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fugiremos

Fugiremos. Culpados e condenados pela nossa sorte. Sorte de termos encontrado um ao outro. Sorte de conhecermos os limites e acenarmos para eles, lá de longe, de onde já ultrapassamos. Arrume a mala. Minha mochila já está pronta. Fugiremos loucos pelos cantos do mundo, interessados apenas na nossa alegria, semeando no caminho as risadas. Procurando nos olhos um do outro os caminhos, andando com os dedos nas curvas do meu quadril, me puxando pra esperar porque eu vivo correndo. Fugiremos porque tu me ensinas a parar às vezes, a respirar entre meus atropelos e os beijos sôfregos, entre murmuros e afagos. Entre a compressão dos meus dedos na tua mão.

Fugiremos. Aboliremos daqui os olhos curiosos, os que julgam, os que querem saber de nós. Viveremos na nossa pequena fuga sem planos a vida que decidirmos. Não haverá hora para nada. Não levaremos as acusações, os incômodos, as pessoas chatas e desprovidas de respeito. Abandonaremos os maus olhares, as más línguas, todo o mal. Subiremos no altar da nossa cama para pular no colchão. Faremos dos poucos metros quadrados nosso palácio. Relembraremos nossas histórias.

Fugiremos. Levando junto a nossa vontade de estar perto, nossos rumos e planos prontos para serem desfeitos. Sairemos para a praia, acabaremos na serra. Sairemos para a serra, acabaremos na praia. Pés na areia, pés nas nuvens, pés em qualquer lugar.

Nós dois não criamos raízes, temos asas para voar e voltar sempre ao mesmo pouso. Pousamos um no outro. Moramos em nós.

 Fugiremos condenados à felicidade. Fugiremos pelo prazer de não ficar em nada que nos traga infelicidade.

Fugiremos com a nossa indecência, permitindo um ser do outro, abrigados nas certezas, mastigando as dúvidas. Desejaremos as doçuras do bom dia às quatro da tarde. Dormiremos contando as estrelas. Fugiremos com a nossa audácia.

Pra onde quer que aponte o nosso nariz, por qualquer lugar que seja a nossa trilha, pra onde for a nossa fuga, jamais fugiremos do que levamos dentro. É amor.

Juntos, tudo.

Quando dois perdidos se encontram, melhor história.


Eu que amo vida cigana, encontrei um cigano tão lépido quanto eu.


Vamos fugir!
Deste lugar
Baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue...
Vamos fugir!
Pr'outro lugar
Baby!
Vamos fugir
Pr'onde quer que você vá
Que você me carregue...
Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Prá onde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum
Outro lugar qualquer...
Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol
Outro lugar ao sul
Céu azul, Céu azul
Onde haja só meu corpo nu
Junto ao seu corpo nu...
Vamos fugir!
Pr'outro lugar
Baby!
Vamos fugir
Pr'onde haja um tobogã
Onde a gente escorregue...
Vamos fugir!
Deste lugar
Baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue...
Pois diga que irá
Irajá, Irajá
Prá onde eu só veja você
Você veja a mim só
Marajó, Marajó
Qualquer outro lugar comum
Outro lugar qualquer...
Guaporé, Guaporé
Qualquer outro lugar ao sol
Outro lugar ao sul
Céu azul, Céu azul
Onde haja só meu corpo nu
Junto ao teu corpo nu...
Vamos fugir!
Pr'outro lugar
Baby!
Vamos fugir
Pr'onde haja um tobogã
Onde a gente escorregue...
Tô cansado de esperar
Que você me carregue
Todo dia de manhã
Flores que a gente regue...
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae...
Todo dia de manhã
Flores que a gente regue...
oooo ... ooo ..
Uma banda de maçã
Outra banda de reggae...

Comentários

Anônimo disse…
Perfeição!
Carlos disse…
Kukynha Amada, não consigo dizer nada diante dessa felicidade toda... Coisa bem BOA!!!

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