quarta-feira, 13 de outubro de 2010

camisola de matar marido

- Agora chega! Sou bem grandinha, é hora de ter uma camisola! – Decretei sozinha no quarto ao me deparar com a cena no espelho. Eu de camisa xadrez de flanela, meias listradas e pantufas de pé de monstro com direito a garras, com uma xícara de chá na mão.

 
- Deprimente! Tenho 30 anos, nem minha vó de 80 e muitos deve se vestir assim pra dormir! Amanhã compro uma camisola. É isso ou a vida!


Minha gata, em cima da cama, apenas virou as orelhas pra trás e continuou procurando o melhor lugar em cima do travesseiro. Já estava acostumada com as minhas decisões noturnas, promessas não cumpridas, teorias infundadas, confissões pro espelho e principalmente comigo naqueles trajes.


Eu estava convencida, dessa vez era sério. Eu que amo ficar sozinha, me agradar, me paquerar, aproveitando o máximo da minha privacidade, no auge do isolamento e egoísmo que beira à ignorar o mundo, dei de cara com uma baranga!!! Pior só se eu usasse rolo ou passasse uma nhaca verde na cara.


Saí do trabalho e rumei ao shopping na hora do almoço. Numa vitrine encontrei ela: uma camisola de matar marido!!! Siiiim!!! Era ela. Comprei, nem experimentei, já conheço meu próprio tamanho. Pedi pra embrulhar pra presente! Yeah... uma camisola e da-que-las. Fui pra casa, levei meu pequeno rebento pra aula, contei da camisola, ele não deu muita atenção. Voltei pro trabalho. Tinha planos pra noite: depois da aula de fitball, banho, muitos cremes, vinho, camisola nova e cama... com uma taça de vinho e um livro. Ou um filme. Ou um nada. Basta a camisola, o vinho e eu.


E lá estava eu, depois do banho, enrolada numa toalha, admirando a desembrulhada camisola em cima da cama. Preta, de cetim, alcinhas muito finas, curtinha, com rendas no busto e na barra. Não muitas, porque me pinicam!


Cremes pra lá, cremes pra cá, camisola e vinho. Cama.


Ainda olhei as meias listradinhas na gaveta e cogitei colocá-las. Resisti. Tenho pés frios, mas o vinho, a gata ou o cobertor que esquentem.


Levantei da cama fui me olhar no espelho. A camisola é mesmo muito bonita... o cetim é uma graça, o corte, o caimento, a renda... é linda. Curtinha na metade da coxa. Eu estava muito bem dentro dela. Mais feliz do que se estivesse dentro de um Mustang! E eu de camisola, com uma taça de vinho na mão, merecia passar um rímel, ainda que fosse para dormir. Passei! E um gloss. Passei. Quanta volúpia!


Voltei pra cama. Camisola, vinho, rímel, gloss, vinho. Senti-me ridícula por segundos, mas só até fechar os olhos e sentir o carinho que o cetim faz na pele. Tipo do carinho que combinava com o meu Merlot, já na metade da taça. Eu merecia ouvir Chico Buarque. Levantei da cama, fui até a bolsa procurar o pendrive com a seleção de músicas do Chico. Mais uma olhada no espelho.


Realmente, uma camisola digna de matar marido. Diria que o marido morreria bem feliz e contente, aprovando a camisola.***


Olhei no espelho: eu de frente, de lado, de costas... que maravilha. Olharia mais duzentas vezes. Voltei pra cama. Chico Buarque, vinho, livro novo, camisola, muitos cremes, rímel, gloss, a gata companheira, quase um paraíso! Mas não conseguia relaxar, não dava pra ficar à vontade. Tentei dormir, virei pra lá, virei pra cá, melequei a fronha de rímel, de gloss e nada. Nem era falta de sono, alguma coisa estava incomodando, não me deixava relaxar, como criança que se lembrou do tema de casa que não fez.


Sentei na cama.


Tem alguma coisa errada e é essa camisola de matar marido!


Não adianta, é linda, é gostosa, é macia e sexy, mas a bunda da pessoa fica gelada!


Levantei da cama, tirei a camisola, vesti a camisa xadrez, as meias listradas, me olhei no espelho com o rímel meio borrado e um resto de gloss: uma baranga. Uma baranga que vai dormir quentinha e feliz!!!

(*** Nota da autora (sim, eu mesma!): sempre escrevo que unhas vermelhas me deixam impulsiva, descobri que a tal camisola me transforma numa potencial assassina de maridos. Por sorte - dos maridos - não casei.)
 

E o que eu ouvi:

Quando você me deixou, meu bem,

Me disse pra ser feliz e passar bem.

Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,

Mas depois, como era de costume, obedeci.



Quando você me quiser rever

Já vai me encontrar refeita, pode crer.

Olhos nos olhos,

Quero ver o que você faz

Ao sentir que sem você eu passo bem demais



E que venho até remoçando,

Me pego cantando, sem mais, nem por quê.

Tantas águas rolaram,

Quantos homens me amaram

Bem mais e melhor que você.



Quando talvez precisar de mim,

Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.

Olhos nos olhos,

Quero ver o que você diz.

Quero ver como suporta me ver tão feliz.

(olhos nos olhos é uma das músicas mais fodásticas pra mim!)

7 comentários:

Anônimo disse...

Apenas por uma questão de ordem, ficaria bem a foto da referida camisola.

Keila disse...

Aii, essas camisolas são um perigo. Tenta aqueles conjuntos de short e blusa Kuky (resolverá o problema da bunda gelada)rs
Linda foto!

Carlos disse...

Pô Kukinha! Quando a coisa tava começando a ficar "quente" tu tira a camisola!?!?!? Bunda gelada? Meu avô dizia sempre: cuidado com nariz de cachorro e bunda de mulher quentes! Acho que minha avó dormia com camisola de cetim...

Gustavo disse...

Sensacional!

Fabiano R Battaglin disse...

Parece comigo, só que para acionar minha volúpia eu coloco a boxer fio-dental e passo óleo por todo corpo antes de assistir um filme e tomar uma taça de vinho.

(eu sei q p vc não é necessário, mas p quem não me conhece: eu não faço isso)

disse...

Tu me mata! kkkkkkkkkkkkkkkk

Adorei!

bjos

Rick disse...

Figuraça!!!!!
Rs...