quarta-feira, 27 de março de 2013

proclamas


Antigamente, se você não casava, era visto com maus olhos. Se era homem beirando os quarenta anos, teria a opção sexual questionada pela cidade. Seria chamado de solteirão e poderia, com algum esforço, ser uma lenda. Conheço algumas histórias interessantes que escutei das tias velhas do interior. Hoje as duas são solteironas – oitenta e todos anos – moram com vários gatos e um tio solteirão – oitenta e todos anos. Não sei por que não casaram. Mas cogitei que a genética pudesse transmitir o gene de tempos em tempos, pulando algumas gerações. Já que é para fazer lenda...

Sendo mulher solteira, ganharia na cidade fama de encalhada. Ficaria para titia. Teria investigados os hábitos de péssima cozinheira, bordadeira, dona de casa. Seria taxada de beata convicta caso frequentasse a Igreja. Antigamente, era feio ser solteiro.

Hoje acontece o contrário! Casar complicou tanto que o Cartório envia um manual de instruções. Você precisa de documentos atualizados e duas testemunhas antes mesmo de escolher se adota ou não o sobrenome do marido. E nem pense em pedir os bons préstimos dos tiozinhos que estão lendo o jornal no fim do balcão. Eles não aceitam.

A testemunha tem que conhecer os noivos. Já viu jantando junto? Dormindo junto? Acordando junto? Escovando os dentes? Leve

Os tiozinhos de Cartório que estão lendo jornal só querem saber de uma coisa: o jornal mesmo.

Tudo isso é para fazer os proclamas de casamento. É a habilitação. O nome dos pombinhos vai para o jornal, que nem um aviso: olha, esses dois vão casar. Daí se ninguém surge com um outro casamento pendurado ou outros fatos escabrosos de um passado obscuro, os dois podem casar de verdade. MAS, antes, os dois sofrem bullying. Porque todas as pessoas irão falar que os nubentes podem desistir até a hora de casar. Inclusive a simpática e divertida moça do Cartório. Dirá com sorriso nos lábios carmim: Então o regime ficou separação parcial de bens, assinem aqui, podem desistir até a hora do casamento, aceitam um café?

Na verdade, aceitamos ser marido e mulher. E presentes para a cozinha!!!




3x4
(amo esta música)

Diga a verdade
Ao menos uma vez na vida
Você se apaixonou
Pelos meus erros

Não fique pela metade
Vá em frente, minha amiga
Destrua a razão
Desse beco sem saída

Diga a verdade
Ponha o dedo na ferida
Você se apaixonou
Pelos meus erros

E eu perdi as chaves
Mas que cabeça a minha
Agora vai ter que ser
Para toda a vida

Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode escolher

Se eu tivesse a força
Que você pensa que eu tenho
Eu gravaria no metal da minha pele
O teu desenho

Feitos um pro outro
Feitos pra durar
Uma luz que não produz
Sombra

Somos o que há de melhor
Somos o que dá prá fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode esconder


domingo, 17 de março de 2013

dê flores, não dê motivos


Quer fazer uma guerra instantânea? Esqueça o dia do aniversário dela. Delete o dia dos namorados. Apague o dia internacional da mulher. Não lembre a data do aniversário de namoro. As mulheres gostam – algumas exigem – que os homens tenham calendários na memória. E sim, pode ser na memória do celular. Este tipo de cola é permitida. Não precisa saber quando foi que iniciou a Primeira Guerra Mundial. Ouse pensar quando foi o primeiro beijo.

Eu cheguei à conclusão que mulheres gostam de comemorar. É a desculpa para ganhar flores, abrir um vinho, jantar fora. Elas querem ser levadas para dançar. Querem ir a um motel, sair da rotina. Trocar a roupa de cama pela areia da beira da praia.

É a permitida infidelidade da rotina. É a expectativa de ganhar café na cama e a desculpa perfeita para poder extrapolar um pouco sem ser reprimida. Quem reclamaria de um decote no dia internacional da mulher? Corre-se o risco de ser queimado em praça pública junto com um sutiã por uma revolucionária militante do feminismo ferrenho. Jamais um homem dirá a uma mulher que o batom vermelho lhe deixa com boca de palhaço no dia do seu aniversário. Ou que esses batons rosa-muito-desmaiados-quase-brancos daquela marca famosa de três letras só são admissíveis se estiver no elenco de Baywatch. Datas comemorativas induzem à redução da capacidade crítica. Institui-se que é proibido reclamar da calcinha pendurada no registro do banheiro.

Agora, se pensam que a culpa é do sistema ou das mulheres, lamento. Estão equivocados. A culpa é da preguiça.

Um dia recebi flores sem motivos. Nem aparentes, nem escondidos. O cartão apenas dizia que todos os dias que passamos juntos são especiais. E têm sido.

Casais desaprendem com a convivência a comemorar a delícia de esticar a mão e fazer carinho em quem se ama. Desaprendem a escolher um bom vinho pelo simples prazer do momento, brindar a companhia, explorar restaurantes inusitados, viajar só para abandonar a casa.

O amor nunca precisou de justificativa. 

Não é preciso motivo especial para levar um café na cama. Ter acordado ao lado do amor da sua vida já é o motivo. O mais divertido da vida de um casal é a batalha conjunta para que todos os dias sejam especiais. Plante sorrisos no rosto do seu amor e colherá dias mais floridos do qualquer buquê. Mesmo assim, dê flores sem pretexto (e, por garantia, mantenha o calendário do celular atualizado com todas as datas). 




Love Me Do
Love, love me do
You know I love you
I´ll always be true
So please, love me do
Oh, love me do

Love, love me do
You know I love you
I´ll always be true
So please, love me do
Oh, love me do

Someone to love
Somebody new
Someone to love
Someone like you

Love, love me do
You know I love you
I´ll always be true
So please, love me do
Oh, love me do

Love, love me do
You know I love you
I´ll always be true
So please, love me do
Oh, love me do

Yeah, love me do
Oh, love me do


segunda-feira, 4 de março de 2013

a teoria do cachorro-quente


Querida amiga, desconfie de homem que te leva para comer sushi. Ele pretende pedir você de sobremesa. Com ou sem cobertura de chocolate. A escolha do cardápio denuncia a intenção de um homem.

Um homem que a convida para jantar e leva em um restaurante japonês pretende ter uma noite de sexo. Analise: é uma refeição leve, cuja digestão não dá muito trabalho ao organismo. É extremamente fálico o ato de comer com os palitos, pode ser até sexy.

Da mesma maneira um homem que convida para jantar, se oferece para cozinhar e faz risoto. Ele quer sexo. Homem pensa que fazer risoto é o equivalente ao Viagra feminino. Agradará ao cão, dirá que ama crianças e, se duvidar, ainda lavará a louça enquanto divaga sobre a safra do vinho. Tentará de todas as maneiras impressionar com a única finalidade de fazer amor.

Se o prato for salmão com alcaparras, ele é preguiçoso na cozinha. Mas, igualmente, quer transar depois da refeição. Ou depois da sobremesa, porque é provável que compre um pote de sorvete. Se for sensível à dieta feminina, light. Chamo de preguiçoso o homem que cozinha isso porque não tem erro. Eu enrolo as postas em alumínio, temperadinhas, com as alcaparras, coloco no forno e vou pintar as unhas, organizar os livros, volto em trinta minutos e tudo resolvido. Não requer prática nem habilidade. Muito menos magia. O que não quer dizer que as meninas menos avisadas não se surpreendam quando o macho de plantão apresenta o peixinho.

Quero ver fazer um coq au vin – e não venha com galinha, tem que ser com galo! Quer testar o moço? Peça que ele faça uma matapa com camarões gigantes. Avise que pode caprichar na pimenta. Se ele ligar confirmando a janta, ou resolver encomendar uma pizza, ainda assim terá intenções de pular do pecado da gula direto para a luxúria.

Aliás, se ele a levar em uma churrascaria também estará pensando em sexo. Pastelaria, rodízio de massa, buffet a quilo, casa de filés, fondue, convescote, chimarrão com rapadura, tudo induz aos verdadeiros fins: sexo. Desconfie inclusive do convite para um café ou chá das cinco. Isso independe do tempo do relacionamento ou do grau de intimidade. Namorados ou casados, se ele resolveu fazer um filé estranho com peras e molho madeira, já está pensando em transar. Pensou nisso antes mesmo de decidir se acompanha arroz ou batatas.

Apenas o cachorro-quente é seguro. É sério. Cachorro-quente é quase um método contraceptivo. Um antagonista da catuaba. Antônimo do ovo de codorna. Pior inimigo do amendoim. Cachorro-quente de festa infantil, desses de pacotinho do supermercado ou aqueles que são montados nas carrocinhas, tanto faz. Simplificando, cachorro-quente não leva o homem ao sexo. Esta teoria não é minha, concordo com ela, logo, furtei sem a menor vergonha na cara.

Depois de travar uma batalha gigantesca para vencer a criatura que é uma usina de carboidratos, com seus dentes de vegetais enlatados, milho, ervilha, molhos infinitos, batata palha, condimentos diversos, ingredientes secretos, duas ou mais qualidades de embutidos que teimam em se projetar para fora do pão de modo viril, tudo soterrado por uma movediça camada final de maionese (que sempre acaba pingando na camiseta), o homem estará exausto. E, tendo vencido a batalha, tal qual um bárbaro regressando da Normandia, não desejará a prática carnal.

Precisará agora dos afagos aconchegantes do colo da amada (e uma caneca gigantesca de chá de boldo). 

Café da manhã é isento de qualquer análise! 





Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova

Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora

Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar 

Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta

Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo

Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
Eu peço somente
O que eu puder dar 

Porque eu sei que é amor