Pular para o conteúdo principal

toque


Somos teimosos. Insistimos na proximidade um no outro.

Somos do tipo que anda lado a lado procurando as mãos. Quando andamos pela trilha que levava até a praia, calculamos que o caminho estreito não contemplaria nossos laços de dedos. Andamos em fila indiana, eu colocava as pontas dos dedos nas costas dele. Encostamos um no outro, já é o suficiente. O toque é essencial.

Não precisamos de cama de casal. Dormimos tão colados e enroscados que um berço bastaria. Nosso amor não é compacto, mas cabemos um no outro. Meu endereço é ele.

Quando um casal anda se procurando é porque sempre está disposto a inovar caminhos para o mesmo lugar. Às vezes eu gosto de beijar do pescoço até a boca. Às vezes ele me diz que nem sabe por onde começa enquanto me puxa para perto.

Perto: por definição minha, o melhor início.
Por definição nossa, prioridade.

Mais bonito que estar no destino um do outro é ser o destino um do outro. Numa tarde ele me beijou os cotovelos enquanto conversava. Quando ele está agitado, fala e caminha, gesticula. Acompanho com os olhos para juntar o corpo dele na minha retina. Inspira meus desenhos para que ele fique junto dos meus rabiscos.

Quando viajamos para o Rosa levamos as pranchas entre nossos bancos. Era complicado o toque, impossível a visão. Na primeira parada as pranchas foram reorganizadas e eu viajei encaixotada com elas na cabeça para que pudéssemos estar perto. Precisávamos nos ver rindo das piadas no caminho, olhar nos olhos para as declarações de amor. Impossível percorrer quatrocentos quilômetros sem dividir suspiros. Nosso carinho nos alimenta. Deixamos de almoçar, mas nunca esquecemos o cafuné. Levamos as pranchas para a lagoa, nadamos juntos até o meio, dividimos a paisagem com os pés enroscados. Mergulhamos nos olhos um do outro e nas ondas no mar.

Nosso toque não tem fim. É instintivo.

Um casal que se busca com essa teimosia não insistirá na distância. Insistirá na proximidade. Precisamos respirar o mesmo ar. Precisamos estar à distância máxima dos braços. O espaço perfeito é um abraço. Nosso mundo cabe em nós. E em laços de dedos. 







Meu amor é teu - Marcelo Camelo

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem

Todo o teu amor
Eu vi de longe
De longe...
Dava pra sentir o teu perfume
Eu juro...

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem

Todo o teu amor
Eu vi de longe
De longe...
Dava pra sentir o teu encanto
Eu juro...

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem


Comentários

Mari disse…
É amor lindo demais este de vocês. Está na cara que se amam.
Beijo.
Lindo post!
Claudia disse…
Adoro ler você.
Beijos, Claudinha
Anônimo disse…
Continuas escrevendo e vivendo com a alma livre. Pés são para quem caminha. Tu crias, por isso voarás eternamente.
Que seja eterno o amor e a felicidade.

Beijos da tua orgulhosa professora Carmem.
Reivente -se, crie momentos de plenitude e alegria.Sonhe, realize, encante e faça da vida sua felicidade.
Isso sabes fazer lindamente através de teus belos e emocionantes textos.Bjs

Postagens mais visitadas deste blog

simpatia para parar de chover

Só para seguir a tradição, chove. Nos primeiros dias das minhas férias na praia é sempre o que acontece. O primeiro dia geralmente tem um sol sedutor, um calor de matar, mar lindo. Depois chove. Eu gosto de chuva. Mesmo na praia, mesmo de férias. Mas também gosto de aproveitar o mar, a areia, gosto de caminhar, de tostar no sol e ficar enfarofada junto com o meu filho, usar chinelos em vez de galochas.
Por isso aprendi várias simpatias!
Sueli, que trabalha na minha casa desde a pedra fundamental, disse que se deve jogar um punhado de sabão em pó no telhado. Pedir para Santa Luzia limpar o tempo. Já fiz isso. Considerando o preço do sabão em pó, gostaria de saber se a santa poderia limpar o tempo com sabão em barra. Sem falar que no ano passado sofri um pequeno acidente Bem na horinha que fui jogar o sabão, bateu um vento que trouxe todo o pozinho azul direto para o meu rosto. Nunca tive olhos e boca mais brancos! Sem manchas desde a primeira lavagem.
A avó do meu amigo Felipe, Dona Sa…

a noiva do vento

Peça para uma criança definir o vento. Eu apenas acreditava na existência real do ar quando ele virava vento. Quando era tomado de força, ganhava forma, movimento, atiçava a minha curiosidade. A observação do vento ainda atrai os pequenos. Na pracinha aqui perto havia uma menina sentada à sombra com a mãe. Olhava com atenção as folhas secas que trocavam de lugar no chão. Nem balanço, nem gangorra, a garota estava descobrindo o vento.
O vento tem intimidade com a paixão.
Oskar Kokoschka pintou A NOIVA DO VENTO com pinceladas desesperadas, cores nervosas, num quadro que emoldura a própria enxaqueca do abandono. Na obra, uma mulher adormecida sobre um corpo masculino, cujos olhos não passam de órbita vazia – tradução da ausência de vida. A mulher não o deixa, mesmo que ele já a tenha deixado. Mesmo que ele já esteja morto. A ausência de qualquer conotação sexual pela ausência de cores quentes (vermelho, laranja) e o excesso de tudo aquilo que pode faltar, que remete ao gelo e à solidão pe…

joelho

Coisa bem feia é joelho. Não me afeiçoa a palavra, nem a parte do corpo, em que pese reconheça a importância. Tanto reconheço, que se eu jurar algo pelos meus joelhos, será verdade. Justifico: me falta a memória para lembrar quando a expressão surgiu, talvez, nos idos de 2010. Acho. Eu fui muito dramática em 2010.
Pode ser que, embalada por um café passado, quase frio e sem açúcar, não menos amargo que a pauta da conversa com um amigo, tenha surgido a dúvida sobre algum sentimento que profetizei.
“Jura" - ele deve ter perguntado. “Pelos meus joelhos, juro pelos meus joelhos!” - lembro de ter respondido.
Os joelhos são feios e úteis. São complicados e importantes. Entre o fêmur, a tíbia e a fíbula; colaterais, cruzados e meniscos. É como o amor. Entre o eu te amo, a entrega e a vida; medos, expectativas, preservação.
Por que as crianças estão sempre com os joelhos ralados? Porque são destemidas. Até que se abra o primeiro corte, que se faça a primeira cicatriz. Até que o pai advirta.E…