terça-feira, 30 de novembro de 2010

carta ao tempo

Querido tempo, eu sei que a nossa relação é um pouco estranha, mas de um modo geral nos damos muito bem. Eu finjo que tu não passas, como faço com outros moços, tu finge que eu não existo Quando queres me provocar, aperta, me fazendo ter pressa. Eu implico com as tuas demoras, que juntam segundos em segundos, transformando em horas, quando preciso de tudo rapidinho. Eu sou impaciente, bato com a ponta dos dedos do mínimo ao indicador, várias vezes, sempre que tu me desapontas.

Eu me irrito contigo quando eu peço pra parar e tu segues, quando eu te quero logo e tu estás calmo, quando preciso que sejas meu amigo e tu resolves ser meu carrasco. Tu levas quem não pode, traz quem não deves.

Contrariar-me é teu esporte favorito.
Eu costumo funcionar mais acelerada do que tu. Preciso de tudo pra ontem. Adoro premeditar o meu amanhã, enquanto tu insistes em ser religioso na tua pontualidade. Nunca entendi essa tua mania de só trazer amanhã quando hoje acaba, e a minha pressa? Nunca posso comer mais uma fatia de ontem! E quando tu resolves invadir o meu hoje com o dia seguinte? Quero resolver agora as minhas dúvidas sobre daqui a pouco, para já formular mais interrogações. Para não ter mais soluções. Preciso empilhar a baderna, criar confusão, promover a desordem e tu, tempo, não me ajudas. Dizem que o tempo cura. E eu quero que não cure. Dizem para dar tempo ao tempo. Eu morro! De tempo em tempo, passou a vida. E eu não te perco, jamais.

Eu só uso relógio pra combinar com meu lenço, hoje marcava sete horas enquanto eu almoçava, marcava a mesma hora quando acordei, marcou a mesma hora o dia inteiro. Não faz mal que não tem pilha, eu não ligo. É tão decorativo quanto um anel.

Tempo, tu és muito cronológico.

Um dia, precisamos parar os dois e acertar nossos ponteiros.

Beijos, da tua, Kuky.

P.S.: Um dia, eu te contarei um segredo!!!
 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

de volta

Apenas a despedida premeditada, inevitável - e que cumpre seu período de aviso prévio - permitirá termos a certeza de qual vai ser o último beijo, o último abraço e a última música. Dos fins que eu conheço, nenhum foi obediente. Faltou aquele que saiu exatamente como o planejado. Não tenho finais organizados. Eles são feitos de improviso. As minhas despedidas não tiveram tchau, nem a cena típica do adeus no porto, o aceno com o lenço branco emoldurado pelo sol se pondo, avermelhando o céu. Eu perdi dentro de mim a memória de quase todos.

Eu sou boa em perder as coisas. Chave do carro, chave de casa, tampa de caneta, marcador de página, tarraxa de brinco, envelope, moedas, tic-tac, razão, lápis de olho, auto-bilhetes, pendrive, nota fiscal, botões, oportunidade de ficar calada, pequenas manias, momentos e um pouco de tempo, já perdi tudo isso. Costumo semear meus pertences pelos quatro cantos do mundo. Mas esses dias eu perdi uma coisa que me deixou meio preocupada, não foi a primeira vez. Perdi eu mesma. Sim, consegui de novo.

A velha tática de largar as migalhas no caminho não funcionou. Quando a gente quer se perder, até a própria estrada ajuda. Fui conscientemente perdida. Abandonei-me à própria sorte. Nem fiquei preocupada com o que havia pela frente. O trajeto já era conhecido, o que tinha de novo eram as pedras do caminho. Alguns buracos foram tapados, novos foram abertos e eu torci meus tornozelos em vários deles.

É sempre assim quando a gente visita a casa onde já morou.

O que já foi dito está pichado na parede de cada cômodo. As fotografias perderam as molduras, os risos ficaram reais, os toques eram macios, os beijos molhados e meus cabelos emaranharam  de verdade.

Dentro do balde, o gelo derreteu, a garrafa ficou vazia, a música era repetida pela quinta vez, anunciando a hora de se encontrar.

O caminho de volta se desenhou sozinho - nada lôbrego como previa – eu me achei. Nada nublou, a chuva não choveu, sem tempestades ou vendavais. Guardei o furacão para mais tarde. Usei apenas a brisa. Fechei o vidro do carro em uma sinaleira com medo que alguém invadisse pela janela tudo aquilo que eu pensava. O sinal abriu e eu segui.

É uma grande verdade que nunca se vem igual ao que se foi. Do meu baú de guardados, umas peças foram desguardadas. Elas não estão atravancando a passagem, nem viraram peça de decoração. Estão organizadas dentro da nova decoração. O que fazer não é um problema. Quem vê de fora pode achar um caos. Pode até ser, mas é tão bonito.

O caos é lúdico. Eu só sei crescer dos meus antagonismos. Sem conflito, não abro o olho pela manhã!

Qualquer erro é bem-vindo. Qualquer medo é justificável. Viver ainda é a minha escolha. O sossego me dá apenas saudade. Os pequenos enredos me fascinam.

Eu sigo tocando fogo no paiol e apagando a conta-gotas.


Sim, querendo credibilidade.

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2003 continua bem legal!

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- Que diferença isso faz? Amor não tem passado.
- Tem sim.
- Tem nada. Amor é substantivo atemporal!
- Mas amar é verbo... transitivo ou intransitivo?
- Hmmm, vem transitar aqui, mais pertinho e descobriremos juntos!

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PLEASE BABY DON'T
(John Legend and Sergio Mendes)

Please baby don't (baby don't)


Don't fall in love with me

Please baby don't (baby don't)

You know my history

See honey I (honey I)

I'm just trying to warn you (let me warn you)

Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me



I've been cruisin down this road for a while now,

I should tell the truth...

Girl you've been so good to me but I know

I'm no good for you

You should run while you can

Find yourself a better man

'Cause I'm known for brief romance

And breakin hearts across the land



Yes I've been known to have a few temptations

Out there on the road

And let's say hypothetically I've slipped and

Took a couple home

Girl I know that's not fair

You need someone who'll be there

So just get away before it's too late

And you're pain is too much to bear



Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me

Please baby don't (baby don't)

You know my history

See honey I (honey I'm)

I'm just trying to warn you (let me warn you)

Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me



[Rhodes piano solo]



Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me

Please baby don't (baby don't)

You know my history

See honey I'm (honey I'm)

I'm just trying to warn you (let me warn you)

Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me



Now on second thought maybe we'll give

This love another try

'Cause I can't see you with no one else

I'm selfish I can't lie

So let's go, let's go slow

You know all you need to know

It could end one day but

Let's just say we'll see how far it goes



Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me

Please baby don't (baby don't)

You know my history

See honey I'm (honey I'm)

I'm just trying to warn you (let me warn you)

Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

dona do mundo

Da série revividos, parte II.
Este foi publicado em 2007.
Dei uma arredondada nas arestas e nada conseguiu ser mais apropriado pra hoje. Se eu fosse escrever algo desde o início, seria exatamente isso!

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Hoje não há tédio, nem há o que tire o sorriso do meu rosto. Determinei suas desinvenções.
 
Hoje eu faço questão de ser, acima de tudo, na frente de todos. Ser por mim e pelos outros. Ser por qualquer um. Então, hoje eu sou tudo aquilo que eu sempre fui e um tantinho mais do que eu vou ser qualquer hora dessas...

Resolvi ser hoje o que eu acabo de inventar. Daqui a pouco posso ser diferente.

Hoje eu estou disponível pra qualquer brincadeira, estou fácil, enérgica, bem faceira. Quero TUDO e quero AGORA.

Hoje eu dou a vida, eu escrevo a história. E hoje eu vou fazer sol até de madrugada. E hoje eu não páro, não vou pagar as contas, não vou dar satisfação. Hoje eu me elegi - por unanimidade - dona do mundo, da verdade e do que mais eu quiser. Vou parar o trânsito e rir, vou caçoar do triste e beber algum vinho doce e barato. Hoje eu não levo doses, vou de garrafa inteira. Vou sair um pouco do meu umbigo, prender o dragão que guarda meu castelo, mas vou ser incompatível.

Hoje acordei meio insensível. Vou ser intocável, intangível, invisível, mas só um pouquinho. Hoje eu vou plantar a rebeldia, semear a ventania e voar as tranças. Hoje estou rindo na cara do perigo e o medo tem medo de mim. Hoje eu vou mais, eu perco menos e posso até dizer sim.

Hoje eu vou profanar, vou difamar, vou mentir com cara deslavada, vou dizer que amo só por esporte. Não vou medir as palavras, não vou contar os segundos, nem as calorias. Resolvi poder mais e não pagar imposto por isso.

Hoje eu vou dar mais trabalho.
Hoje eu estou impossível.

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EM VEZ DE MUSIQUINHA, CONVERSINHAS COM A MINHA IRMÃZINHA:

Rena: Que barulho é esse???



Eu: Vacas!!!


Rena: Não, parece tosse... lá fora!


Eu: Vacas gripadas, no frio da rua... tossindo, coitadas!


Rena: Manaaa, vacas não tossem!


Eu: Como assim?!


Rena: Por que tu acha que as pessoas falam "nem que a vaca tussa" ????


Eu: Preciso fazer umas ligações... avisar uma galera que elas não podem mais tossir...


*risinhos*


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Eu: Rena, me dá um beijo?!


Rena: Agora não dá, tô estudando...


Eu: Posso te dar um beijo?!


Rena: Tô estudaaaaaando... pára!


Eu: Se eu te der um beijo tu vai estudar melhor, mais feliz, mais contente, animada, se sentir amada, as id...


Rena (meio brava!): Tá! Chega! Me beija e some... Vê se não baba!






SMACK (beijei e babei)






Eu: Não limpa, é a baba da sorte. Se limpar vai tirar nota baixa na prova...






Saí do quarto e deixei a guria no dilema...


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De todos os seres vivos que eu amo incomodar, nada se compara a uma irmã mais nova!!!


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Rena: Acho que tu tá com dengue...


Eu: Não é dengo??? Tem certeza???


Rena: Melhor não arriscar, passa longe das aspirinas...





O resto da conversa tomou rumos impublicáveis, mas se vejo uma aspirina, corro!

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

paso de piedra 2005 malbec

Da série revividos.
Era uma vez um fotolog. Daí acabou. Fim.
Não, não fim. Resolvi resgatar de lá os textos que eu gosto e postar aqui... Então este é o primeiro, porque foi por causa dele que eu resolvi fazer o blog.
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Têm várias coisinhas no mundo que me irritam. Não são irritações sérias, mas são as coisinhas de pensar: por que isso existe? Por que ser assim? O mundo seria melhor sem isso. Que feio...

Por exemplo, pra que mexer comigo quando eu estou tão quietinha e querida no meu canto? Depois reclamam... Adoram colocar a culpa em mim. Choveu? Culpa minha. Sol de rachar? Culpa minha. Subiu a gasolina, caíram as ações, acabou o papel higiênico? Culpa minha. Ah, mas eu vou conta um segredo, pasmem. Nem tudo no mundo é minha culpa, por mais que isso agrade algumas cabecinhas. Lamento. Legal, vamos aos poucos, são muitas informações. As coisas funcionam mais ou menos assim: ando eu bem despreocupada por aí, interessada só em ser eu e fazer (bem feita) a minha parte – aliás, bem feito pra quem não faz! E levo a bronca por desamores, desafetos e desilusões que não me pertencem? Na na ni na não. Frustrações não são bem-vindas na minha quota anual de culpa.

Estou benevolente, então vou ajudar a trilhar uma vida feliz, seguindo as pedras amarelas de Dorothy pelo mundo de Oz: às vezes, não em todas, mas na grande maioria das situações sentimentais, não interessa o quão bacana a pessoa seja, tente ser, finja ser, interprete, faça de conta ou sei lá o quê... não vai mudar o comportamento do outro. A pessoa que está do nosso lado, age com a própria cabeça e pior – pior sim – com o próprio coração. Então não adianta fazer isso ou aquilo pra ser amado, não adianta ser fantástico pra não ser feito de besta. Se o “par”quiser, se der na telha, F@%&*... Não adianta. O que é importante nessa história toda: fazer o “par” enxergar o valor que tu tens. Bom, se não tiver valor algum... complica. Hoje é o dia da benevolência, não dos milagres. Ligue novamente e consulte o departamento de agenda!

Eu acredito sim em mudança. Acredito que alguém mude da água pro vinho. Acredito que um cretino de pai e mãe se converta num cara perfeito, ou quase isso. Um exemplo é meu cunhado (ele vai me matar por isso!), que era o maior falcatrua do mundo inteiro e hoje é um namorado fabuloso pra minha irmã. São um dos casais mais perfeitos que eu conheço. Eu mesma já mudei. Mas sabem quando isso acontece??? Quando a pessoa quer, por ela mesma, por decisão própria, por decidir fazer valer a pena. Por olhar quem está do lado e encontrar naquela pessoa valores suficientes pra querer fazer dar certo.

Nisto eu acredito.

Branca de Neve, eu te magoei? Deve ter acabado a benevolência. (por favor, mais vinho!)

Bom, pra isso, é óbvio que a pessoa precisa ter um “auto-conceito-de-si-próprio” minimamente bom. Por exemplo, eu tenho um ego tão grandão e inflado que às vezes nós dois não conseguimos ocupar a mesma sala. Mas isso é bom! Há quem reclame, eu ignoro! Brincadeiras à parte, é muito importante saber se valorizar. Ajuda a não implorar o amor alheio e não culpar o outro pelas próprias frustrações. Serve para não criar desculpas esfarrapadas pras idiotices que se pratica. Sofre? Ah, sofra mesmo. Tem motivo se não consegue viver uma vida sem procurar desajustar o que está se encaminhando. Em vez disso, por que não gasta o tempo vendo o valor que o outro também tem? Em vez de querer apenas ser notado, amado, idolatrado, salve, salve, por que não reconhecer a pessoa que se está junto? Isso ia economizar tanta besteira, tantos lenços de papel e DR’s. Odeio DR’s.

Não estou tentando parecer simplista. Só estou dizendo que saber que a pessoa que está ao meu lado reconhece o meu valor me deixa tranquila (saudade do trema). E fico à vontade pra poder reconhecer nela o valor que ela tem. Eu mudo e ajo diferente porque optei por isso. E assim o meu “par” muda e age diferente, porque quis e optou. É a minha teoria... cada um pode ter a sua. Podem até gastar rios de dinheiro em terapia. Eu prefiro escrever. E acreditar no que escrevo. Enfim, viva a diversidade dos relacionamentos. Ainda bem que é todo mundo diferente e que os cretinos se regeneram QUANDO QUEREM e quem nunca se doou resolve se doar. Ainda bem que se pode observar e optar por fazer valer a pena. Ainda bem que se é sempre igual e sempre diferente.

Por isso, não me culpem por qualquer insegurança. Não me culpem por ser de boa e não desprender energia com bobagem. E não culpe o “par”se tu não teve sensibilidade suficiente pra ver a pessoa que ele é. Se não optou por ele. Se não resolveu fazer valer a pena. Agora bola pra frente, um passo de cada vez. Caiu? Levanta. Triste? Vai passar. Acreditem em mim, pode não parecer tão fácil praticando, mas é seguro e saudável. Talvez seja a maneira mais sincera de lealdade também... a gente não pode moldar o outro como nós queremos que ele seja (por favor, mais vinho!).

(01.03.2010)
 
 
 
Hoje eu não quero poema, quero asfalto!
Não quero comédia, quero assalto!!!


terça-feira, 16 de novembro de 2010

mula sem cabeça

Nunca me queixei dos meus caminhos tortos. Nunca reclamei de ter que fazer o caminho mais longo entre dois pontos. Os passos a mais sempre me deram tempo a mais para pensar. Vou reclamar de pensar muito, então. Não. Não vou.

Em um desses caminhos, entre uma pedrinha e outra, depois de uma curva e antes de um buraco, esbarrei com uma belíssima incógnita. Uma grande dúvida, de olhos apertados, verdes, cílios longos, um beiçudo simpático. Eu que sou conhecedora dos meus devaneios, que assumo as minhas imperfeições e conheço as minhas inconstâncias, experimentei a sensação do mais completo vácuo. Aquilo que falam que falta o ar, que some o chão, que não se sabe onde está, é verdade, aconteceu. Durou segundos, mas aconteceu. Ah, mas não foi paixão, não. Foi susto. Naqueles segundos me faltou tudo. Talvez até a boca tenha caído. Nos meus vinte e tantos anos de vida nunca um ser tão belo havia me dado tanta bola. Um bolão. É... ele batia um bolão.

Era lindo demais, corpo perfeito demais, sorriso branco demais. Ele era demais demais e ainda por cima cozinhava.

Eu o conheci numa jantinha na casa de amigos, quando ele foi o cozinheiro, por isso sei que comandava as panelas como um padre experiente conduz uma missa de páscoa. O sabor da comida mostrava que quem a preparou era um alquimista. O alecrim namorava o vinho branco que compunham o risoto, o funghi tinha a textura ideal. Aquele prato era uma serenata para o paladar.

Além disso, ele era coordenado. Brincou de fazer malabarismo com o limão que usaria no tempero do salmão. Arrancou suspiros de mim e das outras vinte mulheres – acompanhadas ou não – que estavam no mesmo ambiente ao abrir uma garrafa de vinho, explicando que 2004 foi um ano muito bom para a safra de Merlot na Argentina. Oh, por favor, enche logo a minha taça, a qualidade do meu flerte é diretamente proporcional ao teor alcoólico do meu sangue!!! Depois da janta lavou todas as taças sem uma trincada. Fez a maior pontuação no jogo de dardos. Uau, eu tropeço em mim mesma caminhado, a motricidade não habita este corpo. Nunca habitou!

 

Eu olhava – bem de perto – e não achava defeito. Ele conversava comigo e eu nem prestava atenção. Este foi meu erro! Um infinito mar de palavras e eu mergulhada naqueles olhos verdes, me afogando nos sorrisos. Quanta perfeição...

Trocamos telefones, no outro dia ele me ligou às 8:30 da manhã dando bom dia, cantando sexual healing e tocando violão. Que lindo, pena que era domingo, eu não pretendia ir ao culto, mas sim dormir até às 10! Ah, já mencionei que acordo de péssimo humor? Lembrar dos malabarismos me fez superar o pequeno ódio que habitou meu coração. Cogitei ir ao culto, já que estava acordada. Precisava agradecer a cantada, era uma dádiva!

Passamos algumas semanas nos encontrando nas convenções de amigos, entre uma janta, um carteado, qualquer coisa sem motivo. Já era claro no nosso flerte, não, melhor, era escancarado, tanto que aparecemos juntos em um dos encontros e nem surpresa causamos. Ele foi me buscar em casa, no caminho falamos pouco, estava tocando Dave Matthews, é proibido falar enquanto ele canta, se não é, deveria ter lei proibindo. Sempre estávamos junto com a nossa multidão. Beijos e abraços entre nós dois, mas conversas, bobagens, brincadeiras entre todos. Era um namoro coletivo.

Em uma dessas noites ele estava muito calado, ou melhor, mais calado. Eu fui levar o cidadão em casa, mas antes quis tomar um sorvete. No estacionamento do drive thru, eu quis conversar sobre coisas da vida e filosofar sobre tudo e nada. Nada foi o que ouvi. Depositei o mudo na porta de sua residência como quem coloca um saco de lixo dentro do latão. Ainda abanei. Sem resposta.

E lá se foi uma semana sem notícias.

Até que ele ligou. Disse que gostava muito de mim, mas que havia lido as coisas que eu escrevia, prestado atenção nas minhas brincadeiras com os amigos, nas coisas que eu conversava, nos assuntos que eu tentava ter e que não dava mais para ter continuidade a nossa história. Uau, o que começou com uma cantada por telefone, acabou da mesma maneira. Preferia que fosse por e-mail, tem aquela coisa de ler várias vezes, ficar remoendo o fim. Lindo, coordenado, bom cozinheiro, gostoso e pouco criativo. Mas o que foi que eu fiz? A resposta foi muito inesperada: “sei lá, tu é muito inteligente, se ao menos tu pudesse fingir que é mais burrinha...”

Desliguei o telefone na hora.

Não entendi muito bem aquilo. Como assim? Ele queria que eu fosse uma porta de burra???

Na semana passada teve reuniãozinha da galera e a resposta é sim. Anos depois do fato nos encontramos, ele estava acompanhado da namorada atual. Se ela caísse de quatro, pastava o carpete! Não sei se era muito burra ou se estava se fazendo. Algumas vezes os grilos constrangedores do silêncio apareciam depois que ela falava. Todos se olhavam e alguém tentava salvar o assunto. Mas ela divertiu muito a brincadeira de mímica... E apesar dele ter sido o cozinheiro, no meu prato não tinha nenhum caco de vidro ou veneno, nem sequer um purgante – o que mostra que a falta de criatividade perpetua. Ele continua cozinhando muito bem e pelo jeito com grande frequência, porque deve estar pesando 300 quilos. Belo casal.



Já falei que eu sou vingativa quando levo foras inexplicáveis? E nas terças? E quando acaba o toblerone? Não?


Então botei foto em preto e branco, porque parece que dá maior credibilidade, né...

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Sexual Healing



Oh baby now let's get down tonight


Baby, I'm hot just like your oven


Well I need your lovin', and


Baby, I can't hold it much longer


No, it's getting stronger and stronger


And when I get this feeling


I need sexual healing










Sexual healing


It makes me feel so fine


It helps to relieve the mind


Sexual healing, is good for me


Sexual healing is something that is so very good for me










Couplet :


Whenever these blue tear drops are falling, oh no


And my emotional stability is leaving me


But there is something I can do


Oh I can get on the telephone and call you up baby










Darling I know you'll be there to relieve me


The love you give to me will free me


So if you don't know the things you're dealing


Well I can tell you darling, oh it's sexual healing










Get up, get up, get up, get up Let's make love tonight


Wake up, wake up, wake up, wake up 'Cause you do it right










Heal me, my darling (x4)










Baby, you know I got sick this morning


Well a sea was storming up inside of me


Baby, I think I'm capsizing


All the waves are rising


And when I get this feeling


I want sexual healing










Sexual healing


It makes me feel so fine (it's such a rush)


It helps to relieve the mind (Lord it's good for us)


Sexual healing, is good for me


Sexual healing is something so so good for me










Couplet :


Oh it’s good for us


oh it's so good to me my baby (Whoahohh)










Just grab a hold


Come take control


Of my body and mind


Soon we'll be making love


Honey, oh we're feeling fine


You're my medicine


Open up and let me in










Oh Darling darling, you're so great


I can’t wait for you to operate (x3)


I can’t wait for you to


(Heal me, my darling)










Oh whenever these blue teardrops are falling,


You know I come calling


Heal me, my darling












sexta-feira, 12 de novembro de 2010

aconteceu e passou

O homem e suas vaidades. A vaidade não é um mal necessário, é apenas necessária, porém, precisa de certas medidas. Por vaidade o homem deixa de admitir alguns constrangimentos, engole desaforos, omite sentimentos, estanca os gritos com band-aid. Fica com o desespero atravancando a garganta, empalando a liberdade. Por vaidade não se admite um não. Por vaidade não se vai embora, nem se chora, nem se sai correndo sem ter rumo. Isso adoece a pessoa, o palavrão trancado e o choro engolido dão câncer. A mesma sinceridade da felicidade deveria existir para o desapontamento.






Admiro quem assume suas decepções. Talvez mais que isso, admiro quem bate com a cara na porta e não sorri.






Todo mundo cai do cavalo um dia. E dói. Poucos se inserem nessa dor para viverem o sofrimento. Por que fazer isso? Seria exercitar o masoquismo? Acho que não. É mais uma questão de sinceridade, colocar na mesa a carta preta da desilusão, desdobrar para seguir o fluxo da vida.






Imperfeito não é o pretérito, imperfeito é ignorar o que passou.






A gente corta o pé andando em cima do vidro de amor que quebrou, para passar pro próximo cômodo. Eu gosto de admitir o que me incomoda, discuto por horas comigo, tentando inventar porquês que não dependem da minha resposta, isso não me faz fraca, mas me faz conhecer as minhas fraquezas. Atiça a minha curiosidade, alimenta a minha imaginação. Nada a ver com esperança. Essa moça fica de fora da festa. E nada a ver com melancolia também, de relembra o que passou e choramingar pelo que não volta. Quem sabe, nem se quer de volta. Quem sabe nunca se quis.






Falo isso porque todo mundo quer amar. Todos falam do amor, das lindas histórias com final feliz, das utopias, da cegueira. Adoro. É delicioso, mas o amor é uma coisa mais complicada do que se sente, exige atitude, mudança, comprometimento. Uma vez alguém me disse que o amor é uma merda. Olha... não é, mas pode ser um final bem provável se não souber levar. Estou falando do desamor. Daquilo que devolve o chão, que permite um dia fechar uma porta e ver que a janela estava aberta o tempo todo. Saber que o fim da linha não é quando se está sozinho, porque ainda assim é possível estar bem. Se não estiver, que seja dito, que seja admitido. Não confio em gente que nunca sofreu.






Quem não sofre, não cresce por dentro, uma pessoa só brota do solo do conflito.






As minhas melhores batalhas foram travadas comigo nessas fases de transição de amor para o desamor – que não acontece do nada e nem vem sem avisar ou com o tempo – quando eu buscava em mim o que eu mais gosto, o que eu preciso.






A gente nunca sai de uma relação igual ao que entrou e se isso acontece, perdemos tempo. Ou se descobre um filme diferente, uma comida, um cheiro, um lugar, uma posição de dormir... alguma coisa muda. Logo no início do fim há uma pressa em se livrar de tudo isso. Parece que voltar a ser o que era arranca da pele o último arrepio de um beijo no pescoço. Eu não quero. Minha pressa é outra, separar pra campanha do agasalho o que vai e o que fica, admitir do que eu gosto ou melhor, do que eu descobri que gosto. Um ex-amor é o degrau pro próximo. O rio livre sempre corre pro mar. É assim que funciona. Nem por isso deixa de ser rio. Vou agregando em mim um pouco de tantos. Isso me diverte, me fascina. Não consigo ver o ser humano como algo estático, somos o dinamismo das nossas relações, os altos e baixos, as idas e vindas. Eu sou pura arte, esculpida pelos mais desastrosos esbarrões da vida. Cada talho tem história, cada talho tem orgulho.



Mas não me levem muito a sério...







Esta semana foi muito rica em bons diálogos. O diálogo que motivou o texto foi excelente. Dei uma de Macarrão e desossei umas partes:
 
- Eu pensei que vocês fossem casar, juro.
- Também pensei.
- Nunca vi um namoro teu dar tão certo, fiquei meio sentida com o fim.
- Ninguém ficou mais sentido do que eu, nem um soldado!
 
(prova de que mesmo na dor, meu Gordis não perde a graça!)
 
- Seremos belos solteirões. Eternos solteirões!
- Seremos?
- Tá... seremos belos.
- Prefiro!
 
...
 
- Casamento tem que ser pra sempre.
- Concordo. Por isso vou casar aos 80! Não tem como não ser pra sempre... pretendo viver até os 100, poxa, 20 anos ao lado da mesma pessoa é uma vida! Não?!
 
...

- Vou escrever uma carta de amor pra ela. Mandar pelo correio, que é bem romântico!
- Legal! Vou escrever cartas de desamores, mandar pra tooodos.
- Melhor fazer por e-mail... tu vai empobrecer só de selo!

...

- Me liga se precisar?
- Não, se eu precisar vai ser muito grave... melhor vir direto!
...
 
- Eu não quero o meu miojo com requeijão!!!
- Calado, eu decido. Vai ficar bom!
- Eu quero purinhooo! (e puxou a colher da minha mão)
- Gordo, eu sou a CHEFFFFF (puxei a colher de volta). Ponha-se no seu lugar.
 
E ele sentou em cima da lata do lixo e riu.
 
...
 
- Vontade de mandar uma mensagem.
- É tarde!
- Eu sei, mas celular na mão de quem bebe vinho, é foda. Ou melhor, tentativa de foda!
 
...
 
- Eu admiro a fidelidade.
- Arram, senta lá!
- Não disse que eu sou fiel, disse que admiro a fidelidade.
- Ah, bom, assim sim.
 
...
 
fim
 
...
(pro meu amigo que anda Sallynizado, vai passar)
 
 
Slip inside the eye of your mind



Don't you know you might find


A better place to play


You said that you'd never been


But all the things that you've seen


Will slowly fade away










BRIDGE:


So I start a revolution from my bed


'Cause you said the brains I had went to my head


Step outside the summertime's in bloom


Stand up beside the fireplace


Take that look from off your face


You ain't ever gonna burn my heart out










CHORUS:


And so Sally can wait


She knows it's too late


As she's walking on by


My soul slides away


"But don't look back in anger!"


I heard you say










Take me to the place where you go


Where nobody knows if it's night or day


But please don't put your life


In the hands of a Rock'N Roll band


Who'll throw it all away










BRIDGE:


I'm gonna start a revolution from my bed


'Cause you said the brains I had went to my head


Step outside the summertime's in bloom


Stand up beside the fireplace


Take that look from off your face


'Cause you ain't ever gonna burn my heart out










CHORUS 3X:


And so Sally can wait


She knows it's too late


As we're walking on by


Her soul slides away


"But don't look back in anger!"


I heard you say










At least not today

terça-feira, 9 de novembro de 2010

paul em porto alegre

Quando os meninos de Liverpool se transformaram nos Beatles não imaginavam o fenômeno que seriam. E que ainda são. Tenho imensa dificuldade em explicar por que eu amo tanto, de onde vem a minha paixão. Quando eu nasci não havia mais o grupo e John Lennon logo foi assassinado. Meu amor pelos Beatles é genético. Meus pais sempre amaram, ouviam enquanto namoravam e – segundo fui informada depois do show – fui feita ao som dos reis do iê iê iê.

Sofri dores físicas de ansiedade pro show do Paul McCartney domingo. Revivi minhas cenas de criança, ouvindo os vinis e fingindo dublar as músicas. Eu inventava coreografias, adorava tatear as capas dos discos, percorria com os meus dedos os contornos dos rostos de cada um deles, como se quisesse decorar para desenhar depois. Minha vida sempre teve trilha sonora. Aprendi em casa a relacionar os momentos com as músicas. E os Beatles sempre fizeram parte da família. Antes da ceia do natal, ajeitando os últimos detalhes, eles sempre faziam show na nossa sala. Já grandinha, ganhei de um namorado um pôster da capa do Abbey Road, fiz questão de explicar todos os indícios da suposta morte de Paul. Catei uma imagem do Sargent Peppers pra mostrar mais detalhes... pouco chata.

Eu, tão moderninha, adoro o rock do tempo dos meus pais. Achava que estava musicalmente na época errada, por jamais poder assistir um show dos Beatles. E daí Paul McCartney resolveu aparecer. Eu nem vou perder tempo falando de toda a emoção, porque é indescritível, demorei muito para conseguir acreditar que eu veria um show do Paul. E ele foi o mesmo Beatle Paul. Fez os mesmos olhares, tinha o mesmo sorriso, mexia com o cabelo da mesma maneira que eu via nos shows em preto e branco de todos os DVD’s que eu tenho. Paul, a lenda. Paul, o Deus. Minha vida musical fez mais sentido.

Eu degustei cada segundo da fila, da espera, traguei cada acorde das músicas na melhor companhia: a minha família. Minha irmã e eu choramos, dançamos, cantamos, numa felicidade sem precedentes. E do nosso lado, mamãe e papai, igualmente emocionados, namorando o tempo inteiro! Dançaram como se estivessem num baile, eu podia ver meu pai com o cabelo feio daquela época e a minha mãe com a calça boca de sino. Trocaram beijos – eca – e juras.

Já em casa, conversando sobre o show, talvez numa tentativa de convencer um ao outro que aquilo não foi um sonho, meus apaixonados pais começam uma conversa paralela de onde se ouve só uma palavra alta: champagne! E eu, na minha inocência, exclamei:



- Oba! Vamos tomar uma champa pra comemorar o show?!



Fui logo repreendida pelo meu pai, que disse que ele e a minha mãe iam tomar uma garrafa. E foi um aviso que me lembrou as tarjas de classificação de faixa etária dos programas de TV: o programa a seguir contém cenas de nudez, impróprias para menores de 18 anos. Não contentes, ainda deram um beijinho. Era hora de dormir...

No meu quarto, deitadinha na cama, pronta para dormir, liguei para uma amiga que também estava no show, mas em outro lugar. Fofocamos, falamos das nossas emoções, das sensações, momentos especiais e tive que fazer queixa dos meus pais:

- Ana, os dois namoraram o show inteiro. Ainda chegaram em casa de cochicho e resolveram tomar uma champa a portas fechadas!

- Isso não é nada, amiga, pior meus pais que são separados há séculos e “ficaram” no show.

Paul fez história. Eu vivi um dia histórico. O show mexeu comigo, que conheci os Beatles quando a banda não existia mais, mantive vivas lembranças que não eram minhas, inquilinas da minha memória. Mas quem viveu aquela época, reviveu tudo, reviveu as lembranças próprias.

Eu me achava muito moderna para amar tanto assim os Beatles.

Modernos são os nossos pais. Eu, sou aprendiz de moderna.



Família feliz antes de sair!



My Love - Quando Paul foi cantar essa música, ele disse que fez para a gatinha dele - Linda - mas, que naquela noite, ele dedicava para todos os namorados. Muita coisa fez sentido! Agora eu dedico aos namorados que são meus pais e aos "ficantes", pais da Ana.


And when I go away


I know my heart can stay with my love


It's understood


It's in the hands of my love


And my love does it good


Whoa-whoa-whoa-whoa, whoa-whoa-whoa-whoa


My love does it good










And when the cupboard's bare


I'll still find something there with my love


It's understood


It's everywhere with my love


And my love does it good


Whoa-whoa-whoa-whoa, whoa-whoa-whoa-whoa


My love does it good










Whoa-whoa, I love, oh-whoa, my love


Only my love holds the other key to me


Oh-whoa, my love, oh-oh, my love


Only my love does it good to me










Whoa-whoa-whoa-whoa, whoa-whoa-whoa-whoa


My love does it good










Don't ever ask me why


I never say goodbye to my love


It's understood


It's everywhere with my love


And my love does it good


Whoa-whoa-whoa-whoa, whoa-whoa-whoa-whoa


My love does it good










Whoa-whoa, I love, oh-whoa, my love


Only my love does it good to me