quinta-feira, 29 de setembro de 2011

bacio

Casar anda muito moderno. Mais moderno do que casar é manter-se casado. Em tempos onde o divórcio é presenteado com facilidades, conservar o estado civil contratado pelo casamento é um desafio moderníssimo.



Os casais insistem em casar. Insistem mais do que em permanecerem casados. Às vezes o matrimônio exige insistência – a maioria das coisas que se faz em dupla exige, mas não sei porque em matéria de casamento a palavra insistência vem acompanhada de revirar de olhos e bufadas. A insistência não é ruim. Os maiores e os menores feitos da humanidade são paridos da insistência, até aquelas descobertas acidentais.



Adoro casamentos, tenho cerimônias de núpcias em todos os finais de semana de outubro. Haja vestido! Acho linda aquela hora que os noivos trocam olhares de cumplicidade. Gosto mais ainda quando cochicham qualquer coisa deixando o público curioso. O noivo fala baixo no ouvido da noiva. A noiva ri. Todos ficam curiosos. Ah... juras de amor! Ou pequenas piadinhas entre o casal. Rir junto é muito íntimo.



Eu tive a honra de ser convidada para madrinha do casamento de um amigo. Um que nós sempre pensamos que jamais casaria. Casou e passa bem. Segundo ele, muito bem. Estivemos reunidos essa semana para ver as fotos da lua-de-mel pela Europa e ganhei de presente – por ser dinda querida – uma caixa de bombom italiano chamado Bacio, da tradicional Baci Perugina. Sabendo que eu sou apaixonada por chocolates, resolveram me trazer “beijos docinhos”, como dizia o cartão. Os chocolates são uma delícia, cada um vem com um recadinho na embalagem. Muito inteligente esse chocolate, percepção apurada do beijo. Sempre acreditei que o beijo fosse um recado, eu errei. O beijo é o mensageiro. É o carteiro do sentimento. O recado vai do empenho, do cuidado, da interpretação de quem é beijado. Beijo entrega interesse ou desdém.



Tom Robbins escreveu que “o beijo é nossa maior invenção”. Melhor que isso só inventar dentro do beijo.



 Um beijo com identidade aproxima o casal. São códigos como os olhares dos noivos. São os carteiros das cartas de saudade, de pedidos para chegar mais perto, entregam a paixonite adolescente, o amor de doer e o desinteresse passageiro. O beijo descompromissado que vai ser esquecido, negado, indiferente.



 Aperitivos de mais beijos. O beijo pede como a esfinge: decifra-me ou te devoro.



Tenho uma teoria de que o primeiro beijo entre as pessoas é sempre ruim. Ou o pior. A gente vai lembrar dele pela eternidade, mesmo depois de anos de casamento. Já conheci casais que comemoravam o dia do primeiro beijo. E ele sempre vai ser aquele onde as bocas demoraram pra falar a mesma língua. Porque beijo é o dialeto da intimidade.



O beijo é uma unidade que ultrapassa a boca, ultrapassa o próprio corpo. Henri Toulouse-Lautrec, francês, nanico, bêbado, boêmio e apreciador de ruivas – ah, ele também enlouqueceu em Paris! -, era dedicado a retratar a vida noturna parisiense. Entre um e outro cálice de absinto usava das cores para imprimir impressões da sua realidade. Em uma dessas obras, denominada NA CAMA, reproduziu um casal deitado, um de frente para o outro, cobertos até o queixo, olhos abertos, porém pesados. Nitidamente conversavam. Aproveitavam as cobertas como se fosse a toalha da mesa de jantar.



Antes disso, outra pintura chamada NO BEIJO DA CAMA, Henri retratou um casal aparentemente nu, com os corpos costurados por um abraço e arrematados por um beijo. Pela forma com que os braços se contornam, há intimidade entre o casal. Quase se pode sentir carinho, inclusive porque o homem está beijando com os olhos não totalmente fechados. Ele espia a parceira.



Um beijo de olho aberto não se satisfaz apenas de carinhos, de gosto, ele quer ver. Beijar de olho aberto é capturar em vez de imaginar. É roubar no jogo. É trapacear para ter mais de quem é beijado. Não partilho da ideia que beijo de olho aberto é insegurança. Pra mim é abuso mesmo. É gula pelo outro. É desespero para não deixar escapar nada à lembrança.



Beijo bom é canto mudo. É ponto final, fim de papo. É poesia de improviso. É pedido,mas é roubado. É descuido pra tomar o ar. É a melhor invenção, mais eficiente mensageiro do carinho. Beijar vai além, mas só se sabe disso beijando.




Foto tirada pelo Fido. Três anos e muita malandragem!

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TEORIA: Henri (o francês, nanico, bêbado...) é mais um que colabora para a minha teoria. Artistas plásticos que vão para Paris ficam doidos. Tem alguma coisa na água daquela cidade, ou no ar, ou no pó... Eu desenho bem direitinho, LOGO, me considero artista plástica de talendo, LOGO, nem me convidem para ir a Paris! Nem que eu sofra - e como sofro!-, me deixem sofrer por aqui. Ou me levem para sofrer na praia, na serra, em NY. Morro de medo de voltar numa camisa de força.


CURIOSIDADE: Dizem os demais bêbados que Henri foi quem inventou um drink chamado terremoto. Obviamente a bebida leva absinto. Todos os bêbados de Paris bebiam absinto. E eram fofoqueiros. Hoje em dia a bebedeira parisiense é bem mais democrática, cada um bebe o que quer. Mas seguem fofoqueiros.



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Ai Que Saudade D'ocê

Fagner (porque eu gosto e canto muito)


Não se admire se um dia,
um beija flor invadir
A porta da tua casa,
te der um beijo e partir
Foi eu que mandei o beijo
que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo,
ai que saudade d'ocê
Se um dia ocê se lembrar,
escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio,
com frases dizendo assim
Faz tempo que eu não te vejo,
quero matar meu desejo
Lhe mando um monte de beijo
ai que saudade sem fim
E se quiser recordar
aquele nosso namoro,
quando eu ia viajar
Você caía no choro,
eu chorando pela estrada,
mas o que eu posso fazer
trabalha é minha sina
eu gosto mesmo é d'ocê

terça-feira, 20 de setembro de 2011

fábrica de memórias

A maior virtude do passado é se transformar em lembrança. Viajar para outro tempo usando a cabeça, ter o coração como bagagem e ficar hospedado em alguma memória sem hora marcada de ida ou de volta. Um passado que volta sem ser convidado. Cheiro de rosa me leva pra casa antiga da minha avó. Lá tinha uma varanda que servia de palco, tinha cristaleira com espelho no fundo que deformava a imagem, tinha banheira branca de louça, bacia de alumínio e capim cidró plantado no pátio dos fundos. Bolo de milho e café preto têm gosto de infância. Garopaba lembra meus pais. Caderno novo, primeira série, mesmo depois da faculdade.

A lembrança é uma flor que nasceu fora de época.

Em tempo que já passou, não se mexe. O que foi está junto com quem fomos. Lembrar é um exercício de assistir ao filme que não existe, mas nós fizemos. O que passou e fez rir, o que passou e fez nascer tristeza, cicatrizes e esquecimentos propositais fazem parte dos tijolos da nossa estrutura. Sim, somos, além de sonhos e desejos, lembranças. A memória pinta postais de saudade.

O tempo que foi acena de onde está. Nem toda a lembrança é de alguma coisa que nos faz falta. Há o que faz muito bem em ficar no que foi. E que jamais volte. Há memórias que trazem ensinamentos, escrevem tratados sobre o que não deve acontecer. Ou voltar a acontecer, são os calos dos pensamentos, onde apertam os sapatos. Entre choros e risos, todos sobrevivem. A saudade abre a cortina da memória, a paisagem não é bonita nem feia. É nossa.

Saudade não quer trazer nada de volta. Quer apenas pincelar o agora com as tintas de antes. A história ensina que a gente vive assim, de momento em momento e presenteia cada um com o que podemos sentir.

Ter história é prerrogativa de quem vive. Felicidades, tristeza, desilusões, surpresas, medos, essas tatuagens invisíveis que só quem tem sabe onde está. Viver é ato mágico. Ter a sensibilidade de admitir que pequenos milagres acontecem e poder colecionar-los nas lembranças é sensação divina. Levamos a rotina tão a sério, apressamos nossos ponteiros, empilhamos sentimentos, misturamos urgências no nosso café da manhã. Andei preocupada com as lembranças que vou ter daqui a algum tempo. Não quero ser do tipo que guarda recordações apenas na infância. Quero a infância do pensamento até a morte. Preciso lembrar do sorriso do porteiro ao dar bom dia, da gentileza do senhor que abriu a porta, do carinho sem querer.

Prefiro lembrar um pouco de cada dia. Por isso, em cada dia deixo tempo para nascerem minhas futuras lembranças. Quero sentir saudade daqui a uns dias de um abraço repetido na semana passada, de um olhar tímido e da minha vergonha. De aplaudir o alface e rir das angústias amorosas das amigas, de fazer piada com o que não devia. Lembrar que quase perdi o ar de rir de bobagem.

Não posso esquecer as recomendações que me fazem. Não que sejam necessárias, mas gosto de colecionar. Zelo e amor são melhores amigos.

Quero lembrar que hoje andei descalça no molhado e isso me fez cantar enquanto saltava na ponta do pé:

É um passo é uma ponte
É um sapo é uma rã
É um belo horizonte
É uma febre terçã...
São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração...

“É setembro”, pensei. E me vi recém acordada, refletida no vidro da janela, com o cabelo mais desgrenhado da rua. Quero muito ter saudade disso. Quero lembrar e ter saudade de todos esses momentos imotivadamente felizes que virão.

Eu quero sempre poder fazer algo do que me lembrar. 




Como se fora a brincadeira de roda
Memória!
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos, na canção da vida
Histórias!
O suor da vida no calor de irmãos
Magia!
Como um animal que sabe da floresta
Memória!
Redescobrir o sal que está na própria pele
Macia!
Redescobrir o doce no lamber das línguas
Macias!
Redescobrir o gosto e o sabor da festa
Magia!
Vai o bicho homem fruto da semente
Memória!
Renascer da própria força, própria luz e fé
Memorias!
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós
História!
Somos a semente, ato, mente e voz
Magia!
Não tenha medo meu menino povo
Memória!
Tudo principia na própria pessoa
Beleza!
Vai como a criança que não teme o tempo
Mistério!
Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor
Magia!
Como se fora a brincadeira de roda
Memória!
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos na canção da vida
Histórias!
O suor da vida no calor de irmãos
Magia!
Como se fora a brincadeira de roda
Memória!
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos na canção da vida
Histórias!
O suor da vida no calor de irmãos
Magia!
Como se fora a brincadeira de roda
Memória!
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos na canção da vida
Histórias!
O suor da vida no calor de irmãos
Magia!
Como se fora brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos
Como se fora brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

domingo, 11 de setembro de 2011

divertissement

Já declarei a minha admiração por quem sabe dançar. E também já confessei que sou uma desengonçada. Dançando sozinha, até engano. Mexo um pouco pra lá, um pouco pra cá. No auge do entusiasmo posso até arriscar os vexatórios dois dedinhos apontados para cima. Os amigos me guilhotinam os dedos com o olhar. Nunca tentei fingir que sabia. Até faz parte do meu show não saber. Eu sou partidária da ideia que quem tudo sabe ou tudo faz não se dedica a nada. Eu me dedico a cantar desafinadamente todas as músicas, muitas vezes errando a letra. Dançar que é bom, nada. Ou muito pouco. Ok, nada. Mas me mexo. Com ritmo!



Se eu admiro as pessoas que dançam bem, admiro mais ainda as que dançam bem juntas. Alguém que sabe dançar, que nasceu com o dom da molinha nos quadris, baila sozinha sem preocupação. Mas ao dançar com alguém, depende que encaixe um passo seu, no do outro. Falo isso com relação à dança de improviso, não das coreografias de palco, ensaiadas.



Lembro de um ensaio do Francisco Bosco, onde ele cita a explicação de Antônio Gades – dançarino de flamenco – quando tentava definir o que era dança. Dizia que não ocorre no passo certo, mas que é o que ocorre entre eles. É o momento entre um e outro, a formação do conjunto. Francisco usa essa definição para descrever o que é escrever, fala sobre a alegria do improviso na dança e das possibilidades criativas do improviso.



Ora bolas, criatividade é uma coisa que sempre me foi farta. Tenho mais criatividade do que sardas. Uma vez a minha mãe perguntou se eu tinha resposta pra tudo. Respondi que sim porque o que eu não sabia, eu inventava. Ela não repreendeu. Tenho a sorte de ter uma mãe esperta. Fui tacitamente autorizada a inventar. Numa época onde a maior preocupação era ganhar no bafo a figurinha que faltava para completar o álbum da Copa, ou qual a tabuada que ia cair na prova de matemática, autorização para criar rendia mundos. Ainda rende, galáxias.



Depois aprendi o mais importante, que inventar, pode. Enganar, não.



A invenção deixa usar uma parte bonita da subversão. É pensar fora da caixa, permite a observação do todo. A criatividade trabalha com o lado bom da subversão. Não reprime os instintos, mas exige uma certa verdade. Invenção inventada sobre o vento, não se sustenta. Daí de nada adianta. Tudo leva um pouco de mim, nada se cria do vazio. Então, como pessoa criativa, decidi que eu tenho o direito de saber dançar. Descobri que eu sei dançar. O que surpreende é que não descobri isso dançando, mas pensando.



Imagino que eu jamais saberei fazer um entrechat ou um assemblé. Nasci com jogo de cintura na imaginação. Sei dançar a costura de um passo no outro e apenas por isso sei dançar. Ballet, tango, samba, rumba, qualquer ritmo, desde que seja de improviso. Desde que o parceiro de dança não tente me ensinar, esteja disposto apenas a improvisar junto. Há infinitas possibilidades, muitos movimentos em que os acertos rendem como prêmio sorrisos. As risadas são os aplausos dos lábios.



Sempre me atraiu a invenção em conjunto. Conto nos dedos os parceiros que tive. A delícia de dançar junto está em conhecer aos poucos os sinais que o outro dá. Saber qual espaço do corpo se pode ceder, qual espaço que o outro deixa e se pode ocupar. Se relacionar com alguém é isso, rir do improviso que deu certo. Aceitar qualquer ritmo não em busca do acerto simétrico, da regra, de seguir a batuta. É inventar a dança dentro do ritmo. É não ensaiar. É inventar a coreografia e deixar levar pelo momento.



Um casal será singular quando deixar de acreditar nas fórmulas prontas de felicidade. Aprenderá a dançar seus próprios passos para usar no caminho, independente do ritmo. Aprendi que sei dançar porque sei criar. A vida é muito divertida para quem tem disposição. E nesses tempos de solidão, descobri que dançar a dois pode ser mais divertido ainda. Mais sorriso, mais aplauso, mais platéia. Simples? Muito. Simplicidade é o pulo do gato, pas de chat!

Yes! Eu tenho sardas!
 
 
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Musiquinha tão doce que merece ser ouvida...
 
 
 
sometimes my life is smooth, it gets real tough



thats when it seems you come around and seperate all that stuff


but very gentle, just a touch of grace


i would never know



cause your are the sun, the moon, the rain


and every summer breeze that fills the sails


of every little boat out on the waves that carry me back home


and we'll dance like no one is ever watchin'


and we'll love each other till the early mornin'


and we'll be together


go through stormy weather


and we'll stay together


cause theres no way in hell i'd ever let you go (i'd ever let you go)



never really felt like this before


and the fightin' and the screamin' makes me love you more


i only want to be right here with you


cause lyin' out on the sand without a thing to do





cause you're the sun, the moon, the rain


and every summer breeze that fills the sails


of every little boat out on the waves that carry me back home


and we'll dance like no one is ever watchin'


and we'll love each other till the early mornin'


and we'll be together


go through stormy weather


and we'll stay together


cause theres no way in hell i'd ever let you go (i'd ever let you go)



just hold my hand (just hold my hand)


try to make her understand


just hold my hand


won't'cha just hold my hand





cause you're the sun, the moon, the rain


and every summer breeze that fills the sails


of every little boat out on the waves that carry me back home


and we'll dance like no one is ever watchin'


and we'll love each other till the early mornin'


and we'll be together


go through stormy weather


and we'll stay together


cause theres no way in hell i'd ever-



dance like no one is ever watchin'


and we'll love each other till the early mornin'


and we'll be together


go through stormy weather


and we'll stay together


cause theres no way in hell i'd ever let you go (i'd ever let you go)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

invente, tente

Uma pessoa tem direito a ser preguiçosa. Tem direito ao ócio. Tem direito à inércia. A prática do nada não precisa ser um pecado. Pecado é escolher o momento errado da preguiça, é deixar de lado a dedicação onde se requer capricho. Alguns terrenos da vida são adubados com o empenho, apenas assim vingarão e darão bons frutos.



O amor é um caso onde toda a preguiça será castigada. A conquista exige ação, o que não é novidade e é muitíssimo mais singelo do que parece. Enganam-se os pensam que o amor exige gigantescos atos de bravura. O maior desafio é admitir, permitir o sentimento, ser sincero. Um dos momentos mais engraçados da minha vida foi confessar que sou romântica. Romântica não clássica, mas sou. Um pouco torta. Não convencional. Bom, sobre isso eu – juro – escrevo outra hora, não quero desviar o assunto. Amor é caso de arregaçar as mangas. É caso de demonstração ainda que sutil. Atenção diferente. Um olhar mais carinhoso onde a pupila entrega: oi, eu gosto de ti. Ou um sorriso desconcertado, desenhado sem querer. Gostar de alguém é sair do comum. É tratar diferente e diferente para melhor. Tratar não indiferente.



Gostar de alguém requer demonstração. Cultivam-se bons vínculos com esses caprichos. Fazer um agrado, deixar um recado, ser atento, observar. Admiro quem se dá conta disso. Despir-se da apatia emocional é uma habilidade adquirida com a prática. Envolver a pessoa naquilo que lhe agrada, não apenas para conquistar, mas porque a pessoa merece. Por quê? Porque é especial, ora bolas, ou por que despertaria algum interesse? Alguém que me faz corar e ficar sem jeito merece se sentir bem. Merece receber de mim atitudes de felicidade. Um abraço com um carinho a mais já me delata.



Eu sou facilmente denunciada. Capricho mais com quem eu gosto. Ainda que eu tente ser mais discreta, não consigo. Se eu tento dizer que não, proclamo o caos. Sofro de gagueira paixonítica. É uma síndrome rara de equação simples: apaixonei, neguei, gaguejei. Pronto! Resta rezar pra ser tragada pela terra, momentaneamente, claro.



Mas não é de hoje que amor e dedicação andam juntos. Quando as pessoas estão dispostas a um relacionamento, a fase da conquista nunca acabará. Serão criados códigos sucessivos entre o casal. Há sempre o que ser descoberto. Há sempre o que ser inventado. Não existe limite quando as pessoas estão dispostas a se divertirem juntos – e a vida a dois pode ser bem divertida. As regrinhas entre os dois surgem e desaparecem. O amor vai encontrando com o tempo a sua maneira de viver. O amor não morre com a rotina, morre de inércia.

Eros, na mitologia, se apaixonou por Psiquê. E ela se apaixonou por ele sem nunca ter visto o seu rosto. Todos os dias, apesar da rotina (porque só se encontravam à noite), o casal descobria maneiras de manter vivo o amor. A conquista era constante, dependente dos atos caprichados.



Estou cada vez mais convicta que os amores não morrem de morte natural. Amor morre mesmo de tanto faz. Causa mortis: indiferença, apatia e preguiça.



Amar é verbo em movimento: ação!

 
Observar também é reconhecer. Saber o que vale a pena não desperdiçar.
Acho tão bonito quando as pessoas querem se conhecer...
Convite pra tomar uma água, um chá, um suco, comer um doce. É... é bem bonito! =-)
 
 
RECADO DADO É RECADO ENTREGUE:
 
Quis evitar teus olhos



Mas não pude reagir


Fico à vontade então


Acho que é bobagem


A mania de fingir


Negando a intenção






Quando um certo alguém


Cruzou o teu caminho


E te mudou a direção






Chego a ficar sem jeito


Mas não deixo de seguir


A tua aparição






Quando um certo alguém


Desperta o sentimento


É melhor não resistir


E se entregar






Me dê a mão


Vem ser a minha estrela






Complicação


Tão fácil de entender


Vamos dançar,


Luzir a madrugada


Inspiração


Pra tudo que eu viver






Quando um certo alguém


Cruzou o teu caminho


É melhor não resistir


E se entregar






Me dê a mão


Vem ser a minha estrela






Complicação


Tão fácil de entender


Vamos dançar,


Luzir a madrugada


Inspiração


Pra tudo que eu viver


Que eu viver






Quando um certo alguém


Desperta o sentimento


É melhor não resistir


E se entregar

 
(CERTO ALGUÉM - LULU SANTOS)