quarta-feira, 31 de agosto de 2011

ciência, arte e nós com isso...

Nunca comprei um relógio que já viesse com a hora certa. Mesmo quando a vendedora arrumava na loja, ainda não era a minha hora. Oito minutos na frente caminham os meus relógios. Os  que pararam por falta de pilha, assim marcavam. Oito minutos nos ponteiros, mas não no meu tempo. Esse voa.

E porque meu tempo é diferente do cronológico, com meus tic-tacs atípicos, eu não uso relógio. Gosto de ter, ganhar, comprar. É um objeto lindo, cheio de simbolismos. Quando falei sobre deles e da hora certa, estava falando de pessoas. Nunca vi os ponteiros das pessoas marcando hora certa já de início. Nem presenciei ponteiros que não precisassem de ajustes com o passar do tempo.

Cada um tem seu tempo e seu espaço. Isso é real, é fato, é científico. Einstein se dedicou a escrever sobre a teoria da relatividade restrita. Esta é diferente da primeira teoria da relatividade, de Newton, onde as forças e espaços são iguais para todos os observadores inertes. Einstein não disse que Newton estava errado, apenas referiu que em caso de mais de um observador em movimento, a uma determinada velocidade, as noções de tempo e espaço se alteram. O que isso tem a ver com as pessoas? Simples. Somos seres em constante movimento, mas não em velocidade constante e jamais na mesma velocidade. Somos nômades das próprias ideias, variáveis infinitas de possibilidades e isso sem sairmos da circunferência do umbigo.

Ainda assim, estamos em movimento!

Nesta teoria, Einstein foi muito filosófico (obrigada, querido!), considerou que o tempo não tem uma duração absoluta. Acredito que depois disso, ele também deve ter abolido o uso do relógio. Ah, mais uma coisa importante, para essa variação, o movimento dos observadores não deve ser a esmo, é um movimento entre si. Eu, calçando as meias do romance, neste momento, já imagino Gardel na vitrola. Dois corpos em movimento num belíssimo tango. A dança é um movimento perfeito de pessoas – mesmo para quem, como eu, não sabe dançar. Ofereço perigo ao pé do par mesmo quando danço dois pra lá e dois pra cá. Admiro muito quem sabe dançar junto, quem utiliza com perfeição o espaço que o outro deixa para encaixar o seu corpo no ritmo. Dançar é uma arte, é Vettriano em movimento, com trilha sonora.

Salvador Dali pintou essa teoria da relatividade restrita através de relógios em três momentos: A persistência da memória, Relógio mole no momento da primeira explosão e A desintegração da persistência da memória. No primeiro quadro, três relógios moles, moldáveis e maleáveis marcam horas distintas em três partes do quadro – passado, presente e futuro. A paisagem de fundo é uma praia onde ele costumava ir na infância. No segundo quadro, Dali pinta um relógio mole com peças soltas e os ponteiros flutuando sobre a caixa. Dá ideia do tempo se moldando ao momento, o observador define o momento, a hora de quem vê. Por fim, no último quadro, Dali revela elementos não aparentes no primeiro e fragmenta os objetos do quadro, com exceção dos relógios. Na física, todos os elementos são fragmentados, formando o todo que podemos perceber. O tempo é moldado pelo espaço, dependendo mais uma vez do observador e do seu movimento.





Na física ou na arte, os ponteiros estão lá, aguardando ansiosos o ajuste. Eu sou a primeira a votar a favor das conversas francas. Acredito que pessoas dispostas a estarem juntas podem ser sinceras. Conversar não é sinônimo de briga. Discutir a relação é hábito saudável, tanto quanto não fumar e comer verduras. Não há mal em dizer o que pensa, confessar o que se sente, compartilhar vontades. Está em dúvida, pergunte. Isso cura dor de ideia.

Lógico, é necessário um cuidado. Não podemos sair falando tudo sem edição alguma, isso é preguiça, falta de preocupação. A palavra pode beijar, mas também pode morder. Acaricia e belisca. Eu não acredito em relações onde tudo é varrido para baixo do tapete. Uma hora isso volta. É uma questão prática nada complexa. Quando a nossa casa está suja, limpamos. Se a pia está cheia de louça suja, lavamos. O relógio não marca a hora certa, ajustamos os ponteiros. Organizamos tanta coisa e somos negligentes com a vida pessoal.

Observo uma falta de coragem muito grande para tomar atitudes. Quando duas pessoas estão em movimento entre si, o tempo e o espaço não são os mesmos, o que não quer dizer que seja impossível uma área de contato. Os ponteiros não se ajustam ao acaso, a equação matemática se dá pela palavra. Parar para escutar é fundamental, mas parar para falar também.

Nunca comprei um relógio que viesse com a hora certa, nunca conheci ponteiros que não pudessem se acertar. Como nos relógios de Dali, nosso tempo é moldável ao espaço, perfeito para que se encontre a sintonia. Basta boa vontade e doses cuidadosas de sinceridade.




BILHETE FRITURINHA! - só quem sabe, entende!

Dedicated to the One I Love


The Mamas and the Papas


While I'm far away from you my baby
I know it's hard for you my baby
Because it's hard for me my baby
And the darkest hour is just before dawn

Each night before you go to bed my baby
Whisper a little prayer for me my baby
And tell all the stars above
This is dedicated to the one I love
(love can never be exactly like we want it to be)

I could be satisfied knowing you love me
(and there's one thing I want you to do
especially for me)
And it's something that everybody needs

While I'm far away from you my baby
Whisper a little prayer for me my baby
Because it's hard for me my baby
And the darkest hour is just before dawn

If there's one thing I want you to do especially for me
Then it's something that everybody needs

Each night before you go to bed my baby
Whisper a little prayer for me my baby
And tell all the stars above
This is dedicated to the one I love
This is dedicated to the one I love
This is dedicated to the one I love
This is dedicated to the one I love

3 comentários:

Anônimo disse...

Ruiva tu se puxa nas escritas!

Keila disse...

Tantas areas num texto só. Muito bom!
Tão bom me atualizar dos teus textos.

Carlos disse...

UAU!!!