terça-feira, 19 de junho de 2012

pré-saudade: parte I




Eu que sempre amei domingo vou deixar que ele leve meu melhor sorriso. Vou deixar que me faça chover e empapar em lembranças todas as vinte quatro horas dos próximos dias. Andei acumulando as lembranças, estocando, para serem usadas quando a saudade mais sufocar. Não imagino a saudade não sufocando.
Não imagino a lembrança sem invadir meus sonhos, meu dia, minha noite. Não imagino as lembranças sem dividirem comigo o almoço ou repetir a sobremesa. Até agosto serão as fronhas dos meus travesseiros.

O que sinto hoje não tem nome. É uma mistura de orgulho pela coragem, de tristeza pela partida e de saudade antecipada. É uma falta de quem está aqui. É a saudade do meu coração que vai viajar.

Aprendi a amar um moço dos caracóis que me encontrou. Em sete bilhões de pessoas no mundo, ele conseguiu me achar. Nós conseguimos ser perfeitos apesar de nós, apesar dos nossos defeitos. 

Somos perfeitos porque somos um do outro como jamais fomos de alguém.

O primeiro amor não acontece na primeira série. Nem na adolescência. O primeiro amor acontece quando nos descobrimos capazes de amar alguém sem medida. Nunca chega. Há sempre mais. Ë sempre alegre cada vez que a porta abre ou ele adivinha quando chego no prédio. É sempre alegre o afago matinal nos cabelos enquanto ele me espia e volta a dormir.

A alegria mora em nós.

Na primeira noite que enroscamos os caracóis, descobrimos que as nossas escovas de dentes eram iguais. Descobrimos muitas outras coincidências. E diferenças.

E descobrimos que longe, mesmo quando distantes, nós nunca ficaremos. 

















Um Pro Outro
Lulu Santos


Foi bom te ver de novo aqui
A gente tinha mesmo tanta razão pra seguir
Fora o som dessa guitarra
A voz sempre rouca
E o coração na mão

Surpresa certa te encontrar
A tua onda pega bem mesmo em qualquer lugar
Até na esquina do pecado
O que for da vida não nos deterá

Nós somos feitos um pro outro
Pode crer
Por isso é que eu estou aqui
E não há lógica que faça desandar
O que o acaso decidir

Tanta certeza no olhar
Tamanha pressa de chegar a nenhum lugar
Só pra ter a sensação
De que a vida passa assim como um tufão

Nós somos feitos um pro outro
Pode crer
Por isso é que eu estou aqui
E não há lógica que faça desandar
O que o acaso decidir




Um comentário:

Fco disse...

Tens 30 anos com a sabedoria dos 100. Tua escrita desabrocha enquanto debochas do leitor que duvida de tamanha doçura. Há malemolência em ti. Mistura de mulher e menina, sentimentos embutidos. Apenas quem passou contigo alguns minutos conversando sabe que és real, que escreves a tua alma. A tua vida é desenhada em letras, este é o talento que tens, abrigo da tua genialidade. O mundo nunca conseguirá crer na tua transparência porque o mundo não crê nas sinceridades. És de verdade: aqui reside tua cruz. Fosse uma fingidora teria mais credibilidade. Aceitação. Não és. Melhor assim.
Abraço terno do teu orgulhoso mestre.