domingo, 2 de dezembro de 2012

chuva em san telmo


Prometi escrever de verdade sobre para onde vão os guarda-chuvas. Bom, na verdade nem tem muito mistério, a minha ideia é bem simples, quase óbvia. Guarda-chuva é uma coisa que todo mundo perde e ninguém acha. Grampo de cabelo é uma coisa que todo mundo acha o tempo inteiro, mesmo que não perca. Que nem clipes de papel. A minha teoria é que existe um tiozinho que passa recolhendo guarda-chuvas esquecidos pelo mundo, leva para uma fábrica secreta, transforma em clipes ou grampos, depois distribui por aí. Tudo se transforma. Fim. Agora que eu já expliquei para onde vão os guarda-chuvas – nunca mais usarei um grampo para prender a franja sem pensar nisso – vamos ao que interessa.

Não tenho muitas lembranças boas envolvendo guarda-chuva. Tenho sim envolvendo a falta dele. Eu gosto de chuva, já contei da mania que ela tem de chover em mim. Não reclamo, nem quando fico ensopada.

Quando chegamos a Buenos Aires, na viagem que fizemos em maio, fomos almoçar em um restaurante lindo de San Telmo. Namoro um pesquisador. A cada passeio, o bloco de notas do celular fica cheio de endereços e anotações. Abdicamos apenas dos roteiros porque somos muito imprevisíveis. Nossos improvisos boicotam nossos rumos e geralmente são melhores!

Almoçamos e resolvemos procurar uma sorveteria, Dylan. “É pertinho, vamos caminhando!” Claro. Vamos. Sempre que uma pessoa inicia uma frase com "vamos" meu cérebro completa automaticamente com "em uma sorveteria". Não nego este convite.

 O tempo estava meio cinza, úmido. Um chuvisco geladinho começou quando saímos do restaurante. Em San Telmo, qualquer portinha vira antiquário e qualquer antiquário é um convite para uma passadinha de olhos. Fomos caminhando, parando, a chuva aumentando e o amorzinho cogitou que precisávamos comprar um guarda-chuva. Achei um absurdo o preço argentino de um que encontramos no armazém da esquina. Mas me encantei com uns galgos de lladró. Eles tinham olhos de adoção. Profundos pingos pretos assimétricos cuidadosamente arredondados.

Caminhamos mais, subimos rua, descemos, a chuva ficando mais intensa. Eu pulava nas poças da calçada e ele preocupado com a possibilidade dos resfriados, do frio, da amigdalite. Houve um tempo em que eu me preocuparia em manter os cabelos lisos. Hoje em dia, não mais, aprendi a fazer um nó que disfarça qualquer desalinho. Mas meu amor é assim, se preocupa em me cuidar.

Decretou o fim do banho de chuva, resolveu descer uma rua e pegar um taxi de volta para o hotel. Foi dobrar a esquina e estava lá a placa discreta: Dylan. Entramos ensopados, ele ainda brincou de me secar com guardanapos. Sentamos nos banquinhos quadrados – a sorveteria não tem mesinhas – ficamos abraçados comendo os nossos sorvetes, quase mudos. Eu escolhi mascarpone com macadâmia, ele escolheu chocolate patagônico. Quando saímos já não chovia mais. Momento tatuado na memória.

Lembrei até dos sabores.
Certamente teríamos esquecido o guarda-chuva. 

Si es amor - FITO 

La sabiduria llega cuando no nos sirve para nada
No se puede evitar
Y todo lo que pasa conviene
Son las reglas del destino, son las reglas del amar
Y todo lo que pasa conviene
Son las reglas del destino, son las reglas del amar

Cuando vos querias un abrazo
Yo queria emborracharme con los flacos en el bar
Cuando yo queria la rutina, vos decias quiero aire, necesito libertad
Cuando vos querias la rutina, yo decia quiero aire, necesito libertad

Pero al fin si es amor, cruzará huracanes y tormentas
Pero al fin si es amor, beberemos solo su belleza

Al otro dia como el ave fenix me levanto con el pie derecho
Y rio sin razon
Llevo una locura caprichosa, caprichosa las canciones, me abren su gran corazon
La musica es mi chica caprichosa que cuando no toco el piano me manda al infierno

Pero al fin si es amor, cruzará huracanes y tormentas
Pero al fin si es amor, beberemos solo su belleza

Y si es amor, comeremos en la misma mesa
Y si es amor, lo que nunca compartimos, las vidas que no vivimos juntos
Dos miradas que esquivamos, las mentiras que dañaron
Nada nos importara, nada nos importara, nada nos importara
Si es amor

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