domingo, 25 de novembro de 2012

lado errado


É sabido por toda a população mundial que eu tenho problema com comandos de direita e esquerda. Já inventei as maiores desculpas do mundo: não me ensinaram na escola, sou canhota, sou ambidestra, tanto faz, no meu mundo a direita é pra cá, o quê? Tudo. Meu namorado percebeu da primeira vez que dirigi com ele do lado. Adotou a tática de falar em inglês, turn left, turn right. Por algum motivo, funciona.

Chegamos na nossa rua em Nova Iorque pela Segunda Avenida. Pegamos um táxi no aeroporto porque estávamos com pressa. Milhas ou quilômetros demoram demais quando precisamos matar a saudade. Dividimos o banco de trás, os fones e os abraços. O apartamento ficava na Rua 84. Ou seja, chegamos pela esquerda do prédio. Porém, a vida em Nova Iorque abria as portas para nós pela direita.

Já explico.

Saindo do nosso prédio, dobrando à direita, a rua acabava no Central Park, passando pela Lexton, onde tem a estação do metrô na esquina da 86. Daí a gente ganhava a cidade. Eu sempre saía do prédio e dobrava à esquerda. Sempre. Ico me guiava pela cidade, escolhia os lugares legais, os programas, coisas que estava esperando por mim para fazer, coisas que decidíamos na hora e outras tantas que nós improvisávamos. Porque sem isso, de decidir fazer uma coisa e fazer outra é a nossa cara.

Fui motivo de deboche matrimonial diário errando o lado da rua. Até que um dia, ele saiu antes de mim e ficou me esperando na calçada, na frente da porta de vidro. Apontava para a direita com os dedinhos, ensaiando uma dança, fazendo aquela cara de pândego. Ok. Direita, entendi.

Ele é meu GPS. Pra todas as minhas faltas de rumo: namorado. Se eu me desencaminho, ele me ajeita. “Pra lá!” Isso quando não sai andando, me arrastando pela mão. Eu só sigo o fluxo dele, por sorte tenho essas pernas compridas. Assim foram todas as vezes que saí do apartamento, se estava sozinha, percebia que tinha saído para o lado errado na esquina. Se saía com Ico, ou ele esperava eu ir para a esquerda para rir “Amor, onde vai?”. Ou ele já me apontava antes.

Bacana mesmo foi uma vez que saímos de mãos dadas e cada um foi para um lado. Ele só balançou a cabeça sacudindo os caracóis. Mas depois que eu acertava o lado, não me perdia mais.

No dia que fui embora, ele saiu antes e me esperou na calçada com as malas. Eu saí do prédio e virei para a direita. Fui pensando enquanto caminhava no corredor “direita, direita, não posso esquecer...”

Dei dois passos e ele não me acompanhou. Voltei.

- O que foi?
- Vamos pegar o táxi para o aeroporto na Segunda.

Fomos pela esquerda. Meu GPS é um trapaceiro.
Mas me abraça forte na hora de dizer tchau. 


(que saudade!)








Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am home again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am whole again

Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am young again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am fun again

However far away
I will always love you
However long I stay
I will always love you
Whatever words I say
I will always love you
I will always love you

Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am free again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am clean again

However far away
I will always love you
However long I stay
I will always love you
Whatever words I say
I will always love you
I will always love you



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

mil anos


A insônia me rende longos períodos de silêncio. Finjo que estou dormindo. Tento convencer o sono a voltar. Não adianta. Acordei às três da manhã. Três horas e meia antes do horário que programei o despertador.

Depois de ter a certeza que não voltaria a dormir, revirei as gavetas da cabeça atrás de alguma coisa que ocupasse o pensamento. Bélgica. Foi nisso que eu pensei. Porque quero comer chocolate belga direto da fonte. Não direto do mercado. De preferência sentada na frente do Leão de Waterloo, depois de subir os duzentos e tantos degraus, teorizando sobre por que Napoleão perdeu a guerra. É uma coisa que eu queria fazer antes de morrer. Assim como também queria comer de novo as maçãs de Fraiburgo, em Santa Catarina. Direto do pé.

Por falar em pé, queria andar a pé por toda Paris. E queria usar chapéu. Fazer careta para todos os doces com manteiga. Também queria perder o medo de montar. Na verdade, não é medo, tenho um pouco de dó do bicho. Queria que o cavalo me convencesse que eu podia subir. Ah, queria andar de camelo, de elefante e de lhama. Mas não no mesmo dia.

Quero ver o amor ficar velho. Quero amar ainda assim e dar bom dia todas as manhãs.

Antes de morrer também quero acordar um dia e dizer: hoje eu vou ser feliz. Ter de verdade vinte e quatro horas de alegria por decisão. Sempre que eu sou feliz é sem querer. Nunca é planejado. Queria coisa de marcar na agenda, de fazer lembrete no celular: hoje é dia da felicidade.

Antes de morrer também queria nadar sem roupa no mar. De noite. Quero adotar mais alguns gatos. Quero ensinar o Eduardo a empinar pipa e contar pra ele coisas que eu descobri sozinha para economizar tempo e gastar surpresas em coisas mais interessantes. Quero morar com a minha família em Nova Iorque, descobrir onde fica a casa do Paul Auster e plantar uma horta de tempero. Quero ter gerânios nas janelas e gérberas na mesa de jantar. Quero fazer um montão de coisas simples que sejam boas.

Antes de morrer quero falar muitas vezes do amor que eu sinto para quem eu amo. Quero aprender a surfar e acender a lareira. Fazer pudim e arroz solto não. Mas acender a lareira seria útil. Também queria plantar um pé de pitanga mais pela palavra do que pela planta. Também quero fazer boneco de neve daqueles de colocar nariz de cenoura. 

Preciso fotografar mais escadas. Mais janelas. 

Já pensei em ir para o Tibet, mas tenho medo de não voltar mais. Desisti. 

Fiquei pensando em tanta coisa pra fazer antes de morrer que vou ter que viver muito. Vou ter que viver mais e melhor. Depois pensei em tanta coisa que eu já fiz. Tanta gente que veio e foi. Tanta gente que veio e ficou. Pensei em todos os muros que eu já pulei, todas as vezes que viajei só com uma mochila, quando contei até as moedas da minha mesada. Pensei nas árvores que escalei, nas longas caminhadas, nas conversas jogadas fora, naquelas que eu guardei. Nas artes que eu já fiz, pessoas pra quem dei orgulho, pessoas pra quem dei decepção.

Pensei na primeira vez que o Eduardo sorriu e na primeira vez que a minha irmã disse o meu nome, em todos os sorrisos dos meus pais dançando juntos na sala.

Eu já dei muito trabalho.
Já carreguei nas costas o peso do mundo.

Lembrei de quando eu dormi abraçada. De quando caminhei de mãos dadas, de quando disse eu te amo sendo verdade e olhando nos olhos. Lembrei de quando escutei no meio da noite, com sussurro no ouvido depois de ajeitar meu travesseiro e arrumar minhas cobertas. Lembrei do banho de banheira para afogar as minhas mágoas, da geladeira com água e mostarda velha, de procurar perfume na roupa usada e conhecer o lugar favorito.

Já vivi mil anos.
Viverei outros mil. Ou mais. 





Se alguém
Já lhe deu a mão
E não pediu mais nada em troca
Pense bem, pois é um dia especial
Eu sei
Que não é sempre
Que a gente encontra alguém
Que faça bem
E nos leve desse temporal
O amor é maior que tudo
Do que todos até a dor
Se vai
Quando o olhar é natural
Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
Acordei nesse mundo marginal

Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
Me traz força pra encarar tudo
Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
Me traz força pra encarar tudo
O amor é maior que tudo
Do que todos, até a dor
Se vai quando o olhar é natural
Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
E acordei, na terceira Guerra Mundial.

Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
Me traz força pra encarar tudo
Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
Me traz força pra encarar tudo...

Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
Me traz força pra encarar tudo
Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
Me traz força pra encarar tudo!


domingo, 18 de novembro de 2012

estequiometria


Prova de química. Nem barata, nem abismo, nem escuro, fantasma, zumbi, homem do saco ou ambrosia. Eu tenho medo de prova de química. É meu pior pesadelo. Ainda acordo apavorada no meio da noite porque não sei cálculo estequiométrico. Era o meu pânico na adolescência. Fazia-me pensar que se Lavoisier e Proust não tiveram uma péssima morte, mereciam ter. Lenta e dolorosa, como eram os meus domingos antes das provas. Aliás, deve haver uma explicação sobre por que as aulas de química sempre eram nos primeiros períodos de segunda-feira.


Cálculo estequiométrico foi a experiência mais próxima de tortura que eu já tive. No segundo grau uma adolescente tem um mundo para explorar. Vive a experiência de poder voltar para casa depois da meia-noite, de comer sorvete, chocolate e paçoca misturados sem contar as treze mil e quinhentas calorias que têm no pote. Uma adolescente de quinze anos descobre que moletom e tênis é traje adequado para qualquer ocasião, que meninos não são inimigos mortais, que depilar as pernas não é uma obrigação e que – na ausência de uma chapinha – é possível alisar o cabelo com o ferro de passar. Sem falar no primeiro amor platônico, no segundo, no terceiro, nas paixões platônicas semanais. Era muita coisa para pensar. Era muita coisa para viver. E o cálculo estequiométrico ali, me preocupando mais do que espinha na testa.


Cantar Faroeste Caboclo inteirinha era mais fácil do que descobrir quantos mols reagentes tinha a equação. O professor não ajudava nenhum pouco. Além de grosseiro, não tinha a menor didática. Chato, fedorento, seboso. Nunca conseguiu me dar um bom motivo para simpatizar com química. Nunca carreguei uma tabela periódica com a mesma alegria que carregava os dicionários. Era a idade de revirar as prateleiras mais no fundo da biblioteca, censuradas até a oitava série. Química era soprar a tinta da caneta bic no esmalte transparente para pintar as unhas de azul. Ou testar alguma receita bombástica de brigadeiro atômico com plus de leite condensado.


Quando se tem uma matéria chata e o professor é bom, até por consideração há um esforço do aluno. Mas nesse caso, era um festival de desaforos em regra de três: se eu odeio química, a química é um saco e o professor é péssimo, igual a XIS. Neste caso XIS era o mais completo caos! Eu não sabia equilibrar o reagente em excesso, adorava os excessos. Respondi isso numa prova... A correção veio com muitos círculos vermelhos e a seguinte observação do malfeitor: AÇÃO E REAÇÃO, NUNCA ENTENDERÁS A QUÍMICA DAS MISTURAS.


Talvez ele não estivesse errado, nunca entendi. Nunca me fez a menor falta na vida. A minha mistura favorita não depende de entendimento. As massas são cheias de excessos que não impedem qualquer ação ou reação:

Eu mais ele é igual a muita química. E algumas explosões.
Fugimos das fórmulas. 





And I Love You So - ELVIS

And I love you so,
The people ask me how,
How I've lived till now
I tell them I don't know

I guess they understand
How lonely life has been
But life began again
The day you took my hand

And yes I know how lonely life can be
Shadows follow me
The night won't set me free
But I don't let the evening get me down
Now that you're around me

And you love me too
Your thoughts are just for me
You set my spirit free
I'm happy that you do

The book of life is brief
Once the page is read
All but love is dead
This is my belief


sábado, 10 de novembro de 2012

escada


O impulso de viver traz junto o medo da morte. Nossas evoluções acontecem assim, através do desejo e do medo. São as duas faces da mesma moeda. Um desejo realizado, um medo de perder. Um medo concretizado, um desejo de salvação. Esta é a ideia freudiana do jogo de Eros e Tânatos, impulsos de vida e morte, que leva as pessoas à evolução, que seria uma espécie de subida de escada em busca de uma perfeição, geralmente atribuída a Deus.

Talvez essa ideia tenha sido gerada pela passagem bíblica do antigo testamento, onde Jacó sonha com uma escada ligando a terra e o céu. Lá em cima, Deus. Nos degraus, subindo e descendo, os anjos mensageiros. A escada se transforma, assim, em um canal direto entre o humano e o divino. Subir a escadaria, evoluir, desejar, vencer o medo, tudo para que o ser humano esteja mais perto de Deus.

Este ano, quando fui para Buenos Aires, fotografei várias janelas interessantes. Lindas. Sempre tive adoração, já comentei isso outras vezes. Tenho uma coleção bem gordinha de fotos de janelas que eu tiro por aí. Mas, durante essa viagem, as escadas começaram a me agradar muito. Acho que a foto mais linda que meu namorado e eu tiramos durante a viagem foi numa escadaria perto da Recoleta.

Ultimamente ando parando no meio da rua mais pelas escadas do que pelas janelas. Conto os degraus, aprecio a vista de cima, depois de baixo, elejo meu andar preferido. Gosto daquelas que têm história, jardim de musgo, rachaduras como rugas, imperfeições que o tempo deixou de lembrança.

Rembrandt pintou um quadro chamado FILÓSOFO MEDITANDO. Curiosamente, o filósofo está sentado embaixo de uma escada em espiral. Ele olha perdidamente para as mãos, em frente a uma janela por onde entra toda a claridade da tela, que ilumina apenas ele e a escadaria que vai do chão até o infinito – não se vê o fim. Interessante é que atrás dele tem uma portinhola fechada. A janela está aberta e clara. Talvez ele concordasse comigo sobre a importância de abrir mais as janelas do que as portas! Do outro lado do quadro, uma mulher atiça o fogo na lareira, mas a luz nem se compara com a que entra pela janela.

E a escada ali, em espiral, no meio da tela, posição de destaque. Sem dúvida essa luz que entra pela janela – como eu digo que o amor faz – conduz o filósofo do plano mundano até o infinito e divino, através da escada. As evoluções são alcançadas a cada degrau. A luz divina guiando a subida.

Comentei com o meu namorado, numa dessas noites, que ando viciada nas escadas, tanto ou mais que janelas. E que isso começou com ele, lá em Buenos Aires. No auge da sabedoria que ele tem – e cada dia mais me apaixono por isso – ele me disse que a explicação era muito simples. Sempre adorei as janelas para poder fugir por elas. Agora, não quero mais fugir. Quero ficar e cada hora ser mais feliz. É uma evolução através da escada da vida.

Concordo e complemento:

O amor entrou pela janela. Nós estamos subindo as escadas.
Porque amar é divino. 

Rembrandt, Filósofo na janela.


SIM! SIM! SIIIM! ADORO UM CLICHÊ MUSICAL!

Esperando Na Janela
Cogumelo Plutão

Quando me perdi
Você apareceu
Me fazendo rir
Do que aconteceu
E de medo olhei
Tudo ao meu redor.
Só assim enxerguei
Que agora eu estou melhor.

Você é a escada da minha subida,
Você é o amor da minha vida,
É o meu abrir de olhos do amanhecer,
Verdade que me leva a viver.
Você é a espera na janela,
A ave que vem de longe tão bela,
A esperança que arde em calor,
Você é a tradução do que é o amor.

E a dor saiu;
Foi você quem me curou.
Quando o mal partiu
Vi que algo em mim mudou
No momento em que quis
Ficar junto de ti
E agora sou feliz,
Pois lhe tenho bem aqui.

Você é a escada da minha subida,
Você é o amor da minha vida,
É o meu abrir de olhos do amanhecer,
Verdade que me leva a viver.
Você é a espera na janela,
A ave que vem de longe tão bela,
A esperança que arde em calor,
Você é a tradução do que é o amor.

Quando me perdi
Você apareceu
Me fazendo rir
Do que aconteceu
E de medo olhei
Tudo ao meu redor.
Só assim enxerguei
Que agora eu estou melhor.
Estou melhor!




sábado, 3 de novembro de 2012

para onde vão os guarda-chuvas?


Ele sempre soube. Acredito em amores imediatos, acredito em quem ama antes mesmo de perceber que ama. Ele conta que sabia antes que eu soubesse. Na primeira vez que pôde, me apontou equívocos. Corrigiu a direção para onde apontava o meu nariz, me beijou sem permissão. Eu gostei. Concordou que ser livre é diferente de não ter alguém, mas que é escolher ao lado de quem estar. Então eu soube de verdade. 

Jura que já sabia do nosso destino quando me viu em uma foto. Eu juro que acredito. Às vezes ele é mago, vidente, adivinho.

Ele me disse que queria estar comigo. Eu sorri da cozinha até a sala, em todos os degraus da escada. Havia muita luz na noite. A chuva espiava pela janela, curiosa com os assuntos que ocupavam o sofá inteiro. A mão dele grampeou a minha. Nasceram hábitos ali. Ele me cheira ainda igual. Percorre do meu braço ao pescoço com fungadas e suspiros, murmurando palavras que eu nunca entendo o que são. Mas são de amor.

O amor não precisa falar claro, faz assim de propósito para que pergunte. Quer se explicar, quer repetir para reafirmar. Fala em dialeto, fala com os olhos, com a respiração. Desenha com a ponta dos dedos nas costas. Reitera os desejos, depois muda, inova nos carinhos, puxões de orelha. Chama a atenção por detalhes. Não existe sem detalhes. Ele interpreta meus miados e fica mais perto quando pisco os olhos.

Esse amor que vem com a paixão embutida traz nos bolsos o próprio incêndio. Ele precisa ser inflamável. Lareira do inverno. Sol do verão. Sorriso de bom dia e fogo no colchão. É egoísta, não pretende dividir as atenções. Desdenha da lógica das relações, das programações de finais de semana. O corpo veste cola para dormir, na boca, imã. Pálpebra em pétala, cheiro de pele, olhos de espuma do mar, caracóis que se enroscam em espiral onde o vento mandar. É coisa de alma. É devoção. É divino. É insano. É o corpo que harmoniza gosto com sentimento. O abraço de infinito que acontece a cada instante. 

Amar o amor. Amar até o amor que ele dá. Amar depositar nele todo o amor que há. Receber tudo sem cobrar. O amor faz combinar de guardar o filme de um dos melhores beijos. Guardamos não como segredo, guardamos como  cartas de amor que são lidas nas horas de saudade. Somos impacientes, esperando cada passo do segundeiro. Vivemos felizes em sintonia, em sinfonia, em jazz, em rock e um pouco de música brega. O tempo passa estranho, o mundo é diferente, a fé mudou. Reconhecemos nós mesmos um no outro. Nós nos apresentamos, muito prazer. 

 Aprendemos a amar juntos, mesmo longe. Dividimos o céu que nos cobre e todos os momentos. 

Para onde vão os guarda-chuvas? Não sei. O título só é este porque no meio de uma das nossas conversas – e risadas – sobre tudo e nada, ele me sugeriu  “amor, por que tu não colocas o título de um dos teus textos: para onde vão os guarda-chuvas?”.

O amor não faz sentido. Quer dar explicação. 



I Love You, Yes I Do
Dinah Washington

I love you, yes I do,
I want you, yes I do,
I know you know it's true
From the way I look at you.

You love me, yes you do,
You need me, I need you;
That's why I'm never blue
Since I first laid eyes on you.

I guess you knew it from the start,
From the day you took my heart,
You're the one boy I'll always admire.
Darling, you're my guiding star,
I must be where you are,
You set my soul on fire!

I miss you, yes I do,
Must hug and kiss you too,
I'm yours my whole life through!
I love you, yes I do.

I guess you knew it from the start,
From the day you took my heart,
You're the one boy I'll always admire.
Darling, you're my guiding star,
I must be where you are,
You set my soul on fire!

I miss you, yes I do,
Must hug and kiss you too,
I'm yours my whole life through!
I love you, yes I do.