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mola

Atenção. Isto é sério. Se você espera ler um texto meio chorosinho, politicamente correto, com início, meio, fim e moral da história, tal qual manda o figurino, feche o blog agora. Definitivamente, hoje o texto sou eu. Com todos os avessos dos avessos. Desculpa, me escarrei aqui! Eu, no auge de toda a educação, moral, bons costumes, bons modos e atitudes comedidas que me foram ensinadas, confesso... sou mesmo uma impulsiva. Vez que outra sento de pernas abertas, mascando chicle pra fazer barulho, falando palavrão e fazendo gestos obscenos. Eu disse vez que outra? Disse. Ok. Não faço isso porque perdia a classe ou desci do salto. Sempre deixo claro que isso eu não faço, ainda quando pareço amarrotada, tenho alma de tergal. Prezo por manter a elegância, a menos que batam no meu carro ou furem a fila no super! Ah, gente muito chata também não merece meu alinhamento comportamental. Kuky, volta pro rumo da conversa! Eu sei que eu queria falar sobre os recomeços, mas não será agora....

um passo

Acho chato quando procuro e não encontro. Acho bem chato não encontrar e acho bem chato os desencontros. Entre pessoas, entre objetivos, entre tempos, entre mandos e desmandos. Acho chato, só. Acho estranho abrir o olho e não ver o que eu queria, não estar onde eu pensei que estava. Esta cama não é minha e se é, não está no lugar. Talvez o lugar esteja vago. Opa, no meu carro também um banco vazio... realidade. Toda a história é única. Não se repete. Os personagens sempre mudam, a cada página um pingo a mais de tinta faz pesar uma consciência que não tem dono. Hoje eu acordei meio despudorada. A mais ardida das pimentas não me faria cócegas. Hoje eu falei muito do que não devia e ouvi pouco. Dormi mais e melhor do que de costume, me permiti algumas regalias, extravagâncias, luxo e até arrogância – que eu detesto. Andei colocando um pé na porta. Um dedo na boca. Os pés pelas mãos. Bom? Arram. Impulsividade nunca foi problema meu. Todo o início é único. Tudo é sempre muito bo...

um porto

Eu não gosto da palavra solidão. E também não sei sentir isso... sinto qualquer outra coisa, dou qualquer outro nome, eu batizo, eu invento. Mas me recuso a sentir solidão. Me assusta, associo com coisas escuras e maléficas. Vez que outra essa bruxa tenta me assombrar, nublar o meu dia, apertar aquilo que eu carrego no peito, embrulhar meu estômago e deixar qualquer coisa presa na minha garganta. Um grito, um gemido, um pedido de ajuda, um “eu te amo”. Daí descubro em mim as minhas múltiplas companhias – porque nem sempre posso grudar em um amigo - , de algumas delas eu gosto, de outras não. E sabe o que eu descobri? Que às vezes eu fico muito sozinha junto com uma porção de gente. E que às vezes eu faço uma GRANDE festa sem ninguém em volta. Óbvio que eu gosto de mim múltipla, me reinventando, redescobrindo, me analisando e criticando (esta é a pior parte). E me odeio quando eu tento me enganar porque eu sei que não consigo me mentir, as minhas verdades doem como engolir um porc...

resgate

Entender é um dom, que às vezes eu não tenho. Talvez não seja tão difícil quanto perdoar... Me confunda, mas não o suficiente para que eu desista de brincar, vire as costas e vá embora. Seja sincero, ainda que eu pareça preferir que não. Não me subestime, não pense que eu não tenho senso de realidade, por mais que eu voe – e eu vôo longe – eu sei bem fazer meus pés tocarem o chão. E sei pra onde andar e sei quando correr e sei do que eu quero fugir. Também sei quando me roubam o chão, infelizmente. Eu sei que eu não tenho mapas, que eu chutei a bússola, que no meu caminho tem buracos. Mas acredita que eu já pulei por precipícios? Acredita que eu já vivi dias de tormentas? Já fiquei nublada, já fiz temporal, já entrei em erupção. E em ebulição também. Eu funciono em condições diferentes de temperatura e pressão. A maioria das convenções não se aplicam a minha pessoa. E sim, foi isso que eu escolhi. E sim, a grande maioria das vezes que eu caí também foram pelas minhas escolhas. Por f...

salva-vidas

“Respira fundo, olha pra dentro e não esquece quem tu és”. Foi a melhor coisa que eu já ouvi na vida. Porque ouvi no momento certo. Houve um tempo em que eu me perdi. E me perdi feio. Foi em 2006. Se eu não tivesse escutado isso, talvez jamais tivesse encontrado o caminho pra voltar – nunca digo me achado porque ainda sou a rainha das perdidas. Mas foi isso. Nada de mapas... Eu não tinha a menor ideia de onde estava, tinha algumas dúvidas sobre quem eu era, o que queria, pra onde ir. E ouvi aquilo. Ninguém me disse pra onde correr, o que eu deveria fazer, qual era o próximo passo. Foi só aquela frase que até hoje é a minha bússola. Quando cai a casa, quando o mundo desaba na minha cabeça e eu não vejo a saída, fecho os olhos e olho pra dentro, tentando achar a melhor maneira de ficar bem comigo. É a mais pura sinceridade que eu consigo, comigo mesma. Com o tempo a gente aprende que pode colocar qualquer um no bolso, mentir pra quem quiser, forjar, fingir, inventar. A gente també...

água de abril

Eu nao sou daqui. Eu nao sou desse tempo. Eu não vivo nesta época de pessoas criadas para terem vergonha do amor. Eu não sou de um mundo que desdenha das palavras e da alma que se deposita nelas. O meu gesto não é virar as costas, é estender a mão. Eu não sou desse tempo, mas eu não vim do passado. Eu faço parte de um futuro que eu mesma criei. Eu vim de um mundo onde se pode acreditar em alguém que diz o que quer. Lá ensinam a jogar limpo. Lá a gente aprende a ser sincero. Este é o mundo das caras quebradas, dos corações partidos, das almas farrapas, do riso amarelo, do olhar distante e do frangalho. Porque as pessoas de visão, criadas nesse futuro, vivem neste presente imundo. Aqui é a terra da insensibilidade. - O que é isto no teu peito? - Um calo. Serve pra bombear sangue. - Um dia foi coração? - Talvez, um dia seja. E assim eu sou o que se chama de “uma besta”, por andar de olhos fechados, num caminho que se faz no próximo passo. Sem trilha. Volta e meia caindo em ...

iPod

Um dia eu abri o olho e tudo que antes era nítido tinha virado um borrão. Todas as obras perfeitas e acabadas voltaram a ser rascunhos. Ou nunca deixaram de ser e eu pensei que sim. Talvez o Lucas tenha razão e eu também deva me permitir morrer aos 16. Ter eternos 16 e aceitar que a maioria tem. Por que justo eu levar tão a sério? Por que justo eu ser tão levada a sério? A maioria dos sentimentos que eu conheci na minha vida teve a profundeza de um pires. E eu paguei a conta todas as vezes que fui intensa e desmedida. Paguei a conta todas as vezes que prometi não ter cuidados e pular do bungee jump. Caí no buraco por andar de olhos fechados. E sempre fui culpada por ser quem eu era, quem eu sou e agir como eu ajo. Sempre fui apontada, carreguei o baú. Não gosto de ser insignificante. Não gosto de entrar na vida de ninguém se não for pra fazer um maremoto. Eu gosto de mudar, amo me reinventar, sou um camaleão. Já ouvi isso no sentido pejorativo, mas a grande verdade é que, quem...