Pular para o conteúdo principal

tinta

Dou risada. Sim, preciso. Não me resta outra alternativa, tenho que dar risada. Dessas coisas bobas, dessas coisas da vida, dessas voltas que o mundo dá e dessas gentes que ainda tenta me entender, rotular e explicar. Dou risada, não dou explicação. Me levam no máximo um sorriso, enquanto faço um gesto batendo as pontas dos dedos da mão esquerda nos da mão direita. E suspiro.

Não guardo rancores, nem na caixa de e-mails.

Se é por preguiça, se é por comodismo, não sei. Justifico por evolução, mas não sei explicar. Não sou partidária de me incomodar ou passar trabalho pelas coisas idas.

Mas a mágoa não passa instantaneamente, nunca disse isso. Jamais vou negar que sinto ou senti, só digo que ela passa. E por tê-la sentido – e não é a sensação mais agradável do mundo – eu não guardo rancores.

Eu sou flexível, adaptável, maleável, sou tantas sem me desabitar. Alimento meus gostos e meus desgostos e lambo as minhas próprias feridas. Poucas coisas exigem tamanho autoconhecimento. Saber onde aperta o sapato é mais complicado do que saber do que se gosta. Onde dói? O que te faz sangrar? O que te faz ter sangue nos olhos?

Vou ser mais ousada, vou dizer que me sinto bem viva quando encontro o que me incomoda. Fico bem por não guardar, o que a gente guarda, volta, já me disse um sábio. Administrar a frustração é uma arte, mas não é uma obrigação. Não guardar é assumir, é ser sincero pra si. Cada um encontra seu jeito de ser sincero e assumir suas frustrações, encontra um pouco mais de liberdade. A liberdade de se conhecer e de poder ser o que é. Por isso, não tentem me entender, me rotular, me criticar ou apontar pelas minhas atitudes... vou continuar rindo e suspirando.

Não interessa o tanto de mágoa que houve, o tamanho da frustração ou decepção. Doeu. Foi ruim, como a maioria dos finais é. Foi necessário, como todos os finais são para que possam ter começos.

Não se pode viver dentro de uma armadura. Isso é falso, não é humano.

É como se nós tivéssemos uma tela em branco na frente, podendo pintar o que quiser, podendo pintar a paisagem mais bonita, o retrato mais perfeito. E a tela continua em branco. Por quê? Porque só foram usadas cores claras, só o branco. Apenas as luzes, sem sombras, não há o que dê profundidade, não tem definição do que seja horizonte, fundo, frente, nada. Sem luz, sem sombra, sem contrastes, sem história.

Eu quero usar todas as cores enquanto pinto a minha história. Quero olhar pro meu quadro e apreciar a obra inteira, com orgulho de cada pincelada, com orgulho de cada borrão.

Free



We could let this love be the fading sky
We could drift all night until the new sun rise
Pass me a drink or maybe two
One for me and one for you
And we'll be
Free, Free
Free, Free
Here comes corner winds and the changing' tide
We better drop them sails and get inside
When will the weather ever let us go
I guess we'll have to wait until the trade winds blow
When we'll be
Free, Free
Free, Free
There's nothing in between
What we are, what we see
There's nothing in between
What we are, what we see, what we are
We are just
On a life boat sailing' home
With our drunken hearts and our tired bones
Well I just take one last look around
Yeah an' every place feels like a familiar town
And now we're
Free, Free
And don't you wanna be
Free
From time to time a little
Free
Hey now now
Free
I know you know your
Free
Feels so good to be
Free

Comentários

Carlos disse…
E se e quando esta obra-prima estiver terminada, com todas as suas nuances de cores e tintas, o Louvre será pequeno para ela...
Coisa bem boa começar o dia te lendo!
Beijo Grande!
Anônimo disse…
Vcs e seus textos...

Postagens mais visitadas deste blog

o zodíaco, por mim mesma

Eu nunca acreditei muito nessas histórias de signo, até 2003. Horóscopo e previsões até hoje não leio, não levo a sério, uso pra fazer brincadeiras sobre o meu dia. PORÉÉÉM, em 2003, caiu nas minhas delicadas mãos cheias de dedos, e em frente aos meus olhos cheios de curiosidade, uma descrição da personalidade da pessoa de aquário. Era eu. E mais, uma descrição de uma pessoa de capricórnio. Era a minha irmã. Corri pra descrição do signo de touro – pessoa que mais tarde seria meu namorado – foi batata! Comecei a acreditar um pouquinho. Li todas as descrições de todos os signos e ficava tentando decifrar nas pessoas algumas das características e não é que MUITAS coisas batiam? Mais tarde me apresentaram um livro chamado NASCIDO NUMA DROGA DE DIA. É perfeito. Desde então acredito sim que os signos têm influência na personalidade das pessoas. Não que sejam todas iguais, mas que alguma coisa tem... Tem. Tem sim. E isso tem muito a ver com a maneira como as pessoas se relacionam com...

biscoitices

Dessas tantas ruas por onde passo, de todos os caminhos que não decoro, por tudo onde já me perdi, afirmo com certeza que nenhum rumo é plano ou reto. Há sempre uma curva, um degrau, uma pedra, um muro, uma árvore. Eu sou uma desinventora. E o que eu desinvento a mim pertence. O que não pertence, eu furto, ou roubo armada de flores, risada e cara de doida. O que é viver se não é praticar a insana alegria de mais um dia. Rotina não cansa. Desmonto as horas em minutos e na hora de montar novamente sempre sobra um tempo que vira saudade, que vira bobagem, que vira suspiro, que vira só tempo perdido mesmo. O que me aborrece é pensar que quase preciso pedir desculpa pela minha felicidade, como se a tristeza fosse servida junto com as refeições. Não tenho lentes cor de rosa para o mundo, nem sei brincar de contente, mas com tudo que já vem fora de encaixe, não preciso procurar o que mais pode ser alvo do meu descontentamento. Todos temos cicatrizes. Só procuro levar tudo de forma que e...

oral b

Coleciono desastres. É sério. Eu sou um desastre pra um montão de coisas: dançar junto, fazer pudim, empinar pipa, acender lareira e fazer surpresa. Eu entrego a surpresa antes do tempo. Não sei conter a minha expectativa, apresso os resultados. Dizem que o apressado come cru, pois eu sou tão apressada que sirvo cru pro outro comer. Não sei comprar presente antes e esperar pra dar. Preciso esconder o pacote. Esconder de mim, claro. Dou bandeira. Pergunto se prefere verde ou azul, sendo que eu já comprei verde mesmo. Fico medindo a pessoa pra ver se vai servir. Não sei brincar de quente e frio, já vou apontando logo: aqui é a Sibéria, pra lá é o Caribe. Há anos minha irmã organizava as festas surpresa de aniversário pra mim. Cabia a mim exercitar a paciência, enrolando as horas pra chegar em casa a tempo de fingir que não sabia de nada, vendo os balões e o bolo. Hoje ela organiza a própria festa e eu a surpreendo invadindo. A data dos nossos aniversários tem diferença de uma seman...