Pular para o conteúdo principal

endereço

Nada do que eu disse foi o que eu quis dizer. Deixei de fazer o que eu queria. Parece que a vida nos desafia a provar que existimos. O fato de não conseguir dizer não significa que eu não quero. Você me tira de mim. Fico procurando nas minhas cartas de desculpas os porquês que eu preciso. Nenhuma diz. Nenhum coringa. Sem cartas nas mangas. Sem cartas na mesa. O jogo é de memória.




Muita coisa mudou. Eu me mudei. Precisei me mudar de Vila Vazia. Ocupo muito espaço, ocupo mais que o próprio corpo, gasto sempre mais do que tenho. Sou perdulária de ideias. Não economizo destinos. Além da alma cigana, tenho gosto pelo dramático. Vou mambembe da honestidade da minha caneca de café preto de todas as manhãs aos delírios e inventos das canecas de chá à noite. O líquido reflete realidade e sonho, sem açúcar. Ida e volta no portão de embarque dos pensamentos. Levo a bagagem nos bolsos. Histórias na pele. Saudades nos olhos.



Eu me mudei porque estava ocupada demais, cheia de mim por todos os cantos. Transbordada de mim mesma nos espelhos que mudam a forma apenas pra confundir.



Fugi de Vila Vazia. Dobrei a esquina, entrei na Rua Sem Sentido. Na contramão.



Hoje é um tempo em que vivo mais do que jamais pensei. Hoje, ver você faz visitar a casa que morei e não é minha. Lembrei de quando eu estava aprendendo a caminhar. Esbarro na mobília fora do lugar, entro mais uma vez no brilho do teu olho confuso.



Eu sempre procuro as tuas pupilas.



Abro as janelas no teu sorriso. Espero a música entrar e tem a tua voz, familiar, acolhedora, como os lençóis que saem do varal para a cama. Eu não seguro a tua mão, mas nossas risadas se abraçam. Somos quase estáticos tentando repreender nossas inconsequencias. Medimos os passos e abreviamos a distância com o piscando os olhos. Eu não pude saber antes. É amor? Foi amor? E agora? É tarde? Um dia saberemos?



Nós nunca nos perguntamos.

Queremos nos responder o tempo inteiro.



Talvez você pense que é tarde. Pois eu digo que nós não usamos relógio. Perdemos a hora. Inventamos o nosso tempo.



Faço questão de ser apresentada aos meus erros para reconhecer os acertos se eles aparecerem. Estranhos acertos. Mas em matéria de nós dois, tudo é estranho. Tudo é diferente. Jamais seremos iguais aos outros. Somos lacunas abertas por onde o sangue deve passar. Somos difíceis de completar. Ainda quero escrever no teu braço, te emprestar o meu bolso, contrariar as tuas teorias e te fazer de bobo. Em troca você me dá saudade. Pior castigo.



Às vezes eu canso de ser o tipo certo de pessoa errada. Às vezes eu posso ser parada. Eu quero fixar residência. Quero morar Em Ti.

 
SOMETIMES - CITY AND COLOUR
 
 
If I was a simple man,



Would we still walk hand in hand?


And if I suddenly went blind,


Would you still look in my eyes?


What happens when I grow old?


And all my stories have been told?


Will your heart still race for me?


Or will it march to a new beat?


If I was a simple man






If I was a simple man,


I'd own no home, I'd own no land


Would you still stand by my side?


And would our flame still burn so bright?






Sometimes I wonder why,


I'm so full of these endless rhymes


About the way I feel inside


I wish I could just get a ride






If I was a simple man


And I could make you understand


There'd be no reason to think twice


You'd be my sun; you'd be my light


If I was a simple man...


If I was a simple man...






Sometimes I wonder why


I'm so full of these endless rhymes


About the way I feel inside


I wish...


Sometimes...

Comentários

Keila disse…
Nada melhor que um domingo com post novo.
Adoro a forma como escreves.
Carlos disse…
Nada melhor do que um Kuky Texto para começar a semana!
Fabi disse…
Pausa para ler novamente. Informação demais, complexo e revelador. Lindo.
Maya disse…
queria saber para quem vc escreveu isso.
Anônimo disse…
Pessoa de extremos. Beijo, Gui

Postagens mais visitadas deste blog

poucos gigas

Eu não sou boa fisionomista. Não sou boa em lembrar dos rostos das pessoa que conheci. Se eu preciso encontrar alguém, tento lembrar da roupa que estava usando e se for “o Fulano, que estava bebendo água com a gente em tal lugar”, vou lembrar da marca da água, se era com ou sem bolinhas, como o Fulano bebia, onde era o lugar e o que fizemos, mas provavelmente, não me lembrarei do rosto da pessoa. Às vezes eu não presto muita atenção no rosto, escuto o que a pessoa fala, fico atenta aos gestos... pelo menos em uma primeira conversa. Sou detalhista demais pra prestar atenção apenas no rosto. A menos que a pessoa seja muito marcante já à primeira vista. Tive uma paixão adolescente no colégio. Por todo o segundo grau, na verdade. Era um menino que nunca estudou comigo, nunca namoramos, mas éramos declaradamente apaixonados um pela companhia do outro, pela nossa sinceridade e pela maneira como jamais nos cobramos nada. Havia um pacto branco de jamais mentir. Havia um pacto branco de não ...

o zodíaco, por mim mesma

Eu nunca acreditei muito nessas histórias de signo, até 2003. Horóscopo e previsões até hoje não leio, não levo a sério, uso pra fazer brincadeiras sobre o meu dia. PORÉÉÉM, em 2003, caiu nas minhas delicadas mãos cheias de dedos, e em frente aos meus olhos cheios de curiosidade, uma descrição da personalidade da pessoa de aquário. Era eu. E mais, uma descrição de uma pessoa de capricórnio. Era a minha irmã. Corri pra descrição do signo de touro – pessoa que mais tarde seria meu namorado – foi batata! Comecei a acreditar um pouquinho. Li todas as descrições de todos os signos e ficava tentando decifrar nas pessoas algumas das características e não é que MUITAS coisas batiam? Mais tarde me apresentaram um livro chamado NASCIDO NUMA DROGA DE DIA. É perfeito. Desde então acredito sim que os signos têm influência na personalidade das pessoas. Não que sejam todas iguais, mas que alguma coisa tem... Tem. Tem sim. E isso tem muito a ver com a maneira como as pessoas se relacionam com...

clericot

(da série contículos) É divertido quando duas amigas saem para beber e jogar conversa for a. O bar mais movimentado da cidade estava muito cheio, para variar, as duas chegaram meia hora depois do horário combinado. “Ah, o trânsito infernal”. Mentira... uma ficou fazendo chapinha, a outra procurando os brincos favoritos dentro da bolsa.   Sentaram nos banquinhos altos do balcão enquanto esperavam vagar uma mesinha numa área nobre do bar. A moral da história era ver e serem vistas. Pelo menos notadas! Pediram uma jarra de clericot. - Tem como não colocar abacaxi??? Obrigada! - Tu sempre implica com abacaxi... - Sim, odeio. Abacaxi não é fruta, é praga!   E chegou a jarra. Clericot de vinho branco, uma infinidade de kiwi, manga, morango, uva, maçã e nenhum abacaxi pra contar história. Bem geladinho. Palitos. Tacinhas.   - Sabe o que eu queria, amiga? - Batatinhas? - Não, um namorado... - Com cheddar? - Quê? - Batatinhas com ou sem cheddar??? (olhando o cardápio)...