terça-feira, 30 de abril de 2013

os chamados - capítulo dois



II – socorro

Somos três pessoas morando em um apartamento. Três pessoas e um gato. Ninguém é muito bagunceiro, mas depois de semanas de mudanças, caixas, sacos e sacolas, era fácil praticar corrida de obstáculo pelos cômodos. Tratei logo de liberara o percurso até o banheiro, por motivo de logística – e segurança noturna. A verdade é que banheiro & lavabo eram as únicas peças da casa com real habitabilidade, se é que o termo existe. Todavia, porém, contudo e outras conjunções do tipo, não tenho verdadeiros amores pelo banheiro. Gosto mesmo é da cozinha. Uma outra hora escrevo só sobre a cozinha, se é que já não fiz. 

É que a esta hora da noite, depois da segunda taça de vinho branco – por motivos de clareamento, por motivos de dentes brancos e reluzentes nas fotografias -, apenas não me lembro. Mas lembro-me que a cozinha está um belíssimo caos. Digo belíssimo porque é divertido. Ainda não temos armários. Então todas as coisas de cozinha, do garfo até a massa, do liquidificador até a panela elétrica, do moedor de pimenta até o pote plástico, estão lindamente guardadas em caixas plásticas. O que me consola é que temos uma horta com pesto fresco a qualquer momento do dia!

Na verdade, meu consolo é bem maior que este, mas o drama exige uma bengala. No caso, o manjericão. 

Voltando ao grito aos meus chamados. Na quarta-feira chamamos uma faxineira, que organizou uma parcela da baderna como bem entendeu. No sábado veio outra, que guardou tudo e reorganizou do jeito que melhor achou, inclusive meu cesto improvisado de roupa por passar. 

Ou seja, dentro de casa, nada se acha. Tudo está guardado em local incerto e não sabido. É impossível encontrar um prendedor de roupa ou um abridor de vinho. As camisas do meu filho são amigas dos meus vestidos e os meus sapados finalmente conheceram os meus chinelos. 

A solução quando alguém precisa de alguma coisa: gritar por mim. São súplicas de socorro. Eduardo implora pelos lápis de cor. Ico pelas cuecas. Tobias – o gato – mia. Ah, Tobias faz pior, além de miar, costura meus passos enquanto caminho, numa tentativa desesperadora de conseguir atenção, ração, água e caixinha limpa. 

Incessantes pedidos de SOS. Nem o pegador de massa se salvou do sumiço. A própria geladeira virou terra de ninguém, os ovos e a ricota fazem fofoca sobre o iogurte. Até o espinafre foi parar num saco fechado, asfixiado, ainda bem que a claustrofobia não murchou as folhas! 

Aos poucos vou desbravando as gavetas e portas, colocando a minha organização em prática. Todos gritam por mim. Eu poderia gritar pela minha mãe. Mas fiz algo melhor: achei o abridor de vinho e no mercado, as bebidas têm uma baita placa. Todos me chamam, eu bebo vinho branco. 

Tranquilidade e taça cheia: segredos da boa mudança. 
(e do clareamento) 





dentes brancos!




Help, I need somebody
Help, not just anybody
Help, you know I need someone, help!

When I was younger, so much younger than today
I never needed anybody's help in anyway
But now these days are gone, I'm not so self assured
Now I find I've changed my mind and opened up the doors

Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round
Help me, get my feet back on the ground
Won't you please, please, help me

And now my life has changed in oh so many ways
My independence seems to vanish in the haze
But every now and then I feel so Insecure
I know that I just need you like I've never done before

Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round
Help me, get my feet back on the ground
Won't you please, please, help me

When I was younger, so much younger than today
I never needed anybody's help in anyway
But now these days are gone, I'm not so self-assured
Now I find I've changed my mind and opened up the doors

Help me if you can, I'm feeling down
And I do appreciate you being round
Help me, get my feet back on the ground
Won't you please, please, help me, help me, help me, oh


quinta-feira, 25 de abril de 2013

os chamados - minissérie em três capítulos


CAPÍTULO I 

amor


“Amor”é a palavra que mais escuto. Meu marido me chama por mania, me chama por chamar, me chama para não perder o costume. Se estou na sala e ele no quarto, me grita “amor”. E mesmo que eu responda “o quê”, ele reitera o pedido. Precisa que eu apareça. É um teste de mágica na vida do casal. Abracadabra faz aparecer coelho na cartola. “Amor”me faz aparecer pela casa.

Quem inventou isso foi Jeannie é um gênio. Ela ficava lá na sua lâmpada mágica, vivendo a vida de gênio, com os afazeres de gênio, até que seu amo, Major Nelson, precisasse das suas trapalhadas. Bom, isso foi na década de sessenta. Hoje as aparições geniais evoluíram. 

Meu amo não me chama apenas quando precisa de mim. Não me prende num frasco de perfume, não me convoca quando precisa de algum feitiço ou quando está todo atrapalhado, precisando de soluções em um passo de mágica. Não. 

A maioria dos meus chamados não se resolvem com um plim!

Sou chamada para ser vista. Ele me chama de “amor”pela casa porque precisa acreditar em quem eu sou: seu amor. Quer personificar em mim a palavra, me enxergar como a representante do seu mais sincero sentimento. Ele me ama, me chama e eu vou. Chama para assistir televisão, mesmo sabendo que eu não gosto. Chama no meio da noite, mesmo sabendo que estou abraçada nele. Chama apenas para me ver responder, para afirmar para ele e para mim que somos o amor um do outro.

Concluí que ele esquece de propósito a toalha quando vai tomar banho. Grita “amor”, apareço com a toalha. Ele sempre pede para eu ficar um pouco mais para conversarmos. O amor está sempre presente.

Conta que, quando fui embora de Nova York, depois de uma semana de intenso grude, ele chamou “amor”pelo apartamento e eu não surgi. Foi o momento mais triste da nossa história.

Nunca houve amor não correspondido entre nós. Mas um “amor”não respondido, foi cortante. 





NANDO REIS - sei 


Sabe, quando a gente tem vontade de encontrar
A novidade de uma pessoa
Quando o tempo passa rápido
Quando você está ao lado dessa pessoa
Quando dá vontade de ficar nos braços dela
E nunca mais sair

Sabe, quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali
Em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo e muito
Os lábios desejados da sua pessoa
Quando quer que acabe logo a viagem
Que levou ela pra longe daqui

Sabe, quando passa a nuvem brasa
Abre o corpo, sopro do ar que traz essa pessoa
Quando quer ali deitar, se alimentar
E entregar seu corpo pra pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui

Sabe, quando a felicidade invade,
Quando pensa na imagem da pessoa.
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa.
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali,
Em sua boca.
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui

Sei,
Eu sei.


terça-feira, 16 de abril de 2013

técnica


Dizem que nos cursinhos aprendemos macetes infalíveis. Quer passar no vestibular? Não esqueça que Deus Vê Tudo é a fórmula do movimento retilíneo uniforme. Nem que Sepultura Para Defunto Fresco é a ordem da Tabela de Linus Pauling. E para decorar algumas regras da crase, você ainda pode cantarolar uma musiquinha no ritmo de o cravo brigou com a rosa. 

Há quem ensine macetes infalíveis pra tudo, inclusive, ou principalmente, para a conquista. Ah... o vestibular do amor. Não marque o xis, marque uma flechada no peito, atravesse sem piedade o coração. Esqueça as múltiplas escolhas, a grade de respostas, o tema da redação. Decore apenas o telefone dela!

O flerte, a corte, o xalalá já contam com uma verdadeira equipe técnica. A seleção brasileira está perdendo excelentes treinadores. Amigos trocam figurinhas, desenham organogramas, fluxogramas e treinam jogadas ensaiadas. 

Uma noite dessas fomos a um aniversário, meu marido e eu, sentamos com os amigos da aniversariante. Conversa vai, conversa vem, um deles nos relatou a sua tática preferida de conquista: dançar. O outro que não era nada pé de valsa, confessou que analisa a vítima, digo, a amada, depois faz um elogio. Nada muito óbvio como que-lindo-vestido ou que-sorriso-maravilhoso. Contou que funcionou muito dizer para uma menina que o corte de cabelo valorizava o contorno do seu rosto, que parecia recém cortado. A moça teria ficado encantada, porque tinha realmente acabado de voltar do cabeleireiro. 

Daí eu pergunto, mas e se ela não tivesse cortado no dia? Seria o fim de todas as setinhas, organogramas, fluxogramas e balõezinhos que ele planejou para a conquista? Ele respondeu que tentaria dizer alguma outra coisa, uma coisa inteligente para impressionar a guria. 

E lá vai a minha sugestão, porque eu também sou digna de brincar de técnica. Diga: Sempre Sonhei em Ver-Te. Se isso não for por romance, vale por ser a fórmula do movimento uniforme. 


Falamos a mesma língua!


Posso ouvir o vento passar
Assistir à onda bater
Mas o estrago que faz
A vida é curta pra ver

Eu pensei
Que quando eu morrer
Vou acordar para o tempo
E para o tempo parar

Um século, um mês
Três vidas e mais
Um passo pra trás
Por que será?
Vou pensar

Como pode alguém sonhar
O que é impossível saber?
Não te dizer o que eu penso
Já é pensar em dizer
E isso, eu vi,
O vento leva
Não sei mais
Sinto que é como sonhar
Que o esforço pra lembrar
É a vontade de esquecer
E isso por quê?
Diz mais!
Se a gente já não sabe mais
Rir um do outro meu bem,
Então o que resta é chorar e, talvez,
Se tem que durar,
Vem renascido o amor
Bento de lágrimas

Um século, três,
Se as vidas atrás
São parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
Lento o que virá,
E se chover demais,
A gente vai saber,
Claro de um trovão,
Se alguém depois
Sorrir em paz
Só de encontrar

terça-feira, 9 de abril de 2013

você


Não existe no mundo um olhar como o teu. Quando o teu olho gruda em mim, é espuma de mar. É a cócega que faz na pele e deixa dúvida se a sensação foi só toque ou suspiro. É leve, mexe comigo pela delicadeza. A mesma delicadeza com que os teus cabelos enroscam nos meus quando dividimos o travesseiro para dormir mais juntos. Não precisamos ter cama de casal. Dormimos nas estrelas. Nosso sonho é ficar acordado. Deixamos a noite nua até virar dia entre nossos assuntos infinitos, gargalhadas e teorias. Você me diz que eu não acredito. Eu retruco que acredito sim. 

Depois que comecei a acreditar em amor à primeira vista, tua existência não me faz duvidar de mais nada. Toda a dedicação que eu vejo, todo o empenho, todo o cuidado se traduz em amor, escrito em mim pelas tuas mão. 

E aquela hora do dia que a gente se abraça na frente do espelho para acreditar que é real? E aquela hora da noite que levantamos as persianas para que a cidade morra de inveja? E todas as horas que não tiramos do pensamento, trocando mensagens, sentindo saudade e fazendo planos para daqui a pouco? Vivemos muito bem juntos.

Você é o meu lar. 

Você tem o cheiro que eu amo e os beijos que eu desejo. Tem o carinho que eu preciso e o melhor sofá. Não erramos ao sentar separados porque nossas palavras precisam de espaço e vento. Acertamos em sentar perto porque nossos contornos precisam se tocar. 

Você ri do meu jeito, elogia a minha comida, descreve os meus hábitos, estica o lençol. E me cutuca para eu prestar mais atenção. Você diz que a nossa planta está mais feliz olhando pela janela. Você guarda histórias da família para dividir comigo e decorar a sala. Você me empresta a mãe, rouba meus pais e meu filho.  

Eu te admiro. 






My Funny Valentine
My funny valentine...
Sweet, comic valentine...
You make me smile with my heart
Your looks are laughable, unphotographable
yet your my favorite work of art

Is your figure less than Greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak,
are you smart?
But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine
Stay
Each day is valentine's day.

Is your figure less than Greek?
Is your mouth a little weak?
When you open it to speak,
Are you smart?
But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine
Stay
Each day is Valentine's Day