domingo, 18 de novembro de 2012

estequiometria


Prova de química. Nem barata, nem abismo, nem escuro, fantasma, zumbi, homem do saco ou ambrosia. Eu tenho medo de prova de química. É meu pior pesadelo. Ainda acordo apavorada no meio da noite porque não sei cálculo estequiométrico. Era o meu pânico na adolescência. Fazia-me pensar que se Lavoisier e Proust não tiveram uma péssima morte, mereciam ter. Lenta e dolorosa, como eram os meus domingos antes das provas. Aliás, deve haver uma explicação sobre por que as aulas de química sempre eram nos primeiros períodos de segunda-feira.


Cálculo estequiométrico foi a experiência mais próxima de tortura que eu já tive. No segundo grau uma adolescente tem um mundo para explorar. Vive a experiência de poder voltar para casa depois da meia-noite, de comer sorvete, chocolate e paçoca misturados sem contar as treze mil e quinhentas calorias que têm no pote. Uma adolescente de quinze anos descobre que moletom e tênis é traje adequado para qualquer ocasião, que meninos não são inimigos mortais, que depilar as pernas não é uma obrigação e que – na ausência de uma chapinha – é possível alisar o cabelo com o ferro de passar. Sem falar no primeiro amor platônico, no segundo, no terceiro, nas paixões platônicas semanais. Era muita coisa para pensar. Era muita coisa para viver. E o cálculo estequiométrico ali, me preocupando mais do que espinha na testa.


Cantar Faroeste Caboclo inteirinha era mais fácil do que descobrir quantos mols reagentes tinha a equação. O professor não ajudava nenhum pouco. Além de grosseiro, não tinha a menor didática. Chato, fedorento, seboso. Nunca conseguiu me dar um bom motivo para simpatizar com química. Nunca carreguei uma tabela periódica com a mesma alegria que carregava os dicionários. Era a idade de revirar as prateleiras mais no fundo da biblioteca, censuradas até a oitava série. Química era soprar a tinta da caneta bic no esmalte transparente para pintar as unhas de azul. Ou testar alguma receita bombástica de brigadeiro atômico com plus de leite condensado.


Quando se tem uma matéria chata e o professor é bom, até por consideração há um esforço do aluno. Mas nesse caso, era um festival de desaforos em regra de três: se eu odeio química, a química é um saco e o professor é péssimo, igual a XIS. Neste caso XIS era o mais completo caos! Eu não sabia equilibrar o reagente em excesso, adorava os excessos. Respondi isso numa prova... A correção veio com muitos círculos vermelhos e a seguinte observação do malfeitor: AÇÃO E REAÇÃO, NUNCA ENTENDERÁS A QUÍMICA DAS MISTURAS.


Talvez ele não estivesse errado, nunca entendi. Nunca me fez a menor falta na vida. A minha mistura favorita não depende de entendimento. As massas são cheias de excessos que não impedem qualquer ação ou reação:

Eu mais ele é igual a muita química. E algumas explosões.
Fugimos das fórmulas. 





And I Love You So - ELVIS

And I love you so,
The people ask me how,
How I've lived till now
I tell them I don't know

I guess they understand
How lonely life has been
But life began again
The day you took my hand

And yes I know how lonely life can be
Shadows follow me
The night won't set me free
But I don't let the evening get me down
Now that you're around me

And you love me too
Your thoughts are just for me
You set my spirit free
I'm happy that you do

The book of life is brief
Once the page is read
All but love is dead
This is my belief


2 comentários:

Janaina disse...

buuuum
explosão de amoooooor.
kkkk

Anônimo disse...

Não sei se tu é mais linda ou se é mais inteligente. Só sei que to com saudade de ti sua magrelita.
beijos Dai