sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

amor doidinho

(Para a querida Lathoia e para a querida Paola Bárbara.)
(E, óbvio, para o meu amor muito doidinho.)


Era uma vez um amor doidinho. Um amor doidinho é ainda assim um amor. Um amor doidinho exige todos os cuidados de um amor feijão com arroz. Amor é amor.

Às vezes a gente pensa que apenas amar basta, é justamente o contrário. O amor nunca basta. Jamais se basta. Sozinho não é nada, é preciso cuidado, empenho, dedicação, sacrifícios e mudanças. Sempre queremos amar, raramente estamos dispostos a mudar. Acredito que mais importante do que amar é se aceitar amando. Assumir um amor, levantar uma bandeira de coração, pendurar no varal, com orgulho, escudo no peito e cara de bobo.

Acho bonito quem assume, é de uma coragem invejável. É aceitar o desafio de conviver com o outro, admirar até os defeitos. É aceitar o desafio de se doar num mundo onde fomos criados apenas para querer. Não se ama para ser amado. Não se ama esperando amor em troca. Amor se dedica. O que se espera é ser correspondido. Ter as expectativas supridas a altura. Amor pode ser a caixa de Pandora.

Ontem precisei pensar quando alguém disse que não se sabe amar nesse mundo. Talvez não se saiba manter um amor. Não que não haja amor, ele existe, existe muito. É muito fácil amar quando tudo dá certo. É muito fácil amar quando o outro também ama. Mas e o amor doidinho? Esse que nasce todo errado tropeçando na própria pressa? Esse que se atrapalha todo?

Esse amor que vem, que quer, que deseja? Não é menos amor que qualquer outro. O amor doidinho merece confiança, dedicação, sacrifícios e atitudes. Às vezes, o amor doidinho vai precisar que se esqueça o orgulho e mande uma mensagem. O amor doidinho vai precisar de um último pingo de confiança. Tudo isso porque se aposta que o amor doidinho vai ser um amor daqueles, de escrever histórias, de contar pros filhos, de render assuntos, noites de rede, retratos espalhados. O amor doidinho vai querer ultrapassar limites, arrasar manias.

Nem todo amor é certo. Nem sempre se sabe amar porque isso não tem fórmula certa. Amor não começa, acontece. Não adianta querer domar e ensinar bons modos. O amor não sabe etiqueta. Come com as mãos em banquete. Fala o que não deve. Pede perdão pra depois atropelar.

Não é só porque uma coisa não começa certa que não pode se acertar depois. Nem tudo tem resposta certa. A maioria das minhas perguntas sequer tem resposta. Preciso afirmar para enganar a dúvida.

Não é porque uma coisa não se define que ela não pode existir.

Sobram dúvidas. A gente tem mais é que ir vivendo e agindo. É tempo de fazer acontecer, de ajeitar tudo pro amor doidinho poder respirar.

Prefiro viver tudo.
Mais que saber tudo.
Eu não sei nem a cor dos meus olhos.




Uma vez, a irmã do Chico Buarque (suspiros intensos), Miúcha, contou que ele foi preso aos dezessete anos. Ao preencher a ficha, o oficial elaborou a descrição. Na hora da cor dos olhos, surgiu a dúvida: verdes ou azuis?

Preencheu: ardósia.

Mas quando perguntam a cor dos meus olhos, eu continuo devolvendo a pergunta " que cor você pensa que é?"

Não quero ser presa pra descobrir. Vou definir por maioria de votos.



Falar de amor e Chico sem esta música deve até ser pecado.




Samba do Grande AmorChico Buarque


Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim
O grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão
Pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel
O grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua de mel
Em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé
No grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

SUBLINEI PORQUE ADOOOOOORO ESSA MENTIRA

2 comentários:

Carlos disse...

Amor, só, não basta... A MM escreveu uma Crônica (ou várias...) falando nisso.

Gostei da "dedicação"... Nestes casos (noutros também), dedicação gera Tesão na veia!!!

CLARO QUE SÃO VERDES!!!!

BETO disse...

Bocão,vc tem olhos cor de sei lá o que. Meu amor doidinho faz concorrência com o seu. Eu e a minha crespa, tu e os teus caracóis. Eles enrolaram NÓIS, bocuda! huahuahua
Bjs, curte muito. Nao import a cor do teu olho, ele ta brilhando. É o amoooor...