sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

porta dos desesperados

Viver é um verbo dinâmico. E a vida é uma boa desculpa. Para aquilo que não se explica, a vida, ponto. Explicado está. Ainda assim, raros são os que vivem, porque isso implica em escolhas, mais do que é confortável. Viver ultrapassa abrir o olho pela manhã e enfrentar um dia. Não se resume a ter nascido para existir no intervalo até a morte. Isso é banal. Isso é fácil. Qualquer um faz.



Acredito que a cada dois passos surgem diversas portas na frente do meu nariz. É um corredor sem fim de portas de todos os tamanhos, de diversas cores, algumas entreabertas, outras com fechaduras, cadeados, maçanetas douradas, trancas de madeira. Eu me preocupo com as que têm olho mágico, porque não consigo ver o lado de lá antes de empurrar e ouvir ranger as dobradiças. Apenas a porta me vê, estuda as minhas possibilidades, analisa a minha surpresa. A única vantagem que tenho é a escolha. A porta não pode me escolher, mas me conhece. Eu, sobre ela, apenas suponho.



Justamente o que me intriga são essas incertezas. Não tenho medo das possibilidades, por não as conhecer. Tenho curiosidade. E quando me perguntam “afinal, o que tu procura?” Eu apenas posso fazer escolhas. Dizer o que eu não procuro, o que eu não quero, do que eu não gosto é fácil. Tão fácil quanto existir nesse intervalo entre nascer e morrer. Ninguém se conhece tanto para ter certezas do que quer. A gente vive mesmo é de dúvida. Quando o mundo me planta interrogações, eu respondo com perguntas. Eu sei exatamente o que eu não sou. De resto, sou vaga desconfiança, com uma série de lembranças, pimenta, TNT, melodias e cobertura de chocolate. Pouco importa o sentido que isso faz. Em realidade, o caos faz bem mais sentido. As contradições são mais ricas de possibilidades.



Quem segue firme numa reta abrevia o mundo.



Quem não torce o pé, não cai em buraco, não topa em pedra alguma, não sabe rir porque jamais chorou. Não confio em quem não verte decepção pelos olhos. Aliás, não confio em quem não vaza de saudade, de amor de felicidade. Não sentir nada também não tem sentido.



Cada porta aberta é um convite irrecusável. A passagem é obrigatória. As outras são renunciadas e somem, mais adiante, mais portas, mais caminho, mais labirinto, trilhas, morros e montanhas. Tenho dias de montanha, quando fé alguma me move. Tenho dias de pluma, quando qualquer brisa me leva. Vou do fácil ao impossível em questão de segundos.



Mas e quando a porta aberta é um erro?



Lamento, impossível voltar atrás e escolher uma nova porta. Elas não estarão mais lá, não aquelas. Novas portas surgirão sempre à frente, sem que isso seja, necessariamente uma evolução. Elas fitarão um novo alguém pelo olho mágico. Então o que impede de retroceder?



A experiência.



São essas as gotinhas que enchem o copo inteiro da vida. Quando a gente aprende que elas não precisam ter sentido, em vez disso, precisam ser sentidas, a gente deixa de existir. Aí sim, é vida. Disso tudo o que fica é a falta de pudor pra amar com liberdade.




dialoguinho de amigos & vinho (sexta produtiva sem passar do portão!)


A: Preciso que tu me cedas um vinho.



B: De novo? Eu vou contigo no super!


A: Preciso que tu me cedas um vinho e companhia.


B: Ah, não, tirei a noite pra ficar comigo. Não te quero me atrapalhado.


A: Nem que eu já tivesse bebido a garrafa inteira conseguiria atrapalhar teus pensamentos...


B: Não?!


A: Não, sou praticamente teu alterego.


B: hahaha não é, se fosse, brigaríamos muito.


A: Nós sempre brigamos muito, só que nunca é sério...


B: É?! Então desperdiçamos brigas à toa???


A: Sim... vamos tomar esse francês?


B: Não. Muito caro pra beber contigo.


A: Poxa, sou teu alterego e estou até de camisa!


B: Ok... mas eu abro!






****






A: Acho que devemos pedir uma pizza.


B: Acho que devemos ouvir Queen.


A: Pode ser Beatles?


B: Pode ser torrada?






****






A: Quanto custou esse vinho?


B: Uns setenta reais.


A: Que caro pra combinar com torrada!


B: Não tenha regras, aprecie os prazeres.


A: Olha quem falando, a rainha dos princípios, meios e fins...


B: Ah, mas eu não tenho regras, não muitas.


A: Você é desregrada, isso é diferente. Até as tuas regras são desregradas.


B: É sim... ai, fazia tempo que a gente não sentava pra conversar. Precisamos fazer isso mais vezes, eu gosto do jeito que tu me entende.


A: Não te entendo, te aceito, assim... filosoficamente falando.


B: Assim, filosoficamente falando, vai te catar!






****


A: Sabe de uma coisa? Você deveria repensar a tua meta de não casar.


B: Não tenho meta de não casar... De onde tu tiraste isso?


A: Vou reformular, você devia pensar em casar!


B: Por que isso agora?


A: Porque você é fiel.


B: Casamento não vive só de fidelidade!


A: Não estou falando só de fidelidade homem e mulher, de não trair o marido. Você é fiel nas convicções. Mesmo que mude de hora em hora, fundamenta, defende como se fosse um filho. Bate o pé por elas, não muda a alma de casa quando ama. Aceita que a tua alma seja a casa do outro.


B: Não é verdade, não gosto de intromissões na minha vida. Tu já estás invadindo a noite que reservei pra ler e escrever... Hoje era pra estar no meu umbigo, sozinha. Oh, Deus, estou me traindo contigo!!! A que ponto cheguei?!






****






B: No fim das contas, tua situação ficou como.


A: Na mesma. Uma merda. E você, como está?


B: Igual.


A: Então somos dois na merda! Hahaha


B: Eu não disse isso!!!






****






A: E aí...


B: O quê?


A: Qual o plano de fuga?


B: Não há.


A: Já vi esse filme.


B: Então vamos trocar de canal.


A: Filosoficamente falando?


B: Sim.
_+_+_+_+_+_+_+_

Vinho francês + Camus + Carla Bruni...

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose



Elles passent en un instant comme fanent les roses

On me dit que le temps qui glisse est un salaud

Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux



Pourtant quelqu'un m'a dit

Que tu m'aimais encore

C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore

Serais ce possible alors



On dit que le destin se moque bien de nous

Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout

Parait qu'le bonheur est à portée de main

Alors on tend la main et on se retrouve fou



Pourtant quelqu'un m'a dit

Que tu m'aimais encore

C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore

Serais ce possible alors



Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais

Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit

J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits

Il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit



Tu vois quelqu'un m'a dit

Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit

Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors



On me dit que nos vies ne valent pas grand chose

Elles passent en un instant comme fanent les roses

On me dit que le temps qui glisse est un salaud

Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux



Pourtant quelqu'un m'a dit

Que tu m'aimais encore

C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore

Serais ce possible alors



4 comentários:

Anônimo disse...

Bóóóó.

Carlos disse...

Kukynha, como o video da minha xará Bruni estava antes no Face, li o post ao som dela. Muito apropriado. Faltou o vinho para ficar perfeito... Teu Mestre Schopy te aplaude de pé!

Filosoficamente falando, nascestes sabendo a diferença entre o Viver e o Existir...

A propósito, algumas vezes é interessante bater nas portas fechadas... TOC!TOC! Surpresa!

Foto tudo a ver com o texto!

thiago disse...

sempre linda, a mais inteligente princesa que eu conheço.
beijo

Paula disse...

Ameeeei, vou mandar para as minhas amigas. BEIJOOOOS