segunda-feira, 31 de maio de 2010

mola

Atenção. Isto é sério. Se você espera ler um texto meio chorosinho, politicamente correto, com início, meio, fim e moral da história, tal qual manda o figurino, feche o blog agora. Definitivamente, hoje o texto sou eu. Com todos os avessos dos avessos. Desculpa, me escarrei aqui!



Eu, no auge de toda a educação, moral, bons costumes, bons modos e atitudes comedidas que me foram ensinadas, confesso... sou mesmo uma impulsiva. Vez que outra sento de pernas abertas, mascando chicle pra fazer barulho, falando palavrão e fazendo gestos obscenos. Eu disse vez que outra? Disse. Ok. Não faço isso porque perdia a classe ou desci do salto. Sempre deixo claro que isso eu não faço, ainda quando pareço amarrotada, tenho alma de tergal. Prezo por manter a elegância, a menos que batam no meu carro ou furem a fila no super! Ah, gente muito chata também não merece meu alinhamento comportamental.



Kuky, volta pro rumo da conversa!



Eu sei que eu queria falar sobre os recomeços, mas não será agora. O cabelo ondulado e as unhas nesse vermelho escuro acentuam em mim essa rebeldia que eu quase escondo, se não fosse a minha impulsividade. E eu sou uma impulsiva convicta! Praticante! Quando eu vejo, já fiz, já disse, já arrumei confusão.



Eu sou um doce, mas tenho uma pimentinha ardida que me salva da monotonia. Talvez eu não seja o tipo de princesa que as mães sonham em transformar as suas filhas. Eu não sei até hoje, especificamente, o que eu espero de um relacionamento a dois. Passo léguas longe de ser uma santa ou uma pura. Léguas ainda mais longe de ser uma puta. Falei sobre os palavrões? Sim? Sim!



Eu mantenho a linha, preservo um olhar atento. Observo os limites e passo deles. Tanto faz se a passos largos ou sorrateiramente, pé por pé. Mas passo. Não de um jeito que não consiga nunca mais voltar, mas passo. Vou ali e já volto. Brincadeira de vivo/morto! Tento deixar que a minha simpatia se desculpe por mim, que os pequenos desaforos possam ser curados por um sorriso amarelo do melhor estilo ops! Nem sempre cola. Insisto. Ops... realmente, nem sempre cola!



Claro que algumas coisas acontecem sem querer. Preciso deixar a impulsividade ser autêntica. O difícil é conseguir equilibrar o diabinho (que eu batizei de Schopenhauer) com o anjinho (que eu batizei de Fernando Pessoa). Ah, eles me deixam tonta. A vantagem de eu ser tantas é que posso deixar os dois brigando e fugir um pouquinho pra outra eu. Só um pouquinho! Ultimamente meu diabinho tem vencido todas. O coitado do anjo pegou H1N1, não sei... A minha impulsividade anda sufocando o pobrezinho. Quando eu vou pensar em por que não e já fiz. E refiz. E se bobear, twittei o feito!



Tenho usado decotes. Modestos.

E saia curta. Pero no mucho.

Feito caretas, mostrado a língua e dançado muito.



Hoje lembrei de uma frase do William Purkey: Dance like no one is watching, love like you'll never be hurt,sing like no one is listening,and live like it's heaven on earth. Isso marcou a minha vida desde a primeira vez que eu li. Está escrito em mim. Deu um click... talvez seja a origem mais remota da minha impulsividade. Fazer porque vale, porque eu estou viva e não quero só existir, fazer porque não tem um porquê que explique. Não vou entrar na discussão dos limites ou de magoar os outros, sacanagem e malvadeza não são justificáveis.



Apenas fazer. Just live. Just KUKY it!



Por segundos eu tive medo. Quando fico muito abstrata as atitudes saem estranhas, como se olhar num daqueles espelhos que distorcem a imagem. Tem muito de mim em tudo e tem muito de tudo em mim. E procuro deixar um pouco de mim em todos e carregar um pouco dos outros em mim, uns como mera poeira, outros como cicatrizes. Fico feliz de ser marca em alguém também.



Ah, mas eu ia falar do medo, né?!

Passou.

Lembrei que além de impulsiva, eu sou muito sincera, principalmente comigo.

Tudo precisa de um tempo e eu tenho o meu,  faço o meu. Não uso relógio. Não tenho tempo a perder, nem do meu, nem do teu, nem do cronológico, digital ou analógico. Meu tempo, decido nos ponteiros da minha vida, nos tic tacs que pulsam em mim. Ah, meus doces atropelos!!!


A gente pode ser inimigo do mundo inteiro, mentir e enganar quem quer que seja, menos nós mesmos.

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Musiquinha:
 
 
Si quieres un poco de mí
Me deberías esperar
Y caminar a paso lento
Muy lento
Y poco a poco olvidar
El tiempo y su velocidad
Frenar el ritmo, ir muy lento, más lento.



Sé delicado y espera
Dame tiempo para darte
Todo lo que tengo.

Si quieres un poco de mí
Dame paciencia y verás
Será mejor que andar corriendo
Levantar vuelo


Y poco a poco olvidar
El tiempo y su velocidad
Frenar el ritmo, ir muy lento
Cada vez más lento.

Sé delicado y espera
Dame tiempo para darte
Todo lo que tengo.



Si me hablas de amor
Si suavizas mi vida
No estaré más tiempo
Sin saber que siento.

Sé delicado y espera
Dame tiempo para darte
Todo lo que tengo.

Sou a mais nova fã de Julieta Venegas...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

um passo

Acho chato quando procuro e não encontro. Acho bem chato não encontrar e acho bem chato os desencontros. Entre pessoas, entre objetivos, entre tempos, entre mandos e desmandos. Acho chato, só. Acho estranho abrir o olho e não ver o que eu queria, não estar onde eu pensei que estava. Esta cama não é minha e se é, não está no lugar. Talvez o lugar esteja vago. Opa, no meu carro também um banco vazio... realidade.



Toda a história é única. Não se repete. Os personagens sempre mudam, a cada página um pingo a mais de tinta faz pesar uma consciência que não tem dono. Hoje eu acordei meio despudorada. A mais ardida das pimentas não me faria cócegas. Hoje eu falei muito do que não devia e ouvi pouco. Dormi mais e melhor do que de costume, me permiti algumas regalias, extravagâncias, luxo e até arrogância – que eu detesto. Andei colocando um pé na porta. Um dedo na boca. Os pés pelas mãos. Bom?



Arram.



Impulsividade nunca foi problema meu.



Todo o início é único. Tudo é sempre muito bom. Atracamos o barco e a cada minuto uma paisagem nova se revela aos olhos. É um vento diferente, uma luz mais intensa, uma gota de qualquer coisa, um barulho bom. E nos cabe a tarefa de renovar, conhecer e aperfeiçoar ao mesmo tempo se acostumar, fazer parte daquilo sem que haja monotonia. Realmente, não acho esta a parte mais difícil. Tenho por dentro dias de carnaval – mas sem samba, a não ser que seja um daqueles do Chico Buarque – um carnaval embalado por rock. Azar, inventei. E me invento, reinvento pra poder me adaptar, sem deixar de ser eu, sem perder a minha essência.



Pra mim o difícil é o fim.



Também único. Com todos os porquês que tem um único fim. Com todo o gosto amargo, independente do quão único ele seja. As cicatrizes que ficam depois viram tatuagens. Tente me ler. Sou riscada... Está na minha testa, está em braile na minha pele, saltam pelos meus olhos, algumas marcas são quase placares luminosos de portaria de motel barato. As palavras que não são ditas. Como é alto o que fica calado. Como é intenso. Como são lindos e delirantemente melancólicos os finais. E vão além de um ponto!



Quem se importa com certo ou errado? Verdadeiro ou falso? Eu vou pra onde o nariz aponta, vestida com meus medos, recheada das minhas prudências, no rosto eu levo meu sorriso sincero, meu escudo são meus princípios e a minha espada é esta personalidade chamada difícil. Eu quero ler o que está escrito em ti, mas a grafia é péssima.



(me perguntem sobre os recomeços, minhas teorias são muito interessantes sobre isso)

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Não me cansa correr riscos, nem os pequenos desatinos. Não condeno os impulsos inocentes, os erros sem propósito, nem as escolhas desmedidas. Não nasci pra existir, estou aqui é pra viver mesmo.
 
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One of these mornings
Won't be very long
You will look for me
And I'll be gone (MOBY)
 
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Come on leave me breathless

terça-feira, 11 de maio de 2010

um porto

Eu não gosto da palavra solidão. E também não sei sentir isso... sinto qualquer outra coisa, dou qualquer outro nome, eu batizo, eu invento. Mas me recuso a sentir solidão. Me assusta, associo com coisas escuras e maléficas. Vez que outra essa bruxa tenta me assombrar, nublar o meu dia, apertar aquilo que eu carrego no peito, embrulhar meu estômago e deixar qualquer coisa presa na minha garganta. Um grito, um gemido, um pedido de ajuda, um “eu te amo”.



Daí descubro em mim as minhas múltiplas companhias – porque nem sempre posso grudar em um amigo - , de algumas delas eu gosto, de outras não. E sabe o que eu descobri? Que às vezes eu fico muito sozinha junto com uma porção de gente. E que às vezes eu faço uma GRANDE festa sem ninguém em volta.



Óbvio que eu gosto de mim múltipla, me reinventando, redescobrindo, me analisando e criticando (esta é a pior parte). E me odeio quando eu tento me enganar porque eu sei que não consigo me mentir, as minhas verdades doem como engolir um porco-espinho! Por favor, não tentem isso em casa – espero que ninguém do IBAMA esteja lendo! Claro que me agrada o que eu vejo quando olho pra dentro, quando eu vejo os meus valores e princípios, gosto de me gabar deles... mais ainda de acreditar neles.



Às vezes o que a gente procura está do lado de dentro. Às vezes os amigos são apenas as pessoas que carimbam nosso passaporte pra introspecção. A gente precisa ficar pequeninho pra caber dentro do próprio peito e depois ficar grandão de novo pra encarar a vida de frente. E daí? Sente o quê? Sério que tu não tá sentindo isso? É uma brisa batendo no rosto porque a porta da felicidade está aberta. Passar por ela é uma escolha nossa. O melhor é que não é preciso levar certezas, as dúvidas podem ir, os medos, as brigas, as reconciliações. É tudo questão de olhar pra dentro e sentir que está tudo bem. É tudo questão de escolha. Não tem certo ou errado. Não existe perdão ou perdoados. Não existe salvação e pecado. Não é questão de andar junto ou separado, é questão de andar. É a escolha consciente. Que sejam necessárias, sóbrias, lúcidas. Que sejam bem feitas. Que sejamos felizes com elas e que elas jamais nos traiam.



Entendeu que as nossas escolhas são as pedrinhas que ladrilham o caminho?!

Nosso único trabalho é definir onde queremos chegar , o que queremos ter, quem queremos ser.



O que é verdade pra ti?

Quais tuas prioridades?



Respostas do lado de dentro.

(Como se vê, ainda estou no labirinto, sem David Bowie!)
 
=0=0=0=0=0=0=0=0=0=
 
Um salve pro meu professor de ética da faculdade (Guzo?! Era isso?!), que dizia que é muito errado condicionar nossa felicidade às escolhas alheias.
 
Ok.
 
Apenas gostaria de lembrar que somos seres sociais, até o mais egoísta.
 
beso, profe!
 
 
=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=
 
música pra quem está chovendo:
 
Rain - Blind Melon
All I can say is that my life is pretty plain



I like watchin' the puddles gather rain


And all I can do is just pour some tea for two


and speak my point of view


But it's not sane, It's not sane

I just want someone to say to me, oh oh oh oh


I'll always be there when you wake


You know I'd like to keep my tears dry today


So stay with me and I'll have it made



And I don't understand why I sleep all day


And I start to complain that there's no rain


And all I can do is read a book to stay awake


And it rips my life away, but it's a great escape


escape......escape......escape......

All I can say is that my life is pretty plain


you don't like my point of view


you think I'm insane


Its not sane......it's not sane.

I just want someone to say to me, oh oh oh oh


I'll always be there when you wake


You know I'd like to keep my cheeks dry today


So stay with me and I'll have it made


and I'll have it made, and i'll have it made, and i'll have itmade.....

terça-feira, 4 de maio de 2010

resgate

Entender é um dom, que às vezes eu não tenho. Talvez não seja tão difícil quanto perdoar... Me confunda, mas não o suficiente para que eu desista de brincar, vire as costas e vá embora. Seja sincero, ainda que eu pareça preferir que não. Não me subestime, não pense que eu não tenho senso de realidade, por mais que eu voe – e eu vôo longe – eu sei bem fazer meus pés tocarem o chão. E sei pra onde andar e sei quando correr e sei do que eu quero fugir. Também sei quando me roubam o chão, infelizmente.



Eu sei que eu não tenho mapas, que eu chutei a bússola, que no meu caminho tem buracos. Mas acredita que eu já pulei por precipícios? Acredita que eu já vivi dias de tormentas? Já fiquei nublada, já fiz temporal, já entrei em erupção. E em ebulição também. Eu funciono em condições diferentes de temperatura e pressão. A maioria das convenções não se aplicam a minha pessoa. E sim, foi isso que eu escolhi. E sim, a grande maioria das vezes que eu caí também foram pelas minhas escolhas. Por favor, não me pergunta se eu me arrependo. Não me resgate das minhas escolhas, nós tínhamos todas as opções. Nós ainda temos.



Também não queira entender as palavras que estão escritas na minha testa, talvez elas não tenham a menor lógica, talvez não formem sequer uma frase. Pra onde eu vou? Pra onde aponta meu nariz. Do que eu gosto? Do que me faz feliz. Optei por não criar grilos. São pequenos, fazem barulho, não me agradam. Crio alguns monstros de tamanhos variados, formas diferentes, coloridos, preto e branco, tem de tudo. Conheço cada um deles pelo nome – alguns têm sobrenome, RG e CPF. Em geral eles não me assustam. São meus defeitinhos, meus pequenos traumas, que eu gosto e faço questão de não me esquecer deles. Plantam em mim sementes de dúvidas. Saio riscada atrás das respostas que não estão lá fora. Eu deveria deixar essas sementes crescerem, talvez virassem respostas, mas isso precisa de tanto tempo e eu sou tão imediatista...



Por que algumas pessoas são imaturas? Por que têm medo de arriscar? Por que não se dão conta que vivem na Terra do Nunca, enquanto podem participar de uma realidade que não é terrível como se pinta. Que preconceito bobo. Eu não quero mais ter 16, mas pra onde eu olho... quem não tem?! Quem faz o quê?



Desculpa, eu não deixo a vida me levar. Sei lá pra onde vai essa maluca!!! Prefiro acreditar que quem sabe faz a hora não espera acontecer. Se eu sei? Eu sei muitas coisas. Sei praticamente tudo. E o que eu não sei, eu invento.



(ou procuro no Google!)



Não deixe a distância ser tão grande que nossas realidades não sejam nem paralelas. Não deixe morrer qualquer assunto que ficou no ar.

Não deixe de me lançar aquele olhar que me quebra.

Não deixe de desafinar no meu ouvido.



Foi bom depois de um tempo sentir o cheiro que só tu tem. E o abraço que só tu dá.

A tua barba recém feita ainda me incomoda e teus assuntos ainda me fazem pensar em tanta coisa. Me orgulho de ti por fazer isso, mesmo de longe, continuar vivo. Que seja eterno. Que o teu riso ainda seja o que eu mais gosto. Que ainda seja perfeito, mesmo sabendo que a perfeição é uma ilusão que a gente cria. A minha está na categoria monstros. Este lugar que está vazio, sempre esteve assim, mas tem teu nome escrito.

 
 
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I know we have rainy days

It's only scary if it gets down to you
Hear now what I say, there's one way...
Feel the rhythm, have a taste of some
Sweet, sweet love.
Boy, you know it's right
To make it takes a whole lot of paradise.
Yeah you see it now
It's funny how we change when our lives get a taste of the
Sweet, sweet love.

There are some things I can do without
Some things I just don't need
Too much in life gets cluttered
I like the feel of simplicity and
Sweet, sweet love


(kaskade, sweet love)