terça-feira, 9 de novembro de 2010

paul em porto alegre

Quando os meninos de Liverpool se transformaram nos Beatles não imaginavam o fenômeno que seriam. E que ainda são. Tenho imensa dificuldade em explicar por que eu amo tanto, de onde vem a minha paixão. Quando eu nasci não havia mais o grupo e John Lennon logo foi assassinado. Meu amor pelos Beatles é genético. Meus pais sempre amaram, ouviam enquanto namoravam e – segundo fui informada depois do show – fui feita ao som dos reis do iê iê iê.

Sofri dores físicas de ansiedade pro show do Paul McCartney domingo. Revivi minhas cenas de criança, ouvindo os vinis e fingindo dublar as músicas. Eu inventava coreografias, adorava tatear as capas dos discos, percorria com os meus dedos os contornos dos rostos de cada um deles, como se quisesse decorar para desenhar depois. Minha vida sempre teve trilha sonora. Aprendi em casa a relacionar os momentos com as músicas. E os Beatles sempre fizeram parte da família. Antes da ceia do natal, ajeitando os últimos detalhes, eles sempre faziam show na nossa sala. Já grandinha, ganhei de um namorado um pôster da capa do Abbey Road, fiz questão de explicar todos os indícios da suposta morte de Paul. Catei uma imagem do Sargent Peppers pra mostrar mais detalhes... pouco chata.

Eu, tão moderninha, adoro o rock do tempo dos meus pais. Achava que estava musicalmente na época errada, por jamais poder assistir um show dos Beatles. E daí Paul McCartney resolveu aparecer. Eu nem vou perder tempo falando de toda a emoção, porque é indescritível, demorei muito para conseguir acreditar que eu veria um show do Paul. E ele foi o mesmo Beatle Paul. Fez os mesmos olhares, tinha o mesmo sorriso, mexia com o cabelo da mesma maneira que eu via nos shows em preto e branco de todos os DVD’s que eu tenho. Paul, a lenda. Paul, o Deus. Minha vida musical fez mais sentido.

Eu degustei cada segundo da fila, da espera, traguei cada acorde das músicas na melhor companhia: a minha família. Minha irmã e eu choramos, dançamos, cantamos, numa felicidade sem precedentes. E do nosso lado, mamãe e papai, igualmente emocionados, namorando o tempo inteiro! Dançaram como se estivessem num baile, eu podia ver meu pai com o cabelo feio daquela época e a minha mãe com a calça boca de sino. Trocaram beijos – eca – e juras.

Já em casa, conversando sobre o show, talvez numa tentativa de convencer um ao outro que aquilo não foi um sonho, meus apaixonados pais começam uma conversa paralela de onde se ouve só uma palavra alta: champagne! E eu, na minha inocência, exclamei:



- Oba! Vamos tomar uma champa pra comemorar o show?!



Fui logo repreendida pelo meu pai, que disse que ele e a minha mãe iam tomar uma garrafa. E foi um aviso que me lembrou as tarjas de classificação de faixa etária dos programas de TV: o programa a seguir contém cenas de nudez, impróprias para menores de 18 anos. Não contentes, ainda deram um beijinho. Era hora de dormir...

No meu quarto, deitadinha na cama, pronta para dormir, liguei para uma amiga que também estava no show, mas em outro lugar. Fofocamos, falamos das nossas emoções, das sensações, momentos especiais e tive que fazer queixa dos meus pais:

- Ana, os dois namoraram o show inteiro. Ainda chegaram em casa de cochicho e resolveram tomar uma champa a portas fechadas!

- Isso não é nada, amiga, pior meus pais que são separados há séculos e “ficaram” no show.

Paul fez história. Eu vivi um dia histórico. O show mexeu comigo, que conheci os Beatles quando a banda não existia mais, mantive vivas lembranças que não eram minhas, inquilinas da minha memória. Mas quem viveu aquela época, reviveu tudo, reviveu as lembranças próprias.

Eu me achava muito moderna para amar tanto assim os Beatles.

Modernos são os nossos pais. Eu, sou aprendiz de moderna.



Família feliz antes de sair!



My Love - Quando Paul foi cantar essa música, ele disse que fez para a gatinha dele - Linda - mas, que naquela noite, ele dedicava para todos os namorados. Muita coisa fez sentido! Agora eu dedico aos namorados que são meus pais e aos "ficantes", pais da Ana.


And when I go away


I know my heart can stay with my love


It's understood


It's in the hands of my love


And my love does it good


Whoa-whoa-whoa-whoa, whoa-whoa-whoa-whoa


My love does it good










And when the cupboard's bare


I'll still find something there with my love


It's understood


It's everywhere with my love


And my love does it good


Whoa-whoa-whoa-whoa, whoa-whoa-whoa-whoa


My love does it good










Whoa-whoa, I love, oh-whoa, my love


Only my love holds the other key to me


Oh-whoa, my love, oh-oh, my love


Only my love does it good to me










Whoa-whoa-whoa-whoa, whoa-whoa-whoa-whoa


My love does it good










Don't ever ask me why


I never say goodbye to my love


It's understood


It's everywhere with my love


And my love does it good


Whoa-whoa-whoa-whoa, whoa-whoa-whoa-whoa


My love does it good










Whoa-whoa, I love, oh-whoa, my love


Only my love does it good to me

2 comentários:

Carlos disse...

Kuky, me senti um pouco no show...
Até diminuiu o remorso!
Beijo nessa Família LINDA!

Anônimo disse...

é um gostar genético sim, tb sinto isso. Bjs