sexta-feira, 9 de março de 2012

vê se entende a minha pressa...


Decidir que figurino usar é sempre um caos. Sou confusa e desordenada pra isso. O problema é que ontem o mundo estava muito selvagem, hoje absurdamente doce. E assim como do nada chove pra depois fazer sol, tudo pode mudar. Daí fico em dúvida se saio de casa armada até os dentes ou despida até os ossos.



Vou levar na bolsa dardos de sonífero e injeções de insulina.



Sou inconstante, porém precavida.



Não gosto de sair com armaduras, espadas e escudos. Isso pesa demais. Carregar nos bolsos as defesas, ocupando lugar de amenidades. Em minha defesa não tenho nada, nada mesmo. Tenho eu uma belíssima cara de pau de assumir minhas artes e defeitos. Faço e assino. Isso que sou tímida.



Sou acostumada a que me apontem os defeitos. Que peçam que eu pare com a agitação, que preste atenção no que eu estou fazendo, que não equilibre duzentas coisas numa mão enquanto coloco um pão na boca e seguro uma caneca de café na outra, calçando os sapatos e fechando a porta do armário com os pés. Não tenho coordenação para dançar por isso, cada membro está acostumado a ser independente do outro.



 Vício de viver. Ainda morro disso.



Eu tenho urgências. Dessas de fazer tudo. Penso e é pra já. Mal me convenço, já fiz. Ainda mais se é para acabar com algum desconforto. Sou dada às soluções absurdamente imediatas. Uma vez tentaram me convencer que a pressa era inimiga da perfeição. Quem quer a perfeição? A perfeição não tem do que se desculpar. Não tem vantagem para não contar, nada a esconder. Perfeição é coisa que não existe – graças a Deus. É o que respondo quando implicam com a minha pressa. Já respondo pra ser contraditada. Quero tudo e quero agora.



Quando achei que o mundo estava selvagem, resolvi fazer meu universo de poucos metros quadrados e porta fechada. Meu quarto é uma fortaleza, abrigo tudo nele. É seguro, Fort Knox do meu ouro. Espalhei velas, selecionei a trilha sonora. Ocupei todos os cantos com a minha baderna. Do meu mundo, sou Deus, esta é a minha maneira de ser onipresente. Retalhei tecido, pintei camiseta, li meus livros, dancei sozinha, recortei e colei coisas, desenhei, rabisquei, escrevi. A minha solidão é sempre muito cheia de mim.



A minha pressa é dessas imperfeições. É de mudar o rumo, esquecer o que eu tinha planejado. É estar disposta a fazer de outro jeito. É encontrar sempre o que fazer, não terceirizar a própria vida. É me bastar, mas sentir saudade, querer o cheiro e os dedinhos massageando as costas. Mandar mensagem sem sentido pra ficar perto quando os corpos estão longe. Eu sei que é bom estar sozinha, ando descobrindo que tem sido melhor quando estamos juntos. Somos dois imperfeitos empenhados a viver muito bem. A naturalidade como tudo tem acontecido é admirável. Tudo continua perfeitamente imperfeito, como a mensagem de boa noite mais surpreendente que alguém pode mandar. Eu ri muito.



Mas isso foi ontem. Hoje o mundo está absurdamente doce.



Eu juro pelos meus joelhos que eu sei parar.





Ora e Allora - Luciano Ligabue (porque eu adoro!)

Un conto è volere vedere le stelle,
Un conto è farsi guidare.
Un conto è saperle là in alto e lasciarle un pò fare.
Un conto è la rabbia che provi a 20 anni,
Un conto è la rabbia a 40.
Un conto che intanto non sembra cambiare mai niente.

Sai che ora e allora e ancora così
A rubare l'amore che si fa rubare.

Un conto è la mappa di tutti i locali,
Un conto è dovere star fuori.
Un conto è sentire che riesci a lasciarti dormire.
Un conto è svegliarti e sentirti già stanco,
Un conto è trovarla di fianco.
Un conto è sentire che il fuoco non è ancora spento.

Tanto ora e allora e ancora così
A rubare l'amore che si fa rubare.

Ora e allora e quando sarà
Su una fune sottile con il proprio stile.

Un conto è la vita che imposta il suo gioco,
Un conto è averlo capito.
Un conto è ripeterti spesso che sei fortunato.

Tanto ora e allora e ancora così a rubare l'amore che si fa rubare.
Ora e allora e quando sarà su una fune sottile con il proprio stile

3 comentários:

Carlos disse...

Entento, concordo, faço coro, assino embaixo!!!

Com uma ressalva: existe perfeição num pacote de biscoito...

Música Linda!!!

Mirella de Oliveira disse...

Ai, que lindo.
Li em voz alta, encantada.
Encantada, sim. Como sempre fico quando te leio. Me ensina a escrever assim?
hehehe

Beijos maravilhados...

Letras Saltitando disse...

e que seja sempre doce....
bjs