quarta-feira, 26 de setembro de 2012

a defesa


Quando meu pai era criança falava alemão fluente. Quando adulto, aprendeu a falar inglês para morar fora do Brasil. Uma tarde, conversando com o meu bisavô – que só entendia alemão – percebeu que misturava as duas línguas. Hoje domina o inglês, quase não lembra do alemão. Por quê? Porque linguagem é uso. A nossa comunicação é baseada em símbolos de palavras ou gestos. Surgem consciente ou inconscientemente, mas sempre de acordo com o que usamos. Por isso é possível desaprender. Deseducar um hábito nos faz abandoná-lo. Às vezes ele escapa em um ato falho. 

A falta de insistência contribui para o abandono. 

Eu era fluente em inabilidades. Tanto em falar quanto em agir. Era omissa em ficar. Fugia. Nunca escondi, sempre falei a respeito, sempre alertava sobre a possibilidade de um sumiço. Muitas vezes terceirizava a culpa para não assumir a minha total falta de tato em relacionamentos. E a preguiça de ser diferente. O comodismo de não se envolver é tentador. 

Fugi porque eram os finais merecidos. Fiquei noiva uma, duas, três vezes, fugi. Fiquei de ligar e nunca encostei no telefone. Recebi mensagem e fiz que não vi. Marquei encontro e fui dormir. Errei o cinema para assistir ao filme sozinha, fui embora da festa sem avisar, pulei a janela, mandei outra no meu lugar, me escondi embaixo da mesa, corri quadras até a casa do melhor amigo, desliguei os telefones das tomadas, dei o endereço errado, deixei a chave de casa na caixinha do correio, fingi dor de barriga, disse que não gostei da cor da parede, disse que tinha morrido o papagaio que eu nunca tive e que o meu horóscopo havia aconselhado não sair de casa porque nossos signos não combinavam. Prometi sorrindo que eu ia, nunca fui. Sem mágoas ou arrependimentos, com medos e mais medos de me magoar, optava por magoar antes. Era a minha defesa. 

Rodin esculpiu uma estátua chamada A Defesa. Uma mulher com asas de anjo, gritando apesar do silêncio da pedra. Braços erguidos, punhos cerrados, irada, prestes a voar. A seus pés, um homem. Talvez se pense que Rodin quisesse fazer parecer que ela o defendia. No contexto histórico da escultura, com a França em guerra, aquele poderia ser um soldado, ou o próprio Estado. Eu acho que não. Acho que é caso de ato falho. Entendo que se a defesa quisesse realmente defender aquele homem, se postaria na frente dele, como seu escudo. E não precisaria de asas. 

A defesa é uma rua de mão dupla. Aquilo do que se foge pode ser a nossa liberdade. A defesa não defende ninguém pela luta, se defende pela fuga.  

Rodin era apaixonado por Camille Claudel. Uma paixão correspondida. Por questões sociais, o professor e a aluna jamais puderam assumir e viver o romance, o que a levou a uma suposta loucura. Sempre achei Camille muito mais brilhante que Rodin em todos os aspectos, mais sensível também. É provável que ela tenha servido de modelo para a defesa, como foi em tantas outras obra. É provável que ele não tenha resistido a lhe dar asas para fugir do amor impossível. A fuga e a liberdade. 

O que se sabe é que quando ela de fato fugiu, usando as suas asas, ficou louca, morrendo no isolamento. Liberdade não é redenção. Algumas defesas são a própria morte. 

Quando decidi ficar, eu já amava. Já tinha tentado fugir. Recolhi as minhas asas, parei de correr porque entendi que somente poderia viver sem esta defesa. Peito aberto, assumindo o amor e querendo. Admiti que sou capaz de ficar e que a minha liberdade é justamente esta escolha. Por sorte, encontrei um desaforado a altura, cujas peripécias, fugas e defesas rendem histórias tão boas quanto as minhas. 

Nossas inabilidades deram lugar à outra linguagem. Somos fluentes em nós mesmos. O que ainda não existe no nosso dicionário, inventamos. Fazemos neologismo do amor. Abandonamos o hábito do boicote, aprendemos a investir todas as nossas economias sentimentais um no outro. Aprendemos um com o outro a ficar porque queremos. Guardamos um no outro a nossa pátria, decretamos independência ao contrário, adotamos idioma próprio. 

Falamos amor em dialeto. 



Não consigo parar de escutar essa música: 

You Are The Best Thing - Ray LaMontagne
baby
it's been a long day, baby
things ain't been going my way
and now i need you here
to clear my mind all the time

and baby
the way you move me,
it's crazy
it's like you see
right through me
and make it easier
believe me,
you don't even have to try


oh, because
you are the best thing
(you're the best thing)
you are the best thing
(you're the best thing, baby)
you are the best thing
(you're the best thing, oooh)
ever happened to me

baby
we've come a long way
and baby
you know i hope and i pray
that you believe me
when i say this love
will never fade away

[chorus]
oh, because
you are the best thing
(you're the best thing)
you are the best thing
(you're the best thing, baby)
you are the best thing
(you're the best thing, oooh)
ever happened to me

both of us
had no love before
[to come on promising
like a spring
to walk on out the door]?
our words are strong
and our hearts are kind
let me tell you just exactly
what's on my mind


you are the best thing
(you're the best thing)
you are the best thing
(you're the best thing, baby)
you are the best thing
(you're the best thing, oooh)
ever happened to me



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

quer namorar comigo?


Meu filho pediu a coleguinha em casamento para o pai dela, mas não a pediu em namoro. Convencionou que são namorados. Ela não se opôs e eu quase morri. Contaram-me que ainda se pede em namoro. Eu não vi, mas me contaram que acontece. Há horas não tinha notícia de um pedido de namoro. Assim, formalmente perguntando: Você quer namorar comigo?

Outro dia um casal de amigos comentava que não tinha data para comemorar um ano de namoro, mas que devia ser por perto do carnaval. Passaram a se chamar namorados. A cláusula de exclusividade já tinha sido anteriormente convencionada. Lembro quando ele foi até a praia da Ferrugem. Destemido e decidido a voltar de lá com ela. Ofereci um tacape, um sonífero, um raio de amnésia. Ofereci cativeiro porque duvidei do sucesso, fiz planos de sequestro. Ofereci o ombro amigo caso voltasse despedaçado. Voltaram namorando sem pedido, sem aceite.

Desde sempre não se sabe quando o amor começa. Ou como. Existe um gatilho para amar? Uma bala certeira que nos faz morrer e estar mais vivo do que nunca? Existe um botão de luz que liga o amor? Acredito que não, quando se vê, já se ama porque o amor não tem começo. Quando se vê o amor já te acertou a queima roupa, já violou a pele, já iluminou o rosto, a sala. Já pulou a janela.

Não fui pedida em namoro, fui declarada assim. Convencionamos a data do primeiro beijo como dia de início, não porque nos importe, mas porque precisamos ter uma resposta afiada quando perguntam. Somos cúmplices nesta escolha. Respondemos o mesmo dia por eleição, em votação unânime e sem recurso. Usamos o calendário do celular para lembrar o dia exato.

Neste dia ele me pedia pra não o chamar pelo nome. Dizia “me chama de amor, porque daqui a um pouquinho já vai me amar”. Resisti. Por dois minutos, ou menos. O que é quase impossível diante de uma cara deslavada com ar de deboche de alguém que se declara rei do meu sofá e me faz ameaças.

Certo, amor. E assim foi. Desde o primeiro beijo, ele me chama de amor, eu o chamo de amor. Sem discussões. Se for preciso explicar, prefiro deixar que Clarice faça por mim:

Não me lembro mais qual foi nosso começo. 
 Sei que não começamos pelo começo. 
Já era amor antes de ser.


Não começamos. Apenas fomos, como somos e seremos. Não houve pedido de namoro porque nunca fomos outra coisa.  Ele não perguntou se eu queria ser dele, me pegou pra ele. O amor aconteceu, como não poderia deixar de ser. Adepta de bilhetes que eu sou, escrevi para registrar na primeira camiseta do nosso namoro: “já era amor antes de ser”.

Nunca foi outra coisa. Sempre foi o nosso amor. 




(é a única camiseta que fiz pra mim)


Mesmo que caia chuva lá fora, aqui dentro tem muito sol e saudade. 



SINATRA - SEPTEMBER RAIN

The leaves of brown came tumbling down 
Remember, in September, in the rain 
The sun went out just like a dying amber 
That September in the rain 

To every word of love I heard you whisper 
The raindrops seemed to play our sweet refrain 
Though spring is here, to me it's still September 
That September in the rain 

To every word of love I heard you whisper 
The raindrops seemed to play our sweet refrain 
Though spring is here, to me it is still September 
That September in the rain 
That September that brought the pain 
That September in the rain



terça-feira, 11 de setembro de 2012

desguardando


Limpar os armários não é uma terapia para mim. Já escutei alguém dizendo que sim, que relaxa. Eu não. Relaxo com banho de banheira, música, yoga, meditação, alongamento, cafuné. Arrumar armários, eu faço por obrigação. Passei as prateleiras em revista nas últimas semanas, o que resultou em caixas e mais caixas de artigos para a doação. Roupas, brinquedos, livros didáticos, material de informática. Tudo bom e funcionando, porém, sem uso. Apenas guardados. Sobraram gavetas vazias.

“Guardar, estraga”. Já disse Arnaldo Antunes. A frase rega minha boca para nascer um sorriso de quem concorda. Não sou de guardar o que está bom. O ruim é resto e resto vai para o lixo. Dou uso ao que é bom.

Há tempos tive um baú de guardados. Era pra onde varria algumas mágoas e cicatrizes. Aquilo que me dava preguiça de pensar, os nós da garganta que não desatei, novelos sem alinhavo. A vida melhorou depois que fui aprendendo a esvaziar o baú. É provável que aquilo que se varre volte. O que voltava me deixava em desagrado. Ciscos das cicatrizes, pó de mágoa. Manchas de lágrima em alguma página virada. A palavra solta ao vento com peso de pedra na vidraça. Hoje não guardo as mágoas nem na caixa de entrada dos e-mails. Lixo. Não gostei, não preciso. Fora.

Mas o que é bom não se guarda, pra não estragar. O que é sincero, verdadeiro e forte merece ver o sol. Merece deixar o vento levar além, ganhar o mundo. É voz de veludo levada, multiplicando a sensação de coração quente. É romance lido no pé da árvore no início da primavera. É o cheiro do jasmim na noite. O cheiro do amor na ponta dos dedos para levar o dia inteiro junto.

Confio nisto, acredito que esta seja a pedra fundamental da bondade, ensinada desde os tempos bíblicos. Multiplica a palavra boa. Não guarda o bom exemplo, transmita o bem. Demonstrar afeto e amor causa epidemia. Dá nova dimensão. Amor se pendura no varal para que possa ir além. Amor leva de brinde a felicidade onde nem se imagina.

Sou fã da felicidade alheia. Gosto das pessoas sorrindo. Acho bonito quando me contam sobre a paixão, quando as mãos ficam inquietas porque estão simulando o momento. Lembrar é viver de novo.

Hoje estava lembrando do quanto é bom ficar de bobeira com quem eu amo. Pensando na maneira como os assuntos fluem e variam. Iniciamos conversando sobre música, acabamos em piadas de pontinhos, sendo que antes falamos de política e guerra. Trocamos confissões ao pé da boca, entre um e outro beijo.

Nosso amor é explícito. Já fomos descobertos pela família na maneira como nos olhamos durante o jantar. Espalhamos nosso amor para ele ir além. É a conquista do território. Mesmo nosso silêncio entre suspiros espalha amor. Assina a certeza: é amor.

Não guardamos o que é bom.

Nos doamos o que temos de melhor. Somos cúmplices, inclusive nessa dor da saudade. Descobrimos que entre nós há honestidade de sentimentos e verdade de paixão. Que isso multiplique e vá além. Jamais conseguiremos guardar, é muito grande, não cabe no nosso lar. 

Por isso ganhamos o mundo, semeando os grãos de todos esses sentimentos por onde passamos, passaremos e passarinhos. 





Fomos feitos um pro outro, podiscrê. 





Pequeno pê ésse: a frase do Arnaldo Antunes faz parte de um livro dele que é só cartazes de frases. Ele organizou as frases com as palavras em posições que podem ser lidas de qualquer maneira. O nome é PALAVRA DESORDEM. E tem uma outra frase que eu adoro: VIVER NÃO TEM VOLTA.  Já agradeci a Deus por isso! 

Música que eu aaaaaaaaaaaamo:

Pedido De Casamento
Arnaldo Antunes

Eu sei que a gente ia ser feliz juntinho
Pra todo dia dividir carinho
Tenho certeza de que daria certo
Eu e você, você e eu por perto

Eu só queria ter o nosso cantinho
Meu corpo junto ao seu mais um pouquinho 
Tenho certeza de que daria certo
Nós dois sozinhos num lugar deserto

Se você não quiser
Me viro como der
Mas se quiser me diga, por favor
Pois se você quiser
Me viro como for
Para que seja bom como já é

Eu sei que eu ia te fazer feliz
Dos pés até a ponta do nariz
Da beira da orelha ao fim do mundo
Sugando o sangue de cada segundo

Te dou um filho, te componho um hino
O que você quiser saber eu ensino
Te dou amor enquanto eu te amar
Prometo te deixar quando acabar

Se você não quiser
Me viro como der
Mas se quiser me diga, meu amor
Pois se você quiser
Me viro como for
Para que seja bom como já é


domingo, 2 de setembro de 2012

bandeira branca, amor


Meu sonho de consumo era uma cozinha com trincheira. Com arames farpados em volta, parados e artilharia pesada ameaçando ataque de qualquer semovente que ousasse tentar ultrapassar a porta. Não, não sou uma neurótica da Primeira Guerra Mundial, nem uma estrategista francesa. De francesa só tenho a paixão por beber um bom Bordeaux! Sou apenas uma convicta pilota de fogão. Amo cozinha. De todas as funções de Amélia, cozinhar é a que eu mais sei, a que eu mais gosto.

Eu adoro modificar receitas antigas, inventar coisas diferentes, testar ingredientes novos. Estou mexendo uma panela, largo, vou na horta, busco uma coisinha e melhoro o sabor. Sou do improviso culinário. Admito minhas fraquezas: pudim e arroz solto, não sei fazer. Confesso sem medo a arte de transformar todos os restinhos de geladeira em banquete. Acontece que na minha casa todos são assim. Então, desde que alcancei pela primeira vez no fogão, com ajuda de um banquinho para esquentar leite para o meu próprio mingau de aveia – com canela - alguém se intromete. Mãe, pai, irmã, gatos. Nunca existiu privacidade na minha vida culinária. “Vai empelotar”, dizia minha mãe.

Esses dias fui fazer couve: “corta mais fino, tira o talo”. Outra hora fui fazer cobertura para o bolo: “mexe em sentido horário para não atrasar a vida”. Sem falar no meu pai que sempre diz que carreguei na pimenta quando eu nem olhei para o moedor. “Ah, então foi gengibre”. Outra coisa: não posso virar as costas que escuto as tampas das panelas. Minhas panelas não são Big Brother, não quero espiadinhas!

Estudei na faculdade de psicologia que a cozinha é a representação da família dentro da casa. Acredito. A minha é minúscula e todos se aglomeram ali pra conversar. Mas nem mesmo essa apelação psicológica e sentimental me fez desistir do meu sonho de consumo. Talvez um segurança na porta já fosse suficiente... Porém, a apelação bélica me parece mais lírica. Em vez de avental, panóplia, escudo, elmo!

Eu gosto de paz e sossego quando cozinho. Prefiro a companhia de uma taça de vinho, uma musiquinha para dançar entre um e outro ingrediente. Por isso no meu aniversário, em janeiro deste ano, resolvi cozinhar na cozinha da parte dos fundos. Não fazia um mês que eu estava namorando e ele viria para o jantar. Inventei um filé no forno, com cogumelos, espinafre. Fiz um arroz levemente picante, uma salada. Fiz sobremesa. Servi vinho devidamente harmonizado. Ele amou. Comeu e repetiu. Depois repetiu mais uma vez. Até hoje se derrama em elogios.

A segunda vez que fui cozinhar para ele, não foi na minha casa. Foi no apartamento dele – não vou comentar sobre a completa ausência de utensílios básicos e necessários. Ele queria filé com molho de mostarda, me propus a fazer. Saímos, compramos os ingredientes, voltamos, abrimos um vinho. Eu, convicta da confiança culinária que ele depositara em mim, nunca pensei que ele fosse palpitar na cozinha. Pois foi eu começar o molho, ele saltou: “vamos colocar essas mostardas aqui também”. E borrifou dentro da minha panela dois restos de mostarda indigentes que moravam há anos a porta da geladeira. Mostardas indigentes na MI-NHA – a separação das sílabas socorre o drama – panela de molho.

Quase confessei que era vegetariana! Não por desaforo, mas por intimidade mesmo. Eu camuflava meu vegetarianismo porque acho que isso sempre assusta as pessoas. Isso é uma informação que só dou depois de um tempo de convívio. É como dormir de meias, ninguém dorme de meias na primeira vez que passa a noite juntos. Hoje em dia, meu namorado coloca as meinhas nos meus pés geladinhos à noite.

Essa dedicação amorosa vem com a intimidade.

É a intimidade que permite certas ousadias dentro dos relacionamentos. Como, por exemplo, se transformar no monstro da espuma durante o banho, admitir que usa sempre o mesmo tipo de cuecas ou jogar dois tipos de mostardas esquecidas dentro da minha panela. Agora a pior parte: ficou ótimo. Ficou tão bom que eu repeti!

Depois disso, levantei a bandeira branca para ele. Na cozinha, é minha tropa aliada. Pode fazer festa nas minhas panelas, mexer, borrifar o que bem entender. Sou conivente. Quando cozinhamos juntos, tudo fica melhor. Somos ótimos juntos!

E quer saber? Assim também é na minha vida. O tempero dele deixa tudo com mais sabor. 


Delícia da vida! 

Delícias do Grand Central Market





Janta
Marcelo Camelo

Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer, mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Eu ando em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that I am sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together

'Cause I can forget about myself
Trying to be everybody else
I feel alright that we can go away
And please my day
I'll let you stay with me if you surrender

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
(I can forget about myself
Trying to be everybody else)
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
(I feel all right that we can go away)
Pode ser a eternidade má
(And please my day)
Eu ando sempre pra sentir vontade.
(I'll let you stay with me if you surrender)