sábado, 28 de julho de 2012

centro


O centro é um lugar curioso, sempre igual, nunca igual. Pessoas gritam, esbarram, pisam, atravessam. Porto Alegre tem uma cidade dentro de outra cidade entre a Usina do Gasômetro e a Rodoviária. Quando viajo para outras cidades, além de escutar a rádio local, costumo gastar uma hora caminhando. Conheço algumas ruas, cumprimento as árvores, aprecio a brisa, identifico cheiros, furto sobras, fotografo janelas, analiso desconhecidos. Faço isso para criar intimidade com o local, não tem muita graça ser uma cigana passageira. Sou inquieta, porém carente. Minha vida de andarilho justifica a atenção que busco. Preciso me sentir abraçada, merecedora da chave da cidade. Confesso que pouco fiz isto na vida com o Centro de Porto Alegre. Prometo remir os dias de indiferença com duradouras caminhadas atentas. As pedras da Rua da Praia conhecerão o bater dos meus saltos.

Estou encantada com o Centro. Desligo o som porque preciso direcionar meus ouvidos para o que dizem as pessoas. Algumas atacam na rua perguntando se quero cortar o cabelo. Um outro perguntou se eu precisava de chip para celular. Respondi que não. Ele continuou:

- E um tênis Naquiem?
- Não, senhor.
- Ardidas?

Por cautela saí pela tangente antes que levasse para casa algum produto exclusivamente patenteado pelas marcas que os populares criam. De uma mesma pessoa você pode comprar uma coisa que pisca, uma coisa que grita e outra que se mexe. O cidadão que vende ioiô também vende cabo para carregar telefone no carro, meias felpudas e trufas de chocolate. Garante o saboroso recheio de morango com leite condensado. Sim, tudo eu pergunto.

Em uma portinha tem artigos religiosos, na outra filme adulto. Acredito que todos convivem bem. Tem churros, maçã do amor, cachorro quente convencional e outros tantos alternativos. Tendinha de cocada, rapadura, paçoca, marmelada, goiabada, figada e qualquer outra fruta que com açúcar possa ser digna de carregar o sufixo “ada”.
Ah, tem pombas. Mais educadas do que umas que me perseguiram numa calçada de Camaquã há um ano. As pombas do Centro são conscientes, fazem parte da paisagem. Olhando bem, elas fazem cara de paisagem. Não mendigam. Têm um ar aristocrático, caminham como se usassem sapato recém engraxado. Rebolam entre as cadeiras do Chalé da Praça XV. Elas não gritam entre si, cochicham zelando pela paz do almoço das pessoas.

E tem o Mercado Público. Lindo. Cada poeira é bonita. As antiguidades, os livros usados, as taças iguais às da minha avó, o bule esmaltado, a renda engomada, nem sabia o que eu olhava primeiro. Telefone de disco também tinha. Quase comprei uma máquina analógica para brincar com lomografia! Tem tudo. Tudo de tudo. Maçã seca, biscoito de polvilho, tâmaras e damascos. Banca só de linguiça e queijo. Até loja de peixinhos que pensei que nem existisse mais, tem. As pessoas que vão ao Mercado Público parecem mais vivas. Tem mocotó e tem sushi. O moço que empurrava o carrinho de lixo assoviava Roberto Carlos.

Durante um sorvete de maçã verde apenas analisei a cena. Quadro em movimento. Tudo se encontra, até promoção de ilusão na Banca 13. 




O moço do carrinho de lixo estava assoviando a música que postei abaixo. Da estação Mercado até a Canoas fiquei pensando em trezentos porquês possíveis. Criei mil histórias. Várias desilusões. 

Por isso as ilusões deviam estar em promoção. 

(PS.: Eu não desço na Canoas, apenas começo a prestar atenção na linha porque esses dias fiquei distraída, pensando se o tio da touca sentado no banco da frente era careca ou não. Quase parei em São Leopoldo.)

Falando Serio
Roberto Carlos

Falando sério
É bem melhor você parar com essas coisas
De olhar pra mim com olhos de promessas
Depois sorrir como quem nada quer

Você não sabe
Mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez
E tenho medo de fazer planos
De tentar e sofrer outra vez

Falando sério
Eu não queria ter você por um programa
E apenas ser mais um em sua cama
Por uma noite apenas e nada mais

Falando sério
Entre nós dois tinha que haver mais sentimento
Não quero seu amor por um momento
E ter a vida inteira pra me arrepender

sexta-feira, 20 de julho de 2012

perene


Infinito. Descobri nele o meu infinito. Soube encontrar o início, os milhares de caminhos, rotas alternativas, jamais o fim. Quanto mais encaro, mais me perco para que ele me encontre mais e mais e mais. A busca dele por mim também é infinita. Conhecer tantos dele quanto se apresentem e amar todos. Querer cada um deles, mil vezes ser apresentada aos mesmos que ele é. Mil vezes beijar todos, todas as manhãs.

Beber do vapor que os cabelos deixam espalhar depois do banho, enquanto ele desarruma os fios. Desalinha o figurino porque eu gosto assim, desalinha a minha vida porque sabe que eu nunca tive meio termo. Não preciso de centro certo ou limite. Preciso do pouso que tenho nele. E sei meu lugar seguro desde as primeiras horas, desde o primeiro carinho de pétala recente antes da pupila acordar abrindo a janela para a luz. E ele me distrai pelo caminho, me atrai pelo contorno e pela curva desenhada enquanto se estica na cama. E eu esguia, lânguida, terna, amena de brisa, madrugando mais tarde, florescendo entre os dedos dele que laçam os meus antes de dizer bom dia. Ele lança um olhar lhano que me faz saber que foi isso que me fez parar. Foi assim que me perdi tantas vezes, é por isso que me perco todos os dias nos pensamentos. Da hora que acordo até dormir, quando ele invade meus sonhos. 

Amo o infinito que tenho nele. Amo cada página dele. Viro a folha. Leio as palavras antes que sejam ditas e ainda assim ele me surpreende. Inspira, instiga, desafia, suspira contente com o meu sorriso. Desenho quando ele está em branco, tramo nele a minha história. Faço trança entre nós. Nós na minha garganta quando ele rouba o ar das minhas exclamações. Deposito minhas economias de carinho, faço dele minha caixa preta. Confio os segredos e as confissões. Escrevo nos muros dele, faço janelas novas, molho as plantas, as pálpebras e a língua. Adoro quando ele grita. Adoro quando faz troça. Adoro quando exibe nossos códigos. 

Permaneço porque é onde quero ficar. Sigo por qualquer caminho porque meu melhor destino é ele. Ainda que eu me perca para ele me encontrar. Ainda que faça escalas para respirar. Ainda que eu estique as pernas, que eu corra, caminhe ou voe. Daí eu penso nas vezes que eu quis fugir e o amor não deixou. Amor correspondido. 

Um dia você acorda, olha para o lado e sabe que é ele. Faz dele o caderno da infância, a primeira linha com risco de lápis. Faz dele o horizonte. A paisagem.

Ele afaga meu ombro, sonolento, seguindo meu cheiro até me completar ao alcance do tato. Jamais cansará de me encontrar. Mesmo que seja a cada manhã em cima da mesma cama por toda a nossa vida. Este é nosso único mapa. Ele me diz que sou a vida dele. Suspiro. 

Ele infinito, eu inesgotável. 
Somos mundo. Nosso mundo. 




Picture Of My Life - JAMIROQUAI 
(chuva em NY combina com esta música.)
(...dizem.)

I never had a dream that I could follow through
Only tears left to stain, dry my eyes once again
I don't know who I am, or what I'm gonna do
Been so long I've been hopelessly confused
This can never really end, its infinitely sad
Can someone tell me when
Something good became so bad
So if you have a cure
To me would you please send
A picture of my life
With a letter telling how
it should really be instead
The precipice is there
But will I ever dare
Throw myself in the sky, so at last I can die
See I've become a man
Who holds nothing too dear
Who will mind if I just disappear
This can never really end, it's infinitely sad
Can someone tell me when
Something good became so bad
So if you have a cure
To me would you please send
A picture of my life
With a letter telling how
it should really be instead


sexta-feira, 13 de julho de 2012

tangerina lírica antipoética ou apenas como tudo começou (sem prólogo)





“Qual tua hora favorita do dia?” perguntou o pastor durante a prédica. Eu não saberia responder. Meus dias não são fracionados em horas, eu vivo de momentos. Já expliquei mil vezes a dificuldade que tenho em me adaptar com o tempo cronológico, nossos ponteiros tic-tacam descompassados. Seleciono momentos como favoritos. Sou capaz de reviver alguns fechando os olhos e rindo sozinha. Escrevo muitos deles, cozidos ou crus, temperados ou não. Tenho essa liberdade de inventar a realidade que se esqueceu de acontecer. Escrevo para confessar. Não quero desabafar, nem me libertar, quero mesmo é me prender. Minhas histórias são a minha vida, em qualquer hora, em qualquer tempo. 


Confesso a intimidade sem maquiagem das minhas ideias. Meus pensamentos têm pouco pudor. Estão sempre fugindo, exibidos, pelados. Pedem exílio nesses parágrafos. Algumas lembranças não se contentam em morar apenas dentro de mim. É tempo de saudade, estação em que se muda o endereço. 


Como acontece no verão, nas férias, eu me mudo para o nível do mar. Funciono melhor com a maresia. E foi assim que ele resolveu atravessar a rua, do lado dos números pares para o lado dos números ímpares. Encantado. Encantador. Verão com noite de chuvisco gelado, ele chegou meio úmido. Não se importou que eu abri o vinho e rachei a rolha. Nem com o meu jeito afobado, fugindo pelos cantos dos olhares. Conversa emaranhada, mais do que o meu cabelo. Brinquei que precisava usar xampu para cabelos excêntricos. Reclamei que o sol faz meu ruivo virar tangerina. Ele me chamou de linda, pegando na minha mão. Fez um carinho discreto, quase tímido. Disse que ruivo é a cor mais bonita. Nem disfarcei que fiquei sem jeito. Passou rápido porque comecei a explicar que na faculdade fazíamos uma simpatia para a chuva parar quando precisávamos de sol: colocar um ovo no muro. Falei rápido, quase sem puxar o ar. 


Ele quis saber se eu havia feito isso. Apontei para o muro do terraço, onde estava o ovo, desde às três da tarde. Três da tarde não é a minha hora favorita do dia, mas foi uma boa hora para ir até o muro e largar cuidadosamente um ovo de galinha. Tive o zelo de encontrar uma posição que o vento não derrubasse. Em segundos estávamos na frente do muro, às gargalhadas porque ele havia colocado também um ovo. Agora tínhamos dois ovos no muro - dois ovos e muitas piadas até hoje. Quem diria que a primeira coisa que tivemos como nossa foi isso. Eu juro que no outro dia não choveu e fez um sol lindo. Mas antes disso, no meio do chuvisco, no terraço, na frente do muro, na frente dos ovos, mudou o tempo entre nós. Ele pegou de novo a minha mão com a dele, depois a minha boca. Com a dele. 


E eu só permiti porque nunca na vida alguém preferiu me beijar em vez de questionar minhas bobagens personalizadas. 


Dois perdidos se encontrando. 


Eu que sou mais de observar, que prefiro impor meu olhar lírico sobre tudo, mais do que apenas assistir os fatos, duvidei que era o que é. E se é. Porque depois do beijo, de mais outro e mais uns tantos, ele falava comigo e eu fui viajar. Ele nem imagina, mas peguei uma estrada de curva nos caracóis dos cabelos dele, segui com os olhos o contorno da boca e do maxilar, desenhando com a ponta dos dedos no granito. Depois desenhei de verdade no papel. Em um dos braços, perto da dobra, uns pelos crescem na contramão dos outros. O lábio inferior do lado direito tem uma parte mais carnudinha, que é onde encaixa melhor quando ele beija o meu ombro. Não poderia resumir essa noite, romance não tem prólogo. Aliás, amor só tem prólogo depois que acaba. 


Demorei em ceder e voltar a cabeça para dentro do apartamento. Precisei entender qual era o assunto no sofá. Sobre o que falávamos mesmo? Sobre o que ele falava? Mudei de rumo a conversa e perguntei o que era a tatuagem no braço. Ele disse. Eu ainda não sei. Não sei, porque eu prefiro imaginar. Quando ele me irrita diz: desculpa, vem aqui e me abraça. Quando vamos dormir diz: boa noite, eu te amo. Quando estou meio infantil imagino desenhos: um coelho de cabeça para baixo, uma cadeira e uns arbustos, como uma tela do Miró. Eu decidi que ele era mais simpático do que eu pensava. Mais intrigante. Mas não foi aí ainda que eu comecei a me apaixonar. Mesmo com as ameaças de que nós iríamos viver um amor. Mesmo quando ele me disse que eu iria amá-lo. Mesmo com ele dominando o território da sala e ditando a velocidade do ventilador de teto. 


Ele seguiu falando. Contou histórias, me convenceu de absurdos, discordou de mim, apresentou teorias. 


Daí ele contava qualquer coisa sobre a ida do home à lua. Eu abanava meus cílios encarando os olhos de espuma do mar que ele tem. Bêbada de hálito, enlaçada entre abraços, gracejos e sorrisinhos. Pensando se Ico é nome ou apelido, porque ele tem muita cara de Ico independente do nome. Não estava na lua dele, no homem dele. Eu estava na dele. Se foi ou não foi, se foram os russos, os americanos, se não foi ninguém... Só confesso meu lapso de atenção. Saí um pouco do mundo porque tenho este meu jeito poeticamente incorreto de ser. 


Nesse momento que eu guardo entre a segunda ou terceira curva do silêncio que ele fazia ao terminar as palavras, eu pensei: “vai ser um pecado se ele se chamar Frederico.” 


(PS.: notaram o tamanho do título? não foi pra fazer drama, é que não consegui decidir qual expressão usar sozinha...) 







Tangerine
Frank Sinatra

Tangerine, she is all they claim
With her eyes of night and lips as bright as flame
Tangerine, when she dances by, senoritas stare and caballeros sigh
And I've seen toasts to Tangerine
Raised in every bar across the Argentine
Yes, she has them all on the run, but her heart belongs to just one
Her heart belongs to Tangerine
Tangerine, she is all they say
With mascara'd eye and chapeaux by Dache.
Tangerine, with her lips of flame
If the color keeps, Louis Philippe's to blame.
And I've seen clothes on Tangerine
Where the label says "From Macy's Mezzanine".
Yes, she's got the guys in a whirl, but she's only fooling one girl
She's only fooling Tangerine!




sexta-feira, 6 de julho de 2012

demasia




Durante o inverno consumo mais café. Não porque é mais difícil ficar acordada, mas porque adoro ser acompanhada por uma caneca quentinha em tudo que faço. Em casa ou no escritório, uso o calor da porcelana como luvas. Antes de dormir, um chá. Também como mais chocolate. Percebi que quase triplico a quantidade. Por sorte sou ruim de engorde. Sou fuzilada por olhares. Detesto a pergunta “pra onde vai tudo isso?” Mais respeito com meu chocolate, ele não é um “isso”. Meu organismo já está acostumado com meus exageros. 


Nasci superlativa. 


Sempre ouvi a minha mãe dizendo que sou a rainha do exagero. Gosto muito, quero mais, mil vezes, incontáveis coisas, nada pra mim é um ou dois. Chego perto de ser teatral. Às vezes sou. Às vezes até apelo para o drama. Prometo nunca mais. Não me contento em morrer vez que outra, morro todos os dias. Agora, de saudade, ando morrendo todas as horas. Umas mil vezes. Ou mais. 


Tenho muitas pressas. Tenho muitas manias. Muito tudo. Sou curiosa. Agitada. Escrevo demais, desenho demais. Mudo tudo de lugar com frequencia. Espalho coisas por cima da mesa pra não cansar da paisagem. Como muito doce, bebo muita água. Exagero de propósito. 


Eu faço tempestade em colher de sopa. 


Não me contentei em casar uma vez só, casei várias vezes com o mesmo homem. Casei na janta, na hora de dormir, no meio do cinema, por mensagem de texto. Fui casando. Casei pela eternidade. Por todas as outras vidas, passadas ou vindouras. 


Exagero mesmo. Não ouso camuflar minhas intensidades. Abuso. Até no que falta sou demais. Tenho trinta abas abertas no computador, numa tela faço agravo e em outra apelo, masco chiclete, passo rímel e falo ao telefone, tudo ao mesmo tempo. O que prova que, para piorar a minha situação, ainda sou randômica e aleatória. 


Sofro de demasia. Não, não é em demasia. É de demasia mesmo. Inventei a doença caso precise de um atestado para transbordar. E mata! Porque enfermidade de exagerado é assi
m, fatalíssima. Pode matar mais de mil vezes. 


A demasia é grave. Muito grave. Se não tem CID, deveria ter. Não me permite nem fazer pela primeira vez uma coisa só. Explico: já confessei que nunca fui adepta das cartas de amor, que sou fã dedicada e atuante dos bilhetes. Pois bem, fui escrever pela primeira vez uma carta de amor. 


Escrevi dezesseis.



(e entreguei todas!)

HOJE com duas trilhas sonoras, as duas lindas. Uma óbvia, outra não. Um texto sobre exagero não podia ter só uma trilha sonora...

Escrevo-te estas mal traçadas linhas meu amor
Porque veio a saudade visitar meu coração
Espero que desculpes os meus erros por favor
Nas frases desta carta que é uma prova de afeição.

Talvez tu não a leias mas quem sabe até darás
Resposta imediata me chamando de "Meu Bem"
Porém o que me importa é confessar-te uma vez mais
Não sei amar na vida mais ninguém.

Tanto tempo faz, que li no teu olhar
A vida cor-de-rosa que eu sonhava
E guardo a impressão de que já vi passar
Um ano sem te ver, um ano sem te amar.

Ao me apaixonar por ti não reparei
Que tu tivesses só entusiasmo
E para terminar, amor assinarei
Do sempre, sempre teu...

Tanto tempo faz, que li no teu olhar
A vida cor-de-rosa que eu sonhava
E guardo a impressão de que já vi passar
Um ano sem te ver, um ano sem te amar.

Ao me apaixonar por ti não reparei
Que tu tivesses só entusiasmo
E para terminar, amor assinarei
Do sempre, sempre teu...

Escrevo-te estas mal traçadas linhas
Porque veio a saudade visitar meu coração.

Escrevo-te estas mal traçadas linhas
Porque veio a saudade visitar meu coração.

Escrevo-te estas mal traçadas linhas
Espero que desculpes os meus erros por favor
Meu amor, meu amor...


Letters From The Sky - CIVIL TWILIGHT

One of these days the sky's gonna break
And everything will escape and I'll know
One of these days the mountains are gonna fall
Into the sea and they'll know

That you and I were made for this
I was made to taste your kiss
We were made to never fall away
Never fall away

One of these days letters are gonna fall
From the sky telling us all to go free
But until that day I'll find a way
To let everybody know that you're coming back, you're coming back for me

'Cause even though you left me here
I have nothing left to fear
These are only walls that hold me here
Hold me here, Hold me here

One day soon I'll hold you like the sun holds the moon
And we will hear those planes overhead
And we won't have to be scared
We won't have to be, we won't have to be scared

You're coming back for me
You're coming back for me
You're coming back to me