Pular para o conteúdo principal

final alternativo

Da série dialoguinhos.

****

- Isso é um fora?



- Não era pra ser.


- Mas o que acontece agora? Tu sai pela porta, pega a bolsa, o lenço e vai embora.


- É...


- Mesmo assim não é um fora?


- Se me deixares sair sem explicar todos os porquês que tu queres perguntar, não vai ser um fora. Vai ser um tchau.


- Se tu não vais voltar, vai ser um adeus.


- Olha, chama do jeito que mais te agrada, eu prefiro só sair pela porta.


- E depois?


- Depois o quê?


- O que acontece?


- O mesmo de sempre... a noite vira dia, o dia vira noite, que vai virar dia de novo...


- Jamais vou te entender.


- Jamais vou me explicar.


- Ainda assim, eu gosto do teu jeito.


- Ótimo. Sem mágoas?


- Não.


- Certo, com mágoas, então.


- Ainda não sei, vou descobrir amanhã, quando acordar.


- Muito bem.


- Para onde tu vais agora.


- Para o elevador.


- E depois?


- Para baixo. É onde fica a portaria, não?


- Sim, mas do jeito que tu és, não me surpreenderia ir até o terraço e sair voando.


- Hmmm... vou pensar sobre isso para uma próxima vez! Te cuida, certo?


- Olha só... vou deixar a porta aberta.


- Pra quê?


- Para uma próxima vez.

Comentários

BETO disse…
Repetindo o q eu falei p vc no telefone: sempre torço para dar certo porem é mais legal quando dá errado.
bj

Postagens mais visitadas deste blog

simpatia para parar de chover

Só para seguir a tradição, chove. Nos primeiros dias das minhas férias na praia é sempre o que acontece. O primeiro dia geralmente tem um sol sedutor, um calor de matar, mar lindo. Depois chove. Eu gosto de chuva. Mesmo na praia, mesmo de férias. Mas também gosto de aproveitar o mar, a areia, gosto de caminhar, de tostar no sol e ficar enfarofada junto com o meu filho, usar chinelos em vez de galochas.
Por isso aprendi várias simpatias!
Sueli, que trabalha na minha casa desde a pedra fundamental, disse que se deve jogar um punhado de sabão em pó no telhado. Pedir para Santa Luzia limpar o tempo. Já fiz isso. Considerando o preço do sabão em pó, gostaria de saber se a santa poderia limpar o tempo com sabão em barra. Sem falar que no ano passado sofri um pequeno acidente Bem na horinha que fui jogar o sabão, bateu um vento que trouxe todo o pozinho azul direto para o meu rosto. Nunca tive olhos e boca mais brancos! Sem manchas desde a primeira lavagem.
A avó do meu amigo Felipe, Dona Sa…

a noiva do vento

Peça para uma criança definir o vento. Eu apenas acreditava na existência real do ar quando ele virava vento. Quando era tomado de força, ganhava forma, movimento, atiçava a minha curiosidade. A observação do vento ainda atrai os pequenos. Na pracinha aqui perto havia uma menina sentada à sombra com a mãe. Olhava com atenção as folhas secas que trocavam de lugar no chão. Nem balanço, nem gangorra, a garota estava descobrindo o vento.
O vento tem intimidade com a paixão.
Oskar Kokoschka pintou A NOIVA DO VENTO com pinceladas desesperadas, cores nervosas, num quadro que emoldura a própria enxaqueca do abandono. Na obra, uma mulher adormecida sobre um corpo masculino, cujos olhos não passam de órbita vazia – tradução da ausência de vida. A mulher não o deixa, mesmo que ele já a tenha deixado. Mesmo que ele já esteja morto. A ausência de qualquer conotação sexual pela ausência de cores quentes (vermelho, laranja) e o excesso de tudo aquilo que pode faltar, que remete ao gelo e à solidão pe…

joelho

Coisa bem feia é joelho. Não me afeiçoa a palavra, nem a parte do corpo, em que pese reconheça a importância. Tanto reconheço, que se eu jurar algo pelos meus joelhos, será verdade. Justifico: me falta a memória para lembrar quando a expressão surgiu, talvez, nos idos de 2010. Acho. Eu fui muito dramática em 2010.
Pode ser que, embalada por um café passado, quase frio e sem açúcar, não menos amargo que a pauta da conversa com um amigo, tenha surgido a dúvida sobre algum sentimento que profetizei.
“Jura" - ele deve ter perguntado. “Pelos meus joelhos, juro pelos meus joelhos!” - lembro de ter respondido.
Os joelhos são feios e úteis. São complicados e importantes. Entre o fêmur, a tíbia e a fíbula; colaterais, cruzados e meniscos. É como o amor. Entre o eu te amo, a entrega e a vida; medos, expectativas, preservação.
Por que as crianças estão sempre com os joelhos ralados? Porque são destemidas. Até que se abra o primeiro corte, que se faça a primeira cicatriz. Até que o pai advirta.E…