terça-feira, 16 de abril de 2013

técnica


Dizem que nos cursinhos aprendemos macetes infalíveis. Quer passar no vestibular? Não esqueça que Deus Vê Tudo é a fórmula do movimento retilíneo uniforme. Nem que Sepultura Para Defunto Fresco é a ordem da Tabela de Linus Pauling. E para decorar algumas regras da crase, você ainda pode cantarolar uma musiquinha no ritmo de o cravo brigou com a rosa. 

Há quem ensine macetes infalíveis pra tudo, inclusive, ou principalmente, para a conquista. Ah... o vestibular do amor. Não marque o xis, marque uma flechada no peito, atravesse sem piedade o coração. Esqueça as múltiplas escolhas, a grade de respostas, o tema da redação. Decore apenas o telefone dela!

O flerte, a corte, o xalalá já contam com uma verdadeira equipe técnica. A seleção brasileira está perdendo excelentes treinadores. Amigos trocam figurinhas, desenham organogramas, fluxogramas e treinam jogadas ensaiadas. 

Uma noite dessas fomos a um aniversário, meu marido e eu, sentamos com os amigos da aniversariante. Conversa vai, conversa vem, um deles nos relatou a sua tática preferida de conquista: dançar. O outro que não era nada pé de valsa, confessou que analisa a vítima, digo, a amada, depois faz um elogio. Nada muito óbvio como que-lindo-vestido ou que-sorriso-maravilhoso. Contou que funcionou muito dizer para uma menina que o corte de cabelo valorizava o contorno do seu rosto, que parecia recém cortado. A moça teria ficado encantada, porque tinha realmente acabado de voltar do cabeleireiro. 

Daí eu pergunto, mas e se ela não tivesse cortado no dia? Seria o fim de todas as setinhas, organogramas, fluxogramas e balõezinhos que ele planejou para a conquista? Ele respondeu que tentaria dizer alguma outra coisa, uma coisa inteligente para impressionar a guria. 

E lá vai a minha sugestão, porque eu também sou digna de brincar de técnica. Diga: Sempre Sonhei em Ver-Te. Se isso não for por romance, vale por ser a fórmula do movimento uniforme. 


Falamos a mesma língua!


Posso ouvir o vento passar
Assistir à onda bater
Mas o estrago que faz
A vida é curta pra ver

Eu pensei
Que quando eu morrer
Vou acordar para o tempo
E para o tempo parar

Um século, um mês
Três vidas e mais
Um passo pra trás
Por que será?
Vou pensar

Como pode alguém sonhar
O que é impossível saber?
Não te dizer o que eu penso
Já é pensar em dizer
E isso, eu vi,
O vento leva
Não sei mais
Sinto que é como sonhar
Que o esforço pra lembrar
É a vontade de esquecer
E isso por quê?
Diz mais!
Se a gente já não sabe mais
Rir um do outro meu bem,
Então o que resta é chorar e, talvez,
Se tem que durar,
Vem renascido o amor
Bento de lágrimas

Um século, três,
Se as vidas atrás
São parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
Lento o que virá,
E se chover demais,
A gente vai saber,
Claro de um trovão,
Se alguém depois
Sorrir em paz
Só de encontrar

Um comentário:

Melissa disse...

O que cativa é todo esse jeito que tu és! Te adoro, amiga.