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Mostrando postagens de Setembro, 2011

bacio

Casar anda muito moderno. Mais moderno do que casar é manter-se casado. Em tempos onde o divórcio é presenteado com facilidades, conservar o estado civil contratado pelo casamento é um desafio moderníssimo.


Os casais insistem em casar. Insistem mais do que em permanecerem casados. Às vezes o matrimônio exige insistência – a maioria das coisas que se faz em dupla exige, mas não sei porque em matéria de casamento a palavra insistência vem acompanhada de revirar de olhos e bufadas. A insistência não é ruim. Os maiores e os menores feitos da humanidade são paridos da insistência, até aquelas descobertas acidentais.


Adoro casamentos, tenho cerimônias de núpcias em todos os finais de semana de outubro. Haja vestido! Acho linda aquela hora que os noivos trocam olhares de cumplicidade. Gosto mais ainda quando cochicham qualquer coisa deixando o público curioso. O noivo fala baixo no ouvido da noiva. A noiva ri. Todos ficam curiosos. Ah... juras de amor! Ou pequenas piadinhas entre o casal. Ri…

fábrica de memórias

A maior virtude do passado é se transformar em lembrança. Viajar para outro tempo usando a cabeça, ter o coração como bagagem e ficar hospedado em alguma memória sem hora marcada de ida ou de volta. Um passado que volta sem ser convidado. Cheiro de rosa me leva pra casa antiga da minha avó. Lá tinha uma varanda que servia de palco, tinha cristaleira com espelho no fundo que deformava a imagem, tinha banheira branca de louça, bacia de alumínio e capim cidró plantado no pátio dos fundos. Bolo de milho e café preto têm gosto de infância. Garopaba lembra meus pais. Caderno novo, primeira série, mesmo depois da faculdade.
A lembrança é uma flor que nasceu fora de época.
Em tempo que já passou, não se mexe. O que foi está junto com quem fomos. Lembrar é um exercício de assistir ao filme que não existe, mas nós fizemos. O que passou e fez rir, o que passou e fez nascer tristeza, cicatrizes e esquecimentos propositais fazem parte dos tijolos da nossa estrutura. Sim, somos, além de sonhos e des…

divertissement

Já declarei a minha admiração por quem sabe dançar. E também já confessei que sou uma desengonçada. Dançando sozinha, até engano. Mexo um pouco pra lá, um pouco pra cá. No auge do entusiasmo posso até arriscar os vexatórios dois dedinhos apontados para cima. Os amigos me guilhotinam os dedos com o olhar. Nunca tentei fingir que sabia. Até faz parte do meu show não saber. Eu sou partidária da ideia que quem tudo sabe ou tudo faz não se dedica a nada. Eu me dedico a cantar desafinadamente todas as músicas, muitas vezes errando a letra. Dançar que é bom, nada. Ou muito pouco. Ok, nada. Mas me mexo. Com ritmo!


Se eu admiro as pessoas que dançam bem, admiro mais ainda as que dançam bem juntas. Alguém que sabe dançar, que nasceu com o dom da molinha nos quadris, baila sozinha sem preocupação. Mas ao dançar com alguém, depende que encaixe um passo seu, no do outro. Falo isso com relação à dança de improviso, não das coreografias de palco, ensaiadas.


Lembro de um ensaio do Francisco Bosco, on…

invente, tente

Uma pessoa tem direito a ser preguiçosa. Tem direito ao ócio. Tem direito à inércia. A prática do nada não precisa ser um pecado. Pecado é escolher o momento errado da preguiça, é deixar de lado a dedicação onde se requer capricho. Alguns terrenos da vida são adubados com o empenho, apenas assim vingarão e darão bons frutos.


O amor é um caso onde toda a preguiça será castigada. A conquista exige ação, o que não é novidade e é muitíssimo mais singelo do que parece. Enganam-se os pensam que o amor exige gigantescos atos de bravura. O maior desafio é admitir, permitir o sentimento, ser sincero. Um dos momentos mais engraçados da minha vida foi confessar que sou romântica. Romântica não clássica, mas sou. Um pouco torta. Não convencional. Bom, sobre isso eu – juro – escrevo outra hora, não quero desviar o assunto. Amor é caso de arregaçar as mangas. É caso de demonstração ainda que sutil. Atenção diferente. Um olhar mais carinhoso onde a pupila entrega: oi, eu gosto de ti. Ou um sorriso d…