quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

tchau, ano bom

Fim. Acaba mais um ano. Nele acabaram tantas coisas, foram tantos pontos finais. Fica a lembrança de um ano com uma série de sepultamentos. Alguns valores foram enterrados vivos, pessoas foram deixadas na estrada, amores acabados, amizades rompidas, um infinito de adeus. Foi um ano onde outro tanto de coisas brotou, floresceu e agora dará frutos. Alguns sentidos se perderam. Às vezes nada fazia sentido, nem eu. Gostei muito de ter vivido todos os dias, o ano velho permitiu-me ser intensa sem sentir culpa por tudo que faço meio desmedido.



Desejo que o próximo ano seja tão recheado de sensações quanto este. Desejo tantas ou mais provocações. Desejo mais sorrisos sinceros, mais olhos úmidos, mais boca seca de uma sede que possa ser curada. Desejo mais desejos.



Quero poder continuar vivendo e costurando pessoas na minha colcha de retalhos, guardando momentos, lendo o que me faz bem, engordando minha alma. Desejo pra todos que amo que seja possível andar com a cabeça em pé, ter possibilidades de escolha, ter mais luz, ver mais o dia, viver menos as horas e mais o tempo. Quero que haja muito valor em cada companhia, mesmo quando se está sozinho. Quero aprender mais que ensinar. Preciso ficar rica de sabedoria, quero inventar novas palavras, adjetivar substantivos, dar nomes aos novos monstros que surgirão, usar sapato apertado e depois correr descalça. Quero expor as minhas novas teorias, ser chamada de doida. Quero dizer eu te amo. Quero pular umas janelas, subir em uns muros, dançar na chuva, correr nua, coçar a cabeça quando tenho sono.



Quero rabiscar por aí qualquer coisa que só eu entendo.



Quero parar de me importar com o que supõem sobre mim.



Quero poder ser um saco e tomar um porre. Ou mais de um. Talvez vários na mesma noite.



Desejo que a saudade seja imensa porque o coração precisa ser habitado também por lembranças. Mas que a ausência não seja eterna porque a falta precisa ser preenchida para ser gostosa.



Desejo a todos que não têm mais uma pessoa importante, que tenham vivido ao lado dela os melhores momentos que a convivência permitiu. Tomara que também tenham discordado, brigado, discutido, porque a humanidade precisa de diversidade, assim como a morte precisa da vida. Que o próximo ano traga conforto e serenidade. Que a última despedida tenha sido alegre, como quem vai se sentar à mesa daqui a pouco, na hora do jantar.



Desejo um ano com muita saúde, com prosperidade, com vergonha pelo que se deixa de tentar. Desejo um ano em que as pessoas se arrisquem e sejam capazes de inovar. Um corte de cabelo já vale. Desejo compaixão, afeto, mais toque, amizades sinceras, desejo as verdades que são explícitas. E alguns beijos roubados.



Desejo mais liberdade, mais descompromisso e muita responsabilidade, muito trabalho e suor. Desejo prazeres, dos simples aos complexos. Desejo que a completude nunca exista, que algumas dúvidas sejam permanentes. Que a trilha sonora seja agradável, a paisagem linda, mas se não for, que se possa rir disso. E que venham os sonhos, que sejam possíveis, que possamos todos batalhar por ele.



Que se tenha amor.



Que se sinta muito amor.



Que a paixão seja ardida, que as palavras sejam ditas, escritas, lidas, interpretadas. Que não haja fim, mas sim muitos começos dentro das mesmas invenções. Desejo felicidade, não porque é tudo perfeito, apenas porque é possível e menos complicado do que parece. Desejo aceitação, conhecimento e equilíbrio, sem preconceitos. E que se possa ver a noite virar dia.



Feliz ano novo.

Também desejo um tri da Libertadores bem tricolor, um Grêmio forte que orgulhe seus torcedores. E mais um MUNDIAL!
 
 
 
Moonshadow


Oh, I'm bein' followed by a moonshadow,

Moonshadow, moonshadow

Leapin and hoppin' on a moonshadow,Moonshadow, moonshadow.



And if I ever lose my hands, lose my plough, lose my land,

Oh if I ever lose my hands, Oh if....I won't have to work nomore.And if I ever lose my eyes, if my colours all run dry,Yes if I ever lose my eyes, Oh if....I won't have to cry nomore.

Oh, I'm bein' followed by a moonshadow,Moonshadow, moonshadow .Leapin and hoppin' on a moonshadow,Moonshadow, moonshadow.



And if I ever lose my legs, I won't moan, and I won't beg,

Oh if I ever lose my legs, Oh if....

I won't have to walk nomore.

And if I ever lose my mouth, all my teeth, north and south,

Yes if I ever lose my mouth, Oh if....

I won't have to talk...





Did it take long to find me?

I asked the faithful light.

Did it take long to find me?

And are you gonna stay the night?





Oh, I'm bein' followed by a moonshadow,

Moonshadow, moonshadow .

Leapin and hoppin' on a moonshadow,

Moonshadow, moonshadow.





Moonshadow, moonshadow.

domingo, 26 de dezembro de 2010

chuveiro elétrico estragado

Muitas pessoas se parecem com coisas, não fisicamente, bom... às vezes também. Acho bem possível substantivar alguém pelas características que possui quando coincidem com a coisa. Esses dias eu conheci um homem. Ele era um chuveiro elétrico estragado. Juro, um homem-chuveiro-elétrico-estragado. E antes que me perguntem se é um desaforo direcionado, não, não é. É apenas uma constatação desaguando em mais uma das minhas filosóficas teorias sobre o tudo e qualquer coisa, com um fundo de verdade. Ou não.



Um chuveiro elétrico tem sempre as suas temperaturas, pelo menos as básicas: inverno e verão. Quando estraga, é indiferente o lado para o qual aponta a seta, a água sai invariavelmente morna. É fria demais pro banho no inverno, mas dá pra aguentar. Toma-se banho rapidinho e se salta de dentro do box na ponta dos pés, bafejando nas mãos, se secando rapidinho. Arrepiei-me.



No verão, o morno fica mais quente do que precisa, a gente sai suando do chuveiro. Seca-se a água, mais o que destilou, a gente se apressa em colocar uma roupa fresca, sair em busca do ventilador mais próximo, do ar condicionado mais gelado, da brisa da janela, de qualquer coisa que impeça os poros de verterem mais água do que o próprio chuveiro. Banho quente no verão é de matar, mas para tudo há um jeito. O defeito é suportável, não é um chuveiro inútil, ele cumpre sua função de chuveiro. O banho nunca é o perfeito, porém, tudo bem. E por isso ele não é merecedor de reparos.



Esse homem é assim, morno. Faz frio, faz calor, ele segue morno. Não arrisca, é pouco ambicioso, cumpre sua função de chuveiro. Vive bem sem ser feliz, não porque é triste, mas porque não conhece a felicidade, não ousou ousar. A vida é linear e os dias se repetem. Os erros são os mesmos. Os acertos são iguais. Nada de surpresas. Um fim, um começo, um dia, depois outro e assim até que eles acabem. Ele está embrulhado numa ignorância sentimental.



Eu sou dotada de uma compaixão que não sei explicar com esses tipos. A alegria e a tristeza são gêmeas escandalosas e quem muito cala pouco sente. Sou a favor de sentir na vida, sem preconceitos. Sentir amor, decepção, dor, felicidade, dó, orgulho... É preciso vibrar pra ser verdadeiro. Eu não sei medir as palavras como gostaria e a maioria das coisas que eu digo dão margens às mais diversas interpretações. Fico inquieta ao ver apatia por desconhecimento. Falta de sede, falta de fome, é apetite por convenção apenas. É passar pelo caminho porque era isso que estava no roteiro, sem pular o muro, sem subir na árvore, sem invadir um quintal, sem andar em ziguezague. É como comer arroz com feijão todos os dias.



Eu não consigo ficar inerte ao conhecer pessoas assim, sou forçada a plantar uma sementinha de pimenta. Dou na mão um punhado de pólvora e espero que ela exploda alguma coisa, alguém. Ou muita coisa e um batalhão de gente. Mostro uma bandeira e espero que ela faça uma revolução. Na verdade, se apenas olhar o horizonte e perceber que existem possibilidades, já me satisfaz. Já vai ser outra opção e o chuveiro elétrico vai poder escolher entre ter inverno e verão ou não.



O que eu queria mesmo era desencapar um fio, dar choque, provocar um curto circuito. Amo soluções drásticas.



(e conheço boas terapeutas)

Pérolas da Praia:
 
Fido: Mamããããe, socoooorro!!!
Eu: Que foi, Fido???
Fido: Nenê não consegue!
Eu: Não consegue o quê?
Fido: Voaaar!
Eu: Mas a mamãe também não voa, só quem voa é passarinho!
Fido: É?
Eu: Sim!
Fido: E o avião?
 
(Fido 1 x 0 Mamãe)
 
Fido: Quero picolé.
HORA: 05:23 a.m.
 
(Fido 2 x 0 Mamãe)
 
Na fruteira:
Fido: Quero couve-flor.
Eu: Ok, vamos levar.
Fido: Quero agora!
Eu: Fido, eu levo e faço em casa, agora está crua!
Fido: Quero a couve-flor agooooora! (puxando a couve-flor do balcão)
Eu: Quem sabe come um picolé agora... Pode ser?
Fido: Pode.
Eu: Qual picolé? De chocolate?
Fido: Não.
Eu: De coco?
Fido: Não.
Eu: Então olha aqui dentro qual tu queres...
Fido: Quero de couve-flor.
 
(Fido 3 x 0 Mamãe)
 
Fido: Eu quero ligar pra bisa.
Eu: Vamos ligar então!
Fido: Mas tu fala.
 
(Fido 4 x 0 Mamãe)
 
 
E DAÍ, depois da maravilhosa janta que eu fiz pra mim mesma, abri um pote achando que tinha sorvete e era massa com camarão. Decepção de hoje, almoço de amanhã.
 
(Minhã mãe 1 x 0 Eu)
 
Estou levando goleada.
 
 
Música de praia: Djavan, Lilás.
Amanhã



Outro dia


Lua sai


Ventania abraça


Uma nuvem que passa no ar


Beija


Brinca


E deixa passar


E no ar


De outro dia


Meu olhar






Surgia nas pontas


De estrelas perdidas no mar


Pra chover de emoção


Trovejar...


Raio se libertou


Clareou


Muito mais


Se encantou


Pela cor lilás


Prata na luz do amor


Céu azul


Eu quero ver


O pôr do sol


Lindo como ele só


E gente pra ver


E viajar


No seu mar


De raio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

cuida onde pisa, poltrão

Há um mundo entre nós. Encare a verdade, não dê as costas para os fatos, eu tenho alma grande, acredite em mim. Olha bem no meu rosto, não é à toa que vim de fábrica com esses olhos grandes e essa boca gigante, sou boa observadora, melhor ainda devoradora. O que eu não sei, vou atrás e o que você não entende, eu posso explicar. A única ressalva, que já aviso desde agora, é que vou fazer do meu jeito. Eu vou utilizar as minhas parábolas e carregar elas com as minhas paranóias, esquisitices e outras coisas mais. Acho que não vai ter problema, por baixo dessa capa conservadora existe um sangue fervendo. Sim, estou falando de você, desse ser que ainda não foi desbravado. Tenho impressão que você tem deixado de viver, tem preferido algumas insistências, criando motivos que são pura ilusão.



Precisa de ajuda?

Quer dar um pulinho aqui?



Eu sei que não é seguro. Não me olha com essa cara de apavorado, ninguém que pulou este muro se sentiu à vontade logo de cara. Repara bem, que ironia, o melhor lugar do mundo causa desconforto. É que não estamos acostumados a ver estranhos muito de perto, isso causa uma falsa sensação de intimidade. Desbravar o outro não é tão simples quanto ampliar a sua fotografia. Nenhuma nudez de corpo se compara à nudez de alma. Não fecha os olhos, eu quero que você veja a minha. Quero que repare nas curvas dos meus defeitos, na rigidez dos meus princípios, nas sardas do meu pudor. Olha, não é sempre que isso acontece, então aproveita. Não sou como a maioria das moças.



Está tudo bem?

Prefere ir embora?



Eu aceito os teus poréns e qualquer vírgula que queira colocar por aqui.Sem problemas... Só acho muito injusto contigo e comigo adiar mais um tanto, por uma bobagem tão insignificante, esse encontro. Sabia que eu fiz até meu tema de casa? Decorei olhares pra te constranger. Escolhi um vestido lindo. Eu vou usar um colar de pérolas que combine com a tua caretice. Juro que vou tentar não rir quando você arrumar os óculos ou derrubar algum talher. E eu vou tentar não passar dos limites.



Quer saber?!



Você está certo. Melhor ficar com as insistências, com o medo de ousar, escolha não ouvir, não ver, não sentir. Melhor não arriscar, não viver, ficar em casa, não ferir, não sangrar. Xô, volta pro lado de lá, tira teus sapatos do meu gramado. Esses teus sapatos só devem mesmo pisar em carpete. Não adianta expor nada para quem não sabe ver o horizonte. Volta pra tua coleção de medinhos, preciso recontar as minhas teorias, depois preciso alimentar a independência e levar os palavrões para passear. Eu sou inconstante demais, volúvel, volátil. Eu sou um perigo, caso de polícia, doida de atar, eu vou virar manchete mesmo desarmada. Desalmada, nunca!

Eu sou uma gracinha.


 
 
She puts her makeup on



Like graffiti on the walls of the heartland


She's got her little book of conspiracies


Right in her hand


She is paranoid like


Endangered species headed into extinction


She is one of a kind


She's the last of the American Girls










She wears her overcoat


For the coming of the nuclear winter


She is riding her bike


Like a fugitive of critical mass


She's on a hunger strike


For the ones who won't make it for dinner


She makes enough to survive


For a holiday of working class










Shes a runaway of the establishment incorporated.


She won't cooperate


She's the last of the American Girls










She plays her vinyl records


Singing songs on the eve of destruction


She's a sucker for


All the criminals breaking the laws


She will come in first


For the end of Western civilization


She's an endless war


She's a hero for the lost cause


Like a hurricane


In the heart of devastation


She's a natural disaster


She's the last of the American Girls










She puts her makeup on


Like graffiti on the walls of the heartland


She's got her little book of conspiracies


Right in her hand


She will come in first


For the end of Western civilization


She's a natural disaster


She's the last of the American Girls

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

tudo isso bebendo água

Eu tenho tido o imenso prazer de caminhar mais pela vida, de ter me permitido mais através de alguns descompromissos. O resultado disso tem sido mandar embora alguns conceitos antigos, adotar alguns novos. Os princípios que ainda têm salvação são mandados para a tinturaria, voltam remodelados para me vestirem melhor, adequados ao tamanho que eu resolvo medir. Mesmo assim, nada é definitivo.

Nas minhas caminhadas pelos becos do conhecimento – sobre tudo e nada – sempre encontro pessoas carregadas de bagagem. Furto um pouquinho delas e deixo nelas um pouquinho de mim. E, mesmo quando algumas diferenças são gritantes, é possível encontrar um ponto de convergência. Veja bem, não falei de concordância, não disse que entre as diferenças existe um ponto de opinião comum. Disse que há convergência, um momento onde o sentido apontado é o mesmo. E isso acontece por intuição, não por raciocínio.

Esta mesma intuição faz surgir um sentimento de intimidade, quase instantânea – palavra que eu não gosto muito. Eu não acredito em amores instantâneos, em paixões à primeira vista, nem em eternidades estáticas, mas acredito sim que haja uma maneira de reconhecer em alguém uma energia que nos faz aproximar. Esta teoria não é minha, isso é física quântica. Acredito que isso possa tanto somar experiências e sensações quanto diminuir o que somos, provocando vazio. Aí que começa a diversão, selecionar aquilo que vai ocupar esse espaço deixado. Ou apenas escolher mais um elemento para ser agregado ao que já existe.

Se estiver muito abstrato, eu vou tentar concretizar. Algumas pessoas fazem uma pequena participação na nossa vida. Essas guardamos na nossa estante, são estátuas, porta-retratos, dicionários. Sabemos que estão ali, podemos recorrer a elas sempre, as mãos alcançam com facilidade. Tiramos o pó, arrumamos a disposição de maior ou menor destaque. São facilmente removidas quando deixam de combinar com o resto da mobília. Outras pessoas são cicatrizes, são as marcas gravadas na pele. Dependendo de como tratamos, a ferida volta e sangra. Exigem mais cuidado. Dessas, eu me orgulho. Acredito que são essas as que me fazem brotar minhas inquietudes.

Não consigo imaginar uma felicidade sem conflito, uma vida completa sem sangramento. Não sei se eu conseguiria me desconstruir e reconstruir a ponto de ficar empatada entre sentimentos e atitudes. A minha filosofia é baseada em viver.

Preciso dessa tensão, o gosto cítrico e adocicado da ambiguidade acaricia meu paladar.

E antes que pensem que eu tenho talento para arrumar confusão (e eu tenho), vou dizer que está tudo bem. Meu pequeno universo de caos é harmônico. Não me transtorna. Eu assumo onde me dói, o que me sangra. Eu tenho meus furacões e explodo com facilidade. O que ninguém entende é que minha explosão é traduzida em um sorriso largo. Eu tenho satisfação em ser uma inquieta. Quando eu não tenho os porquês, faço questão de criá-los. Não faço questão alguma das respostas, mas das perguntas, eu preciso. O meu compromisso está em não ter certezas.

Inspiro interrogações, expiro exclamações, reticências e muitas vírgulas.

Minha sensação de liberdade reside onde eu possa conviver bem, independente dos erros, dos acertos, do círculo fechado, da pouca margem de negociação. Minha energia é uma prostituta das minhas vontades. É nisso que está o meu equilíbrio, em poder ver o que emana de mim sem nominar ou classificar e conviver muito bem com tudo. Ousar alimenta a minha libido.

Quem ouve minha fala calma nem imagina, né?!

Talvez eu não seja uma caixinha de surpresas. Talvez eu seja a própria caixa de Pandora.

(E só quem sabe bem a mitologia vai entender que isso é muito bom!)

 
 
Verdades verdadinhas da semana:
 
Tomei gosto pela sensação de embrulho no estômago, pela boca seca. Meu coração já não bate, tem palpitações ritmadas.  

Hey, você que procura a sua metade da laranja. ESQUEÇA! O que está valendo é encontrar alguém para desmontar a sua cebola. Ou montar. O fato é: esqueçam tudo que já foi dito sobre as laranjas, elas só servem para fazer suco. Em matéria de relacionamento, a cebola é quem comanda.

Preciso fazer um curso de mãe judia.

... um beijo.


Melodia:

Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora

Está fora de si

Ou se é o estilo de uma grande dama

Quando me encara e desata os cabelos

Não sei se ela está mesmo aqui

Quando se joga na minha cama

Ela faz cinema

Ela faz cinema

Ela é a tal

Sei que ela pode ser mil

Mas não existe outra igual

Quando ela mente

Não sei se ela deveras sente

O que mente para mim

Serei eu meramente

Mais um personagem efêmero

Da sua trama

Quando vestida de preto

Dá-me um beijo seco

Prevejo meu fim

E a cada vez que o perdão

Me clama

Ela faz cinema

Ela faz cinema

Ela é demais

Talvez nem me queira bem

Porém faz um bem que ninguém

Me faz

Eu não sei

Se ela sabe o que fez

Quando fez o meu peito

Cantar outra vez

Quando ela jura

Não sei por que Deus ela jura

Que tem coração

e quando o meu coração

Se inflama

Ela faz cinema

Ela faz cinema

Ela é assim

Nunca será de ninguém

Porém eu não sei viver sem

E fim.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

(des)graças virtuais

Lembram que há posts atrás comentei sobre um fato engraçado que havia acontecido, mas eu não podia ainda contar porque não sabia como? Pois bem... contarei. Antes, é sempre bom lembrar que não é nada pessoal, tudo em nome da literatura. Faz de conta que aconteceu com a prima de uma amiga da sobrinha da vizinha da minha irmã. Ah, eu gosto de inventar personagens para fatos reais e me agradam fatos fictícios para personagens reais, também me autorizo complementar a verdade, inventar outras e ajeitar do jeito que eu bem entendo. Já que sou eu quem escreve, eu posso tudo.

Não sou democrática quando escrevo. Nem quando tenho fome.



Era uma vez, uma festinha. Dessas festinhas que acontecem todas as semanas, no mesmo lugar, com as mesmas pessoas reunidas, que a gente já tem até uma noção do que vai tocar, do que vai acontecer, de quem vai encontrar. Essas festas onde não precisamos de dons mediúnicos pra prever incomodação ou com quem se vai embora, melhor, com quem não se vai embora. Mas boa. Todos alegres, risadas, clima descontraído, bebida gelada. O ambiente com iluminação ideal, lotação da casa na medida para se poder ir ao banheiro sem enfrentar longas filas – o que conta muito quando se bebe água a noite inteira.

Um grupo de amigas no balcão, um sujeito que dançava esquisito se aproxima. Elas acham graça. Ele fica empolgadíssimo, dança mais ainda, sozinho, vira atração delas. Um outro cidadão estaciona ao lado do grupinho, encostando-se no bar e começa uma conversa com uma delas. Ele é lindo, com aqueles malditos cílios longos. Dono de um sorriso magnífico, moreno, alto e articulado – o que anda tão difícil de encontrar quanto banheiros sem filas nas festas. As outras amigas, por trás dos ombros dele, fazem sinal de positivo, aplaudem, fazem reverências para a escolhida, desconsiderando que tem um gigantesco espelho na parede, atrás dela.

- Acho que as tuas amigas gostaram de mim...

Oh, Deus, ainda por cima ele encarou numa boa as maluquices das amigas.

Conversaram por horas. Ele não era daqui, mas vinha com frequencia. Trabalhavam praticamente na mesma área, inclusive, tinham conhecidos em comum, partilhavam as mesmas opiniões. Ele era educadíssimo. E cheiroso. E inteligente. E passaria mais algumas linhas escrevendo qualidades. Em momento algum ele tentou passar dos limites que ela estabeleceu tacitamente. Um beijo dado em uma outra oportunidade seria perfeito. Ele entendeu isso e conduziu a corte, foi uma noite de sedução. Um envolveu o outro. Era óbvio que os dois se queriam e estavam apenas prorrogando o inevitável. Parecia que não existia mais nada em volta, nem a música alta atrapalhava o assunto. Era como se conhecessem desde criança, antigos amigos descobrindo a paixão.

Eu disse paixão? Ah, sim, foi. Paixão dessas que surgem porque a pele combina quando se encostam, porque surgiu uma energia, lei da atração, não sei, elejam uma desculpa. Quando o assunto é paixão, todo mundo tem desculpas de sobra, para justificar o início ou o final dela.

E com uma desculpa das mais esfarrapadas, ela decidiu ir embora.

- Olha, eu volto daqui a duas semanas, me dá teu telefone? Quero continuar o nosso assunto.

- Claro.

E deu. Calma, o número do celular e nome completo. No caminho para a rua encontrou uma das amigas, acompanhada de um cidadão muito bem apessoado, que gentilmente acompanhou as moças até a saída, pagando a conta da sua gatinha. O galanteador ainda foi junto até o estacionamento para garantir que chegariam em segurança – por mais que fosse apenas atravessar a rua, foi bonitinho. Ele foi embora poupando a amiga que estava desacompanhada dos beijos intermináveis próprios de despedidas de namorados. Parecia que sabia que as amigas precisam de fofoquinhas pós-festa antes de cada uma entrar no seu carro.

- Que querido ele! E bem bonitinho.

- É... me agradei. E tu? Que gato aquele cara. Vocês ficaram?

- Não... acho que ficou pra próxima. Ele não é daqui, mas volta em duas semanas.

- Pegou telefone?

- Não, mas ele pegou o meu.

- Hmmm... bom. Vamos embora?

- Ai, ai, sim...

No outro dia, às DEZ da manhã, o celular resolveu tocar. Ele? É ele? Não... é a amiga.

- Precisava te ligar!

- O que aconteceu?

- Tu não vais acreditar!!!

- Vou sim, claro que vou. Só me falar.

- O meu gatinho de ontem, o que eu beijei, que pagou a conta, que nos levou até o estacionamento...

- Sim, sei, o que tem ele?

- Entrei na página dele, ele tem 22 anos!

- Jura?! Nem parece.

- Tu não está entendendo... quando ele nasceu eu já sabia ler e escrever!

- E daí? Olha, ele tem mais atitude que muito homem mais velho.

- Não. Acabou. Sem assunto com ele.

Sites de relacionamento servem pra acabar com relacionamentos. Mesmo que ainda nem tenham iniciado. Aniquilam expectativas. Qualquer informação pode e será usada contra você! Maldita modernidade. Na idade da pedra isso nunca aconteceria. Era ele acertar ela com um tacape e deu! Tanto faz se ela já fazia pintura rupestre quando ela nasceu.

Eu sempre acho isso engraçado. Mais engraçado ainda foi o final do primeiro romance da noite. Lembram? Uma das amigas com o forasteiro lindo...

Já era terça e o moreno dos cílios longos não havia sequer ligado a cobrar. Até aí, tudo bem, seguindo a cartilha. Depois de um dia de trabalho, em casa, recém saída do banho, ela entrou no site de relacionamentos e tinha uma nova solicitação de amizade: Fulano de Tal quer ser seu amigo. Fulano de Tal... é ELE!!!

Ela pula da cama, faz uma dancinha ridícula, canta a música da vitória do Ayrton Senna enquanto corre pelo quarto fazendo o “V”de vitória com uma mão e segurando um volante imaginário com a outra. Antes de aceitar a amizade, pega o telefone e liga pra amiga, claro.

- Tu nem saaaaabe! O Fulano de Tal, de sexta, acabou de me adicionar.

- Aceita! Aceita!

- Preciso de um uisquinho pra aceitar.

- Não seja besta, aceita logo!

- Ta... aceitei...

- Tem foto?

- Arram, tem. Fulano de Tal em um relacionamento sério com Beltrana. Foto dos pombinhos, bem abraçados!

Só rindo, né?!
Sites de relacionamento são os fofoqueiros modernos. Os intrigueiros gratuitos.
Pelo menos rendem boas risadas. O que me faz lembrar de outra história.

De uma moça que conhece um rapaz numa festa. Eles ficam, passam a festa inteira juntos. Na saída, ela pega o celular, acessa a internet para adicionar o novo troféu na sua lista virtual de conquistas e descobre que ele tinha namorada. A lealdade feminina dominou aquele corpo. Sentiu-se traída, mesmo tendo ela traído. Deixou recado para a namorada, pedindo desculpas pelo fato e contando que seu namorado era um belíssimo exemplar de safadeza.

Ah, o mundo virtual... Ah, os estragos reais. Só rindo, né?! Isso agora, porque o namorado era meu e na hora, não teve muita graça.

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Acreditam que não há mágoas quanto a isso?!
Tsunamis em banheira... não pratico.
 
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Nada de preto e branco, folga para a credibilidade.
 
 
 
 
Música que é tão doismilecinco.
 
UM POUCO DE CALOR
(na voz do Ney, lógico)
 
Saí à toa nessa madrugada


Sem saber porquê

A noite daqui é tão linda e faz me perder

Penso num belo horizonte em poder te ver

Sei que eu não tenho mais nada a perder



Meu carro que não quer mais andar

Essa noite que não quer terminar

Onde está você meu amor?

Eu preciso de um pouco de calor



Saí à toa nessa madrugada

Sem saber porquê

A noite daqui é tão linda e faz me perder

Penso num belo horizonte em poder te ver

Sei que eu não tenho mais nada a perder

Se eu não tenho mais nada a perder

No meu peito eu tenho você

É nessa estrada que eu quero estar

Eu quero o dia, a noite e o mar e cantar



Meu carro que não quer mais andar

Essa noite que não quer terminar

Onde está você meu amor?

Eu preciso de um pouco de calor

















































































sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

surra de laço

Uma vez recebi um e-mail de um amigo dizendo que eu merecia uma surra de laço. Foi um jeito grosso de me dar um puxão de orelhas. Funcionou. Naquela ocasião eu estava precisando ler umas verdades que só um amigo pode dizer. Algumas verdades a gente sabe bem a cara que tem. Ainda assim passa um pouco de pó, blush, gloss, tenta deixar mais bonito, mas não tem jeito. A verdade nunca vai ser a moça bonita com quem o homem bêbado foi dormir na noite anterior. O melhor disso tudo é que a surra de laço teve bom efeito. Eu passei a aceitar os fatos, desmembrar a dita situação, dar nomes aos bois e logo o meu bode estava desamarrado. Nada varrido pra baixo do tapete, nenhum sapo engolido.

Depois que tudo passa, quando a gente olha o desenho da situação, acaba perguntando se foi só isso. Sim, um tsunami na banheira. O drama vira comédia com um pouco de sarcasmo, vai tudo pro fogo, apita quando estiver pronto. Mais ou menos por aí que eu parei de gastar energia com o que não precisa. Passei a operar no modo econômico. A bateria é gasta em fazer o mundo girar, pelo menos o meu mundo. E até a minha pressa e meus atropelos me divertem mais. Essa mania de meter os pés pelas mãos, de vestir alguns avessos, cair, levantar, todas as minhas afobações não me permitem mais perder tempo com as pequenas insistências. Algumas insistências são caprichos. Hoje eu me considero pronta pra olhar todos os meus desapontamentos e isso não me faz ter nenhuma carteirinha do clube dos fracassados.

Apenas aprendi que nenhuma vida é possível sem acidentes e desastres.

Eu consigo me ver maior do que a maioria dos meus problemas, ainda que não saiba muito bem qual a solução pra eles. Experimentar é o verbo que mais tem me seduzido. Tenho perguntado um monte de “e por que não”. A resposta vem em forma de sorriso, meu, pra mim. A minha prioridade sempre foi ser em vez de parecer.

Talvez por isso eu não consiga entender o prazer que algumas pessoas têm em viver de mal com meio mundo. Reclamadores compulsivos! Nada é bom tudo é drama. Eu sou implicante, mas por esporte. Nunca chegarei à categoria profissional! Pra essas pessoas sim, falta a tal surra de laço.

O meu maior compromisso com a minha vida é não ter compromisso nenhum. Não prometo pra ela nada que eu não possa cumprir. Não exijo nada que ela não possa me dar. Somos duas amigas gentis. Não estou dizendo que eu não sinta dor alguma ou que a realidade seja um mundo cor-de-rosa. Só acredito que a gente possa colocar mais sol do que nuvens nos nossos dias.

Eu exercito a arte de domar as tempestades.

Pequeno Diálogo que nunca aconteceu:
(eu não perco a esperança que ainda aconteça)




Uma noite de um ano desses aí que eu vivi, num barzinho desses aí que eu fui, com uns amigos aí que eu tenho, encontrei um amor que eu sempre tive: Chico Buarque. Ele estava sentado em uma mesinha discreta em um cantinho escuro e enfumaçado. Olhou pra mim e piscou. Mais do que muito rápido, puxei uma cadeira e sentei ao lado dele.

- Chico, eu sempre soube que nós fomos feitos um pro outro!

- Quê?

- Sim, eu sou o amor da tua vida! Eu sei que parece loucura, mas tu tens que acreditar no que eu estou dizendo.

- Sua doida!

- Chico, presta atenção. Com taaanta gente neste bar, tu piscaste justo pra MIM!

- Não seja boba, foi um cisco no meu olho ou... A fumaça do cigarro. Não pisquei pra ti.

- Ah, Chico, fica quieto... Eu que entendo dessas coisas de amor!



(Tudo isso era eu explicando pra Jô por que, para mim, Chico não é músico, e sim poeta. Agora, como a explicação acabou nisso, eu não tenho a menor idéia.)

E depois disso, eu tenho certeza que ele fez a música Lola pra mim...
 
Sabia

Gosto de você chegar assim

Arrancando páginas dentro de mim

Desde o primeiro dia



Sabia

Me apagando filmes geniais

Rebobinando o século

Meus velhos carnavais

Minha melancolia



Sabia

Que você ia trazer seus instrumentos

E invadir minha cabeça

Onde um dia tocava uma orquestra

Pra companhia dançar



Sabia

Que ia acontecer você, um dia

E claro que já não me valeria nada

Tudo o que eu sabia

Um dia