sábado, 19 de janeiro de 2013

toque


Somos teimosos. Insistimos na proximidade um no outro.

Somos do tipo que anda lado a lado procurando as mãos. Quando andamos pela trilha que levava até a praia, calculamos que o caminho estreito não contemplaria nossos laços de dedos. Andamos em fila indiana, eu colocava as pontas dos dedos nas costas dele. Encostamos um no outro, já é o suficiente. O toque é essencial.

Não precisamos de cama de casal. Dormimos tão colados e enroscados que um berço bastaria. Nosso amor não é compacto, mas cabemos um no outro. Meu endereço é ele.

Quando um casal anda se procurando é porque sempre está disposto a inovar caminhos para o mesmo lugar. Às vezes eu gosto de beijar do pescoço até a boca. Às vezes ele me diz que nem sabe por onde começa enquanto me puxa para perto.

Perto: por definição minha, o melhor início.
Por definição nossa, prioridade.

Mais bonito que estar no destino um do outro é ser o destino um do outro. Numa tarde ele me beijou os cotovelos enquanto conversava. Quando ele está agitado, fala e caminha, gesticula. Acompanho com os olhos para juntar o corpo dele na minha retina. Inspira meus desenhos para que ele fique junto dos meus rabiscos.

Quando viajamos para o Rosa levamos as pranchas entre nossos bancos. Era complicado o toque, impossível a visão. Na primeira parada as pranchas foram reorganizadas e eu viajei encaixotada com elas na cabeça para que pudéssemos estar perto. Precisávamos nos ver rindo das piadas no caminho, olhar nos olhos para as declarações de amor. Impossível percorrer quatrocentos quilômetros sem dividir suspiros. Nosso carinho nos alimenta. Deixamos de almoçar, mas nunca esquecemos o cafuné. Levamos as pranchas para a lagoa, nadamos juntos até o meio, dividimos a paisagem com os pés enroscados. Mergulhamos nos olhos um do outro e nas ondas no mar.

Nosso toque não tem fim. É instintivo.

Um casal que se busca com essa teimosia não insistirá na distância. Insistirá na proximidade. Precisamos respirar o mesmo ar. Precisamos estar à distância máxima dos braços. O espaço perfeito é um abraço. Nosso mundo cabe em nós. E em laços de dedos. 







Meu amor é teu - Marcelo Camelo

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem

Todo o teu amor
Eu vi de longe
De longe...
Dava pra sentir o teu perfume
Eu juro...

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem

Todo o teu amor
Eu vi de longe
De longe...
Dava pra sentir o teu encanto
Eu juro...

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

regra do mega ludo


Nem Campeonato Brasileiro, nem Gauchão, muito menos Olimpíadas ou Copa, os jogos mais impressionantes da vida acontecem nas férias. As jogatinas noturnas – preferencialmente com taças de vinho em cima da mesa – fazem troça do impossível. Não duvido mais nada dos tabuleiros. Confio em todos os acasos. Os dados de verão são treinados por magos. Os peões têm pó de fada! 

Eu estava sentada apreciando uma tacinha de vinho na noite quando o meu namorado surgiu com cara de quem queria aplauso. Jeito sapeca sem qualquer intenção sexual. Tirou das costas um copinho de general e um tabuleiro de mega ludo (descobri que não é ludo). O copinho era apenas um guardador de pecinhas e dados. Mal perguntou se eu queria jogar, foi dispondo as torrezinhas, explicando as regras, me cedendo um dado. Jogamos três vezes nessa noite. Ganhei duas. 

Assim foram seguindo as nossas noites de jogatina. Eu tenho uma baita sorte, ele se irrita. Eu ganho, ele me lança raios com o olhar. Mas se ele ganha, tripudia. Exalta a vitória, quase posso ouvir trompetes tocando no campo de batalha. 

No meio dos lançamentos dos dados e nas caminhadas das pecinhas, conversamos sobre tudo. Há pausas para beijos rápidos e demorados, nos fazemos carinho. Adversários podem ser cúmplices, desde que isso não mude as regras do tabuleiro. 

Faltavam apenas três casinhas para a última peça dele entrar no túnel que leva à vitória. Em três casinhas todas as peças estariam seguras esperando só algumas jogadinhas certeiras do dado. Tirei seis na minha vez, pela regra, jogo de novo e enquanto movia a minha peça – um bravo peão azul, destemido pulando de casinha em casinha – ele me perguntou: “amor, tu me ama?” Sorri para ele, respondi que sim, comi a peça que estava quase dentro da casinha e mandei de volta para o início do jogo. 

Pronto. Crise conjugal. 

- Por que você fez isso?
- É o jogo, amor!
- Não... você disse que me ama e comeu a minha peça, nem deu bola para o sentimento!
- Amor, é o jogo... Mas te amo! 
- Que bicho triste é mulher!!! Diz que ama o cara e sai devorando as peças. 
- O que tu queria que eu fizesse??? 
- Se fosse eu, não comeria a tua peça, muito menos no meio de uma declaração de amor! Tu disse que me amava, olhando dentro dos meus olhos e com a mão foi lá e detonou a minha peça, acabou com o meu jogo! Ama, mas né... jogo é jogo.
- Sim... quer dizer, não. Mas... Sim, ai, sei lá, amor, eu te amo, mas comi a tua pecinha. 

E lá foi o homem mais magoado do mundo jogar, demorou um tempo para conseguir sair com a peça comida de volta para o jogo. Porém, foi veloz como um lince para alcançar a minha quando faltavam dois quadrinhos para entrar no túnel. Ele estava quatro casinhas atrás do meu peão quando tirou um seis. 

Olhei para ele com ar angelical. Sorri. Pisquei rápido os olhos em sinal de paquera. Passei a ponta dos dedos no antebraço. Lá foi ele contando, voraz para mandar a minha peça para a casa no longínquo outro lado do tabuleiro. Interrompi para perguntar se ele me amava, fiz jeito languido e forcei um olhar de Capitu. Quase ofegante pela vingança, afoito pelos dois passos que faltavam, ele comeu a minha peça para depois responder:

- Muito! 

Implacável adversário. Estufou o peito, me beijou e sorriu reforçando de maneira doce que me ama. Outra vez me beijou e fez carinho, correspondendo ao meu. Recolhi os braços, o olhar de Capitu, o ar angelical e o dado para jogar já que era a minha vez. 

Nova regra do jogo: apenas ame depois de comer todas as peças do adversário. 


Suspicious Minds
We're caught in a trap
I can't walk out
Because I love you too much baby

Why can't you see
What you're doing to me
When you don't believe a word I say

We can't go on together
With suspicious minds (suspicious minds)
And we can't build our dreams
On suspicious minds

So, if an old friend I know
Drops by to say hello
Would I still see suspicion in your eyes

Here we go again
Asking where I've been
You can't see these tears are real
I'm crying (these crying)

We can't go on together
With suspicious minds (suspicious minds)
And we can't build our dreams
On suspicious minds

Oh, let our love survive
Or dry the tears from your eyes
Let's don't let a good thing die

When honey, you know
I've never lied to you
Yeah, yeah

We can't go on together
With suspicious minds (suspicious minds)
And we can't build our dreams
On suspicious minds

We're caught in a trap
I can't walk out
Because I love you too much baby

Don't you know

Why can't you see
What you're doing to me
When you don't believe a word I say

Don't you know

We're caught in a trap
I can't walk out
Because I love you too much baby

Don't you know

We're caught in a trap
I can't walk out
Because I love you too much baby