sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

pingos


Não é a primeira vez que vou dizer isso: adoro chuva. Gosto quando chove em mim sem querer, quando me pega de surpresa, quando cai mais intensa no momento que estou mais desprotegida. É o tipo de carinho que se tem sem esperar. O cabelo molha, a roupa encharca, os pés fazem barulho pra caminhar, não interessa. A alma fica limpinha. A gota que escorre fria pela pele quente faz cócega suave. Preocupo-me pouco com o que vem depois, posso até mudar o rumo.

Chuva molha o pensamento, hidrata ideias, faz crescer. Canta barulho sem ensaio, pingos se conhecem ao cair, juntam-se no mesmo instante que se desfazem. Mais de um vira unidade. Todos juntos, umidade. São estranhos paralelos descendo juntos pelo vidro, como quem caminha na mesma rua sem se conhecer. E acabam juntos dividindo a mesma poça. Ou a mesma taça.

Chover é ousadia. Chover é ter liberdade para escolher quando se derramar. Às vezes, eu chovo dilúvios. Às vezes, eu apenas chuvisco. Há também dias que faço um sol insuportável. Se eu fico nublada, varro as nuvens, não sei ficar imóvel com indecisão. Mas varro as nuvens pra dentro de casa, esperando que chova. Ou chove, ou faz sol.

Assim como os pingos fazem a chuva, muitas vezes uma pluralidade de mim me faz inteira. Eu sou feita de mim mesma.

Existe em mim alguém que não se contenta, mas ri pelo desafio. Existe alguém que quer acelerar sem parar mesmo quando vê o muro na frente, mesmo que as placas mandem parar, mesmo que os radares de confusão apliquem as multas da desordem. Existe alguém que procura sem parar e alguém que se satisfaz com o que já encontrou. Alguém inquieta e tranquila. Existe uma medrosa e uma guerreira de um escudo em cada mão. Alguém que usa armadura, que mora no umbigo e ao mesmo tempo faz a cama na varanda. Que gosta de casa e vive por aí. Existe alguém que perde o rumo para poder voltar. Existe uma eu que não se entrega fácil e outra que confia de olhos fechados. Que deixa a janela aberta e duvida do amor. Eu juro para me trair. Trapaceio e aviso. Finjo verdades e invento o que falta com convicção. Eu corro para que não me alcancem. Eu corro querendo que me parem. Vou embora sem dar tchau. Fujo quando não tenho pra onde ir. Tenho medo de altura e vivo sentada nas nuvens. Quando vejo, já voei. Quando vejo, já caí. As minhas asas têm poeira.

Não confesso ao padre o que ouvem os travesseiros.

Ignoro as sensações de frio ou calor. Tanto faz. Arrepio de não frio, tão melhor. De aspereza delicada abraçando quadril. Horizonte humano em noite de lua. Rio, estrelas, cidade como testemunhas mudas. Poças espalhadas para serem saltadas de maneira aleatória.

Eu ando chovendo até a última gota. Transbordo, alago, inundo. Nunca coube muito bem em mim.

Às vezes, só a chuva mostra o real estrago da seca. 





eu sou o cavalo que não anda em "L". 




Bouleverd of broken dreams - GREEN DAY




I walk a lonely road
The only one that I have ever known
Don't know where it goes
But it's home to me and I walk alone
I walk this empty street
On the Boulevard of broken dreams
Where the city sleeps
And I'm the only one and I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk a...
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'til then I walk alone
Ahh Ahh Ahh Ahhh
Ahh Ahh Ahh Ahhh...
I'm walking down the line
That divides me somewhere in my mind
On the borderline of the edge
And where I walk alone
Read between the lines of what's
Fucked up and everything's all right
Check my vital signs to know I'm still alive
And I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk alone
I walk a...
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Til then I'll walk alone
Ah-Ah Ah-Ah Ah-Ah Ahhh
Ah-Ah Ah-Ah I walk alone, I walk a...
I walk this empty street
On the Boulevard of broken dreams
When the city sleeps
And I'm the only one and I walk a..
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'til then I walk alone!



3 comentários:

BETO disse...

Bocão, aqui em Torres a chuva está chatapracaralho. Amo vc, mesmo q goste de chuva, q chova, q faça sol. Vai com calma no teu dilúvio, vc já morreu afogada mtas vezes.

Bjs da tua arca, Beto.

Diogo disse...

Sempre leve e profunda,como pingos q viram enchentes na cidades de nossos pensamentos.
Cada vez melhor...já tá na minha lista de leitura dominical.

Carlos disse...

Quando Choves, transbordas Poesia...