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Mostrando postagens de Setembro, 2013

aprendi na cozinha

Das coisas que aprendi na cozinha – com e sem ajuda. Primeiro: prefiro não ter ajuda. Mas nem penso em dizer isso quando meu marido resolve abrir as tampas. Muito menos quando ele coloca uma mostarda vencida de origem desconhecida no meu molho. A cumplicidade não tem marca. E não sabe cozinhar. Confie no resultado.
Também aprendi que qualquer coisa feita no almoço pode ser transformada em janta das seguintes formas: acrescentando arroz, acrescentando massa ou acrescentando ovo. No último caso ainda se pode optar pela frigideira ou pelo forno. Da mesma maneira os casais que se aborrecem com a rotina podem ousar para requentar a relação. Acrescente mais carinho, acrescente cuidado. Proponha um banho em dupla, uma massagem nos pés ao acordar. Sirva um vinho às três da tarde de domingo, abra a janela e deixe a cidade entrar. Brindem quando os olhares se cruzarem.
Gelo. Comprar um sacão de gelo ocupa lugar demais. As forminhas são uma invenção genial. Porém, a tarefa que eu acho mais compl…

a noiva do vento

Peça para uma criança definir o vento. Eu apenas acreditava na existência real do ar quando ele virava vento. Quando era tomado de força, ganhava forma, movimento, atiçava a minha curiosidade. A observação do vento ainda atrai os pequenos. Na pracinha aqui perto havia uma menina sentada à sombra com a mãe. Olhava com atenção as folhas secas que trocavam de lugar no chão. Nem balanço, nem gangorra, a garota estava descobrindo o vento.
O vento tem intimidade com a paixão.
Oskar Kokoschka pintou A NOIVA DO VENTO com pinceladas desesperadas, cores nervosas, num quadro que emoldura a própria enxaqueca do abandono. Na obra, uma mulher adormecida sobre um corpo masculino, cujos olhos não passam de órbita vazia – tradução da ausência de vida. A mulher não o deixa, mesmo que ele já a tenha deixado. Mesmo que ele já esteja morto. A ausência de qualquer conotação sexual pela ausência de cores quentes (vermelho, laranja) e o excesso de tudo aquilo que pode faltar, que remete ao gelo e à solidão pe…