de alimentar o dom da negação.

Já perceberam o tanto de tendência que temos pra fazer isso? E por pura falta de pausa. Queremos acelerar e acabamos reproduzindo comportamentos em círculos, sem perguntar por que estamos fazendo aquilo. Mudamos para agradar, mudamos para concordar, para sermos aceitos, mudamos para acompanhar tendências, exigências, para estarmos do lado de alguém por comodismo ou por vaidade. O filme BELEZA AMERICANA é um ótimo exemplo disso, com todos os diálogos sarcásticos, onde ninguém é livre e ninguém quer se libertar. Todos querem apenas parecer. É mais fácil parecer do que ser. Lembro-me também de uma cena de NOIVA EM FUGA, onde o Richard Gere descobre que a Julia Roberts come os ovos conforme os noivos gostam: mexidos, fritos, cozidos. Quando ele conta isso pra ela, em casa ela faz ovos de todas as espécies pra descobrir qual o que ELA gosta. E isso não é uma questão de opinião apenas. É posição na vida.

Dizer o que se pensa, o que se quer, independente do que vá acontecer. Não interessa se vai cativar o outro, assustar, seduzir. Um pingo de ilusão e fingimento é bom, colore mais, mas isso não deve se tornar a regra. Eu quero isso pra mim, poder praticar essa sinceridade aterrorizante. Derrubar em cima dos outros quem eu sou, apresentar meus lindos defeitos um a um. Contar – por mais estranho que seja – o que eu penso e acho. Vou pra fogueira? Talvez.

Decidi que não vou existir só porque eu nasci.

Decidi que eu vou viver.

Intensidade, sinceridade e pimenta a gosto.





MESMO QUE MUDE
(Bidê ou Balde)
Ela vai mudar,



Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou
Vai ficar feliz de ver que ele também mudou
Pelo jeito não descarta uma nova paixão
Mas espera que ele ligue a qualquer hora
Só pra conversar
E perguntar se é tarde pra ligar
Dizer que pensou nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ela aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou


Ele vai mudar,


Escolher um jeito novo de dizer "alô"
Vai ter medo de que um dia ela vá mudar
Que aprenda a esquecer sua velha paixão
Mas evita ir até o telefone
Para conversar
Pois é muito tarde pra ligar
Tem pensado nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Para conversar
Nunca é muito tarde pra ligar
Ele pensa nela
Ela tem saudade
Mesmo sem ter esquecido que
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou




***

Aconteceu uma coisa essa semana tão engraçada e ao mesmo tempo tão ridícula que eu ainda preciso pensar como contar sem ser comprometedora. Ou serei. Azar!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

que se dane amélia

A mesa era redondinha, mas ficava encostada numa das paredes da cozinha. O meu lugar era entre a mesa e a geladeira, quem mandou ser magrela... O cardápio da janta era pizza e bebíamos vinho.

- Me passa a mostarda?

Dei uma espirrada de mostarda na mão dele e sorri enquanto mastigava a fatia de pizza que estava quase inteira na minha boca. Sorrir de boca cheia não é charmoso pra fazer na frente do noivo. Ele franziu a testa, limpou a mão no guardanapo, colocou a mostarda no canto do prato, continuou comendo, como se nada tivesse acontecido. E aconteceu? Aconteceu. Naquela hora tive certeza do que já desconfiava, era mesmo hora de ir embora.

O anel de noivado era bem bonito... pena.

Não me encaixo na forma de mulher ideal. Não me encaixo na forma da mulherzinha, não sou convencional, não dou muita importância para a maioria das coisas que se aprende e que eu acho superficial! Sei lá. Ali eu vi: esposinha, nunca serei.

Não que eu não curta amar de maneira desmedida, não que eu seja incapaz de agradar, de conviver com alguém! Sei cozinhar, passar roupa, varrer antes de tirar o pó, costurar uma meia furada, marcar uma bainha, lavar tecido que mancha com sal pra não sair tinta, usar vanish (salvador de todas as manchas), esticar um lençol, escolher um vinho, organizar um jantar, organizar vidas, rotinas... ah, pelas barbas do profeta... Sei usar os talheres de fora pra dentro, dizer obrigada, por favor, com licença e lavar as mãos. Não me falta finesse, me falta mesmo a frescura! Sou eloquente, despreocupada, um pouco irascível, um tanto sagaz. Não faço drama e tenho plena consciência do tanto que é complicado me entender. Mas isso não tem a menoooor importância, não quero mesmo ser entendida, nem explicada, isso até me irrita. Muito me irrita!

Eu gosto de comer com as mãos, fazer farelo e lamber os dedos. Amo correr de meias e deixar escorregar sem querer algum palavrão da boca. Encoxadinha na pia da cozinha? Adoro! Passar a mão na bunda na caixa do super? Ah, por favor, finge que ninguém viu. Agarramento na fila do sorvete, não curto, quero meu sorvete. Beijos de cinema na frente da família, odeio.

Não dá. Vida de mulherzinha pra mim, não acontece. Não nego minha feminilidade, adoro uma fofoquinha, um filme melosinho. Sou bem favorável a cuidar de filho, casa, marido, família, trabalho e animais de estimação! Só que eu curto esquecer os limites, trocar o rumo no meio do caminho, sair com esteira e canga dentro do carro e acabar na Serra. Esposinha, nunca serei. Gosto de levar café na cama e levar a toalha limpinha no banheiro. Mas sorrisinho amarelo de sim senhor, blá blá blá demais, frescurinhas, nem a pau. Gosto de falar o que penso e o que eu sinto, assumir o que eu fui e dizer o que eu quero, ter história, tomar pilequinhos em casa, mudar a cor das paredes, zanzar escabelada como uma louca e gritar quando a pilha de roupas do armário tenta me atacar pela manhã. Sou assumidamente inoportuna. Sou assumidamente desmedida. Invento teorias malucas e regras pra não cumprir e cobro credibilidade! Gosto da parceria, do entendimento pelo olhar, ou que pelo menos o olhar me diga “eu não tenho a menor ideia do que vai acontecer agora, mas ok”. Sou inquieta por fora e calminha por dentro.

Gente chata me cansa e parentes chatos me dão náuseas! Ah, ficar de cara feia e dizer que não foi nada, também não dá. Objetividade é ouro nessa vida, tempo é uma coisa que eu não tenho pra perder. Sou dinâmica, benhê. Não confundam – por amor a todos os santos – com frieza ou indiferença. O amor é outra coisa.

Afe e as mulherzinhas... tudo que querem é um maridinho. Casamento não é só uma cerimônia, não é levar um anel na mão esquerda.

Que lindo.
Adoro quando a mulherzinha vem e me pergunta: e tu? Não vai tomar jeito na vida?

Ora bolas, madame, vá a senhora tomar bem no meio das pregas!


Verdades verdadinhas da semana:
 
Algumas pessoas falam em loop.
 
The love is in the HAIR. (tem graça na terceira garrafa de vinho, juro)
 
"Fico impressionado, tu é tão..."
(eu esperando o maiooor elogio do mundo) "Magrela".  #quiiibooom
 
"E também é tão..." (ah, maravilha, ele vai emendar e se salvar de arder no fogo do inferno dos trouxas)
"... tão longilínea!"
(Alô, Capeta dos Trouxas, entrega especial!)
 
 
 
- Tu comprou uma máquina de costura?
- Siiiim!!!
- Pra quê?
- ... passar café! (besta)
 ****
 
- Mas tu gosta dele?
- Amo!
- E ele gosta de ti?
- Com certeza, me ama!
- E por que vocês não estão juntos???
- Acredita que não é o suficiente?
- Não.
- Ótimo!
 
****
 
MUSIQUINHA DELICINHA
 
Quando eu te vejo



Espero teu beijo


Não sinto vergonha


Apenas desejo






Minha boca encosta


Em tua boca que treme


Meus olhos eu fecho


Mas os teus estão abertos






Tudo bem se não deu certo


Eu achei que nós chegamos tão perto


Mas agora com certeza eu enxergo


Que no fim eu amei por nós dois






Esse foi um beijo de despedida


Que se dá uma vez só na vida


Explica tudo, sem brigas


E clareia o mais escuro dos dias






Tudo bem se não deu certo


Eu achei que nós chegamos tão perto


Mas agora com certeza eu enxergo


Que no fim eu amei por nós dois






Mas você lembra!


Você vai lembrar de mim


Que o nosso amor valeu a pena


Lembra é o nosso final feliz


Você vai lembrar...


Vai lembrar...sim...


Você vai lembrar de mim.






Esse foi um beijo de despedida


Que se dá uma vez só na vida


Que explica, tudo sem brigas


E clareia o mais escuro dos dias






Tudo bem se não deu certo


Eu achei que nós chegamos tão perto


Mas agora com certeza eu enxergo


Que no fim eu amei por nós dois






Mas você lembra!


Você vai lembrar de mim


Que o nosso amor valeu a pena


Lembra é o nosso final feliz


Você vai lembrar...


Vai lembrar...sim...


Você vai lembrar de mim.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

camisola de matar marido

- Agora chega! Sou bem grandinha, é hora de ter uma camisola! – Decretei sozinha no quarto ao me deparar com a cena no espelho. Eu de camisa xadrez de flanela, meias listradas e pantufas de pé de monstro com direito a garras, com uma xícara de chá na mão.

 
- Deprimente! Tenho 30 anos, nem minha vó de 80 e muitos deve se vestir assim pra dormir! Amanhã compro uma camisola. É isso ou a vida!


Minha gata, em cima da cama, apenas virou as orelhas pra trás e continuou procurando o melhor lugar em cima do travesseiro. Já estava acostumada com as minhas decisões noturnas, promessas não cumpridas, teorias infundadas, confissões pro espelho e principalmente comigo naqueles trajes.


Eu estava convencida, dessa vez era sério. Eu que amo ficar sozinha, me agradar, me paquerar, aproveitando o máximo da minha privacidade, no auge do isolamento e egoísmo que beira à ignorar o mundo, dei de cara com uma baranga!!! Pior só se eu usasse rolo ou passasse uma nhaca verde na cara.


Saí do trabalho e rumei ao shopping na hora do almoço. Numa vitrine encontrei ela: uma camisola de matar marido!!! Siiiim!!! Era ela. Comprei, nem experimentei, já conheço meu próprio tamanho. Pedi pra embrulhar pra presente! Yeah... uma camisola e da-que-las. Fui pra casa, levei meu pequeno rebento pra aula, contei da camisola, ele não deu muita atenção. Voltei pro trabalho. Tinha planos pra noite: depois da aula de fitball, banho, muitos cremes, vinho, camisola nova e cama... com uma taça de vinho e um livro. Ou um filme. Ou um nada. Basta a camisola, o vinho e eu.


E lá estava eu, depois do banho, enrolada numa toalha, admirando a desembrulhada camisola em cima da cama. Preta, de cetim, alcinhas muito finas, curtinha, com rendas no busto e na barra. Não muitas, porque me pinicam!


Cremes pra lá, cremes pra cá, camisola e vinho. Cama.


Ainda olhei as meias listradinhas na gaveta e cogitei colocá-las. Resisti. Tenho pés frios, mas o vinho, a gata ou o cobertor que esquentem.


Levantei da cama fui me olhar no espelho. A camisola é mesmo muito bonita... o cetim é uma graça, o corte, o caimento, a renda... é linda. Curtinha na metade da coxa. Eu estava muito bem dentro dela. Mais feliz do que se estivesse dentro de um Mustang! E eu de camisola, com uma taça de vinho na mão, merecia passar um rímel, ainda que fosse para dormir. Passei! E um gloss. Passei. Quanta volúpia!


Voltei pra cama. Camisola, vinho, rímel, gloss, vinho. Senti-me ridícula por segundos, mas só até fechar os olhos e sentir o carinho que o cetim faz na pele. Tipo do carinho que combinava com o meu Merlot, já na metade da taça. Eu merecia ouvir Chico Buarque. Levantei da cama, fui até a bolsa procurar o pendrive com a seleção de músicas do Chico. Mais uma olhada no espelho.


Realmente, uma camisola digna de matar marido. Diria que o marido morreria bem feliz e contente, aprovando a camisola.***


Olhei no espelho: eu de frente, de lado, de costas... que maravilha. Olharia mais duzentas vezes. Voltei pra cama. Chico Buarque, vinho, livro novo, camisola, muitos cremes, rímel, gloss, a gata companheira, quase um paraíso! Mas não conseguia relaxar, não dava pra ficar à vontade. Tentei dormir, virei pra lá, virei pra cá, melequei a fronha de rímel, de gloss e nada. Nem era falta de sono, alguma coisa estava incomodando, não me deixava relaxar, como criança que se lembrou do tema de casa que não fez.


Sentei na cama.


Tem alguma coisa errada e é essa camisola de matar marido!


Não adianta, é linda, é gostosa, é macia e sexy, mas a bunda da pessoa fica gelada!


Levantei da cama, tirei a camisola, vesti a camisa xadrez, as meias listradas, me olhei no espelho com o rímel meio borrado e um resto de gloss: uma baranga. Uma baranga que vai dormir quentinha e feliz!!!

(*** Nota da autora (sim, eu mesma!): sempre escrevo que unhas vermelhas me deixam impulsiva, descobri que a tal camisola me transforma numa potencial assassina de maridos. Por sorte - dos maridos - não casei.)
 

E o que eu ouvi:

Quando você me deixou, meu bem,

Me disse pra ser feliz e passar bem.

Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,

Mas depois, como era de costume, obedeci.



Quando você me quiser rever

Já vai me encontrar refeita, pode crer.

Olhos nos olhos,

Quero ver o que você faz

Ao sentir que sem você eu passo bem demais



E que venho até remoçando,

Me pego cantando, sem mais, nem por quê.

Tantas águas rolaram,

Quantos homens me amaram

Bem mais e melhor que você.



Quando talvez precisar de mim,

Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.

Olhos nos olhos,

Quero ver o que você diz.

Quero ver como suporta me ver tão feliz.

(olhos nos olhos é uma das músicas mais fodásticas pra mim!)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

o zodíaco, por mim mesma

Eu nunca acreditei muito nessas histórias de signo, até 2003. Horóscopo e previsões até hoje não leio, não levo a sério, uso pra fazer brincadeiras sobre o meu dia. PORÉÉÉM, em 2003, caiu nas minhas delicadas mãos cheias de dedos, e em frente aos meus olhos cheios de curiosidade, uma descrição da personalidade da pessoa de aquário. Era eu. E mais, uma descrição de uma pessoa de capricórnio. Era a minha irmã. Corri pra descrição do signo de touro – pessoa que mais tarde seria meu namorado – foi batata! Comecei a acreditar um pouquinho. Li todas as descrições de todos os signos e ficava tentando decifrar nas pessoas algumas das características e não é que MUITAS coisas batiam?



Mais tarde me apresentaram um livro chamado NASCIDO NUMA DROGA DE DIA. É perfeito.



Desde então acredito sim que os signos têm influência na personalidade das pessoas. Não que sejam todas iguais, mas que alguma coisa tem... Tem. Tem sim.



E isso tem muito a ver com a maneira como as pessoas se relacionam comigo, ou eu com elas. O que eu vou explicar agora são as MINHAS impressões, não tirei de lugar algum, é como eu vejo, identifico e sinto as pessoas. Como me engano com elas também!



Ah, não tem ordem alguma.

Ah, o único objetivo é a diversão.



AQUÁRIO

Pra mim, é um signo divino! Já disse aqui várias vezes que eu sou uma aquariana típica, com a cabeça lá na frente, com jeito estranho, destemperada, inesperada e descuidada. Mas não é sobre isso que eu vou falar, isso todo mundo sabe. Amo aquarianos. Adoro ficar perto de vários, o único problema de juntar mais de três é explodir alguma coisa, ou alguém... Aquarianos são divinos. Não incomodam, é só manter a caixa de areia limpinha e colocar água no pote. Preciso só fazer uma confissão, às vezes, alguns aquarianos me deixam desconfortável, porque parecem que já me reconhecem como aquariana. Não que eu tente esconder isso, mas é meio E.T., fazer uma comunicação por telepatia, não sei. Xô, sai da minha mente.



ÁRIES

É meu ascendente. E signo das pessoas que combinam comigo pra sentar numa mesa e conversar horas a fio sobre qualquer coisa. Arianos são filósofos: Clá, Tavares, Zé... Eles criam, discorrem, miram um alvo. Gosto da objetividade. Diz se quer, diz se gosta, manda longe, quebra os pratos. São desconfiados. Nunca consigo fazer amizade no banheiro com uma ariana... São o tipo de pessoa que demoram pra gostar. Pra desgostar não, isso é rápido. Eles têm um dom de não se enganar com quem não gostam. É como se colocassem as pessoas em dois estágios: NÃO GOSTO e LIMBO. Do limbo tu vais pra DEFINITIVAMENTE, NÃO GOSTO ou GOSTO. E é melhor que um ariano goste de ti, porque o gostar do ariano é fabuloso.



TOURO

Ah, esses guampudinhos. Tu estás num grupo de pessoas, daí todo mundo combina de passar o domingo na praia, bate e volta. O taurino não vai. Domingo é dia do churrasco do pai, quando a mãe faz a maionese, a irmã mais nova arruma a mesa e ele corta o pão com alho pra enganar o estômago da família. É assim que eu reconheço. A pessoa que fala demais na família é o taurino. ALÉM disso, eu os acho atraentes, charmosos, mas invariavelmente – e isso é sérios – eles guardam uma sombra no olhar. As pessoas de touro sempre – SEMPRE MESMO – têm um baú do passado do qual não conseguiu ainda se livrar ou organizar, ou colocar pra fora. É bem assim sim. Não conheço um que não tenha uma coisa mal resolvida, mal explicada e que seja desapegado dessa coisa. Lá pelas tantas o bovino vomita em ti um montão de verbos conjugados no pretérito mais que totalmente imperfeitos e tu entende um tantinho a mais do que se passa agora.



CAPRICÓRNIO

Temos problemas. Juro. Moro com uma. Eu me dou muito bem com a minha irmã, mas ela tem o que me irrita em todos os outros capricornianos que eu conheço. “Come mais um bife, tu ta tão magrinha. Tu deveria pintar as unhas de outra cor, de novo vermelho! Liga pra Fulano. Não bebe água do bico. Coloca um chinelo. Usa cinto, olha essas calças caindo! Vou programar teu ar condicionado pra 25 graus.”Capricornianos mandam. E querem mandar em mim. Não contentes em mandarem, vááárias vezes fazem uma tempestade de porquês pra tu responderes. Por quê? Porque querem argumentar, ouvir o que tu vai dizer e contrariar, pelo prazer de discutir. Nem é o que eles pensam, mas se tu disseste A, ele vai dizer B. Temos problemas, basta.



LIBRA

É o que quer não querendo. Rei dos contraditórios. Tu pisa na bola com ele. Ótimo, ele não te puxa as orelhas, não faz nada, parece que nem ligou. Mas tenda daqui a 30 anos fazer qualquer outra bobagem, a pessoa vai lembrar daquilo e vai colocar na mesa. Durante 30 anos, eles guardam. Tirando isso, são sensatos na maioria. Me dou bem com vários, a gente sabe rir juntos e não se cobra nada, nem amizade, nem companhia. Quando eu sumo da vida do libriano, posso voltar séculos depois que vai ser tudo igual, mesmo amor, mesmo carinho, mesmo cuidado. O tempo entre nós não passa. Exemplo disso? Piba, Salton, Mila, Loira, Gordo. A credibilidade, a confiança, a amizade nunca some ou diminui, mesmo com as nossas ausências. E não nos cobramos nada.



VIRGEM

Não vivo sem um. Aliás, quanto mais, melhor. O virginiano sempre vai me render boas histórias. O primeiro virginiano que eu conheci foi meu avô, foi ele minha cobaia de identificar as características. Virginiano é o que sempre diz É MEU. FUI EU. São uns pavões, orgulham-se do que têm, do que fazem. Eu acho o máximo! Adoro quem valoriza o que tem. Um virginiano é organizado, metódico, pensa no que vai fazer, se estrutura antes, são quase frios e calculistas. O crime perfeito deve ter sido praticado por um virginiano. Eles amam o que têm e querem ter mais. Ah, a ambição virginiana... é uma delícia. Meu Fido Duca é virginiano, Jana também, meu primeiro amor era. Era não, até onde eu sei, não morreu. Alguns amores depois dele também foram. Foi com ele que aprendi a olhar um virginiano sempre com o canto do olho. Pode até ser fácil adivinhar o que um virginiano pensa, mas o que ele sente... bem complicado. Fido já mostra isso, mesmo com 2 anos, por isso tento tanto conversar com ele, fazer ele verbalizar.



PEIXES

Esses eu reconheço fácil! São os que eu quero colocar no colo e encher de beijos, de mimos e de dengos. Está escrito na testa deles: OPEN. Aberto a quê? Qualquer coisa que envolva carinho, qualquer chamego. Eles querem ser únicos, querem ser colocados no topo do mundo, número UM na lista de prioridades. Nunca namorei um pisciniano. Eles têm mania de amar esporte. Nunca namorei, mas já tentei conquistar um. Ele me levou pra correr na praia, em Capão Novo.

Eu: puff puff puff Chega? Podemos tomar um sorvete? Puff puff puff

Ele: Sorvete? A gente não correu pra tomar sorvete! (nem suando a pessoa estava)

Eu: Certo puff puff puff Então paramos pra tomar uma água? Já corremos todos os quilômetros do mundo!

Ele: Recém foram três, mais sete e a gente pode fazer uma pausinha.

Eu: Vou parar... puff puff puff

Ele: Precisa tomar um ar???

Eu: Não, vergonha na cara mesmo!!! puff puff puff



SAGITÁRIO

Sou bipolar com eles. Eles são bipolares com o mundo. Amo os sagitarianos, eles também me amam. São espertos, ativos, hiperativos, mega ativos, parceiros e companheiros pra qualquer invenção ou indiada. MAS – sempre tem um mas – não sabem o que querem. Têm um talento pra começar uma coisa e largar por ali, mudar daqui pra lá, não segui uma linha, não acabar um raciocínio. Metralhadoras!!! Inventam coisas que, em geral, não vão dar certo. Querem fazer tudo ao mesmo tempo e acabam derrubando uma coisa aqui, outra ali. Heeey, pra isso já sirvo EU. E o mau humor? E a rabugice? Bah, sou muito fã!!!



LEÃO

Muita calma agora. Tenho muito o que falar sobre leoninos. Esses eu conheço pelo cheiro, pelo cabelo rebelde, pelo olho. Um leonino e eu somos complementares, côncavo e convexo! Tenho gostos musicais e literários atípicos, um leonino também terá, vamos gostar das mesmas coisas, ter mesmas manias, por motivos diferentes. Somos assim, complementares, não tenho outra palavra pra descrever. Se eu chegar num grupinho de pessoas, é o leonino que vai grudar em mim. E eu vou grudar nele. Somos imã e ferro. Nós vamos colar um no outro!!! Vai me estudar, me analisar, me cheirar, revirar meus bolsos. Desperto curiosidade no leonino. Nunca namorei um leonino, sempre fico tão amiga, que não tem como. Viramos quase sócios!!! Sempre olho os leoninos nos olhos, vejo energia. Adoro leoninos, meus queridinhos! Vocês me apaixonam! Vamos dominar o mundo?



GÊMEOS

Se eu não fosse aquariana, talvez eu fosse geminiana. São umas incógnitas pra mim, não sei definir de um jeito só. Mas sei que combinamos na nossa liberdade, na não cobrança e no quesito tanto faz pra tanta coisa. Adoro cansar os geminianos com as minhas explosões mentais. Pessoas de gêmeos são bem zens. Vivem num mundo espiritual deles. São difíceis de apaixonar, mais ainda de amar. Sabem apreciar um vazio, não têm medo de assumir pequenos medos, só os grandes. Eu me dou bem com as pessoas de gêmeos, rimos juntos!





CÂNCER

Convivo com um desde antes de nascer: meu pai. Mimado. Os cancerianos eu reconheço por isso, são mimadinhos sempre, gostam disso. A gente tem que fazer as coisas do jeito deles: horários, dias, métodos. Pra mim, que sou uma bagunceira, isso é ótimo! Preciso sempre de um canceriano por perto pra me manter na linha. Eu adoro dar muito amor pros meus cancerianos, all you need is LOVE! O canceriano vai ser aquele que vai atender o telefone as 5764564 vezes que eu ligar pra perguntar se ta tudo bem, pra dizer que vai chover, pra perguntar se prefere azul ou verde, pra lembrar de comprar queijo. Mas o que ele quer mesmo é que eu ligue só pra dizer EU TE AMO.



ESCORPIÃO

Eu vou pra qualquer lugar com alguém de escorpião. Vou aguentar o veneninho, a falta de sutileza, a sinceridade excessiva, as farpas. As pessoas de escorpião topam o que eu invento, sem piscar. MAS – mais um mas – são tão ciumentos, tão possessivos... Sim, estou falando dos amigos!!! São meus doidinhos favoritos, mas ficam bravos de verdade quando eu sumo. Não fiquem, eu sou assim, vou e venho. Ah, eu reconheço os escorpiões por isso, pelo ciuminho. Paranóicos. A gente se xinga e depois se lambe!


Ps. trago seu amor em 24 horas.


sábado, 2 de outubro de 2010

tinta

Dou risada. Sim, preciso. Não me resta outra alternativa, tenho que dar risada. Dessas coisas bobas, dessas coisas da vida, dessas voltas que o mundo dá e dessas gentes que ainda tenta me entender, rotular e explicar. Dou risada, não dou explicação. Me levam no máximo um sorriso, enquanto faço um gesto batendo as pontas dos dedos da mão esquerda nos da mão direita. E suspiro.

Não guardo rancores, nem na caixa de e-mails.

Se é por preguiça, se é por comodismo, não sei. Justifico por evolução, mas não sei explicar. Não sou partidária de me incomodar ou passar trabalho pelas coisas idas.

Mas a mágoa não passa instantaneamente, nunca disse isso. Jamais vou negar que sinto ou senti, só digo que ela passa. E por tê-la sentido – e não é a sensação mais agradável do mundo – eu não guardo rancores.

Eu sou flexível, adaptável, maleável, sou tantas sem me desabitar. Alimento meus gostos e meus desgostos e lambo as minhas próprias feridas. Poucas coisas exigem tamanho autoconhecimento. Saber onde aperta o sapato é mais complicado do que saber do que se gosta. Onde dói? O que te faz sangrar? O que te faz ter sangue nos olhos?

Vou ser mais ousada, vou dizer que me sinto bem viva quando encontro o que me incomoda. Fico bem por não guardar, o que a gente guarda, volta, já me disse um sábio. Administrar a frustração é uma arte, mas não é uma obrigação. Não guardar é assumir, é ser sincero pra si. Cada um encontra seu jeito de ser sincero e assumir suas frustrações, encontra um pouco mais de liberdade. A liberdade de se conhecer e de poder ser o que é. Por isso, não tentem me entender, me rotular, me criticar ou apontar pelas minhas atitudes... vou continuar rindo e suspirando.

Não interessa o tanto de mágoa que houve, o tamanho da frustração ou decepção. Doeu. Foi ruim, como a maioria dos finais é. Foi necessário, como todos os finais são para que possam ter começos.

Não se pode viver dentro de uma armadura. Isso é falso, não é humano.

É como se nós tivéssemos uma tela em branco na frente, podendo pintar o que quiser, podendo pintar a paisagem mais bonita, o retrato mais perfeito. E a tela continua em branco. Por quê? Porque só foram usadas cores claras, só o branco. Apenas as luzes, sem sombras, não há o que dê profundidade, não tem definição do que seja horizonte, fundo, frente, nada. Sem luz, sem sombra, sem contrastes, sem história.

Eu quero usar todas as cores enquanto pinto a minha história. Quero olhar pro meu quadro e apreciar a obra inteira, com orgulho de cada pincelada, com orgulho de cada borrão.

Free



We could let this love be the fading sky
We could drift all night until the new sun rise
Pass me a drink or maybe two
One for me and one for you
And we'll be
Free, Free
Free, Free
Here comes corner winds and the changing' tide
We better drop them sails and get inside
When will the weather ever let us go
I guess we'll have to wait until the trade winds blow
When we'll be
Free, Free
Free, Free
There's nothing in between
What we are, what we see
There's nothing in between
What we are, what we see, what we are
We are just
On a life boat sailing' home
With our drunken hearts and our tired bones
Well I just take one last look around
Yeah an' every place feels like a familiar town
And now we're
Free, Free
And don't you wanna be
Free
From time to time a little
Free
Hey now now
Free
I know you know your
Free
Feels so good to be
Free