quinta-feira, 25 de abril de 2013

os chamados - minissérie em três capítulos


CAPÍTULO I 

amor


“Amor”é a palavra que mais escuto. Meu marido me chama por mania, me chama por chamar, me chama para não perder o costume. Se estou na sala e ele no quarto, me grita “amor”. E mesmo que eu responda “o quê”, ele reitera o pedido. Precisa que eu apareça. É um teste de mágica na vida do casal. Abracadabra faz aparecer coelho na cartola. “Amor”me faz aparecer pela casa.

Quem inventou isso foi Jeannie é um gênio. Ela ficava lá na sua lâmpada mágica, vivendo a vida de gênio, com os afazeres de gênio, até que seu amo, Major Nelson, precisasse das suas trapalhadas. Bom, isso foi na década de sessenta. Hoje as aparições geniais evoluíram. 

Meu amo não me chama apenas quando precisa de mim. Não me prende num frasco de perfume, não me convoca quando precisa de algum feitiço ou quando está todo atrapalhado, precisando de soluções em um passo de mágica. Não. 

A maioria dos meus chamados não se resolvem com um plim!

Sou chamada para ser vista. Ele me chama de “amor”pela casa porque precisa acreditar em quem eu sou: seu amor. Quer personificar em mim a palavra, me enxergar como a representante do seu mais sincero sentimento. Ele me ama, me chama e eu vou. Chama para assistir televisão, mesmo sabendo que eu não gosto. Chama no meio da noite, mesmo sabendo que estou abraçada nele. Chama apenas para me ver responder, para afirmar para ele e para mim que somos o amor um do outro.

Concluí que ele esquece de propósito a toalha quando vai tomar banho. Grita “amor”, apareço com a toalha. Ele sempre pede para eu ficar um pouco mais para conversarmos. O amor está sempre presente.

Conta que, quando fui embora de Nova York, depois de uma semana de intenso grude, ele chamou “amor”pelo apartamento e eu não surgi. Foi o momento mais triste da nossa história.

Nunca houve amor não correspondido entre nós. Mas um “amor”não respondido, foi cortante. 





NANDO REIS - sei 


Sabe, quando a gente tem vontade de encontrar
A novidade de uma pessoa
Quando o tempo passa rápido
Quando você está ao lado dessa pessoa
Quando dá vontade de ficar nos braços dela
E nunca mais sair

Sabe, quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali
Em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo e muito
Os lábios desejados da sua pessoa
Quando quer que acabe logo a viagem
Que levou ela pra longe daqui

Sabe, quando passa a nuvem brasa
Abre o corpo, sopro do ar que traz essa pessoa
Quando quer ali deitar, se alimentar
E entregar seu corpo pra pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui

Sabe, quando a felicidade invade,
Quando pensa na imagem da pessoa.
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa.
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali,
Em sua boca.
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui

Sei,
Eu sei.


Um comentário:

Laura disse...

Amo, amo, amo!