sexta-feira, 26 de novembro de 2010

de volta

Apenas a despedida premeditada, inevitável - e que cumpre seu período de aviso prévio - permitirá termos a certeza de qual vai ser o último beijo, o último abraço e a última música. Dos fins que eu conheço, nenhum foi obediente. Faltou aquele que saiu exatamente como o planejado. Não tenho finais organizados. Eles são feitos de improviso. As minhas despedidas não tiveram tchau, nem a cena típica do adeus no porto, o aceno com o lenço branco emoldurado pelo sol se pondo, avermelhando o céu. Eu perdi dentro de mim a memória de quase todos.

Eu sou boa em perder as coisas. Chave do carro, chave de casa, tampa de caneta, marcador de página, tarraxa de brinco, envelope, moedas, tic-tac, razão, lápis de olho, auto-bilhetes, pendrive, nota fiscal, botões, oportunidade de ficar calada, pequenas manias, momentos e um pouco de tempo, já perdi tudo isso. Costumo semear meus pertences pelos quatro cantos do mundo. Mas esses dias eu perdi uma coisa que me deixou meio preocupada, não foi a primeira vez. Perdi eu mesma. Sim, consegui de novo.

A velha tática de largar as migalhas no caminho não funcionou. Quando a gente quer se perder, até a própria estrada ajuda. Fui conscientemente perdida. Abandonei-me à própria sorte. Nem fiquei preocupada com o que havia pela frente. O trajeto já era conhecido, o que tinha de novo eram as pedras do caminho. Alguns buracos foram tapados, novos foram abertos e eu torci meus tornozelos em vários deles.

É sempre assim quando a gente visita a casa onde já morou.

O que já foi dito está pichado na parede de cada cômodo. As fotografias perderam as molduras, os risos ficaram reais, os toques eram macios, os beijos molhados e meus cabelos emaranharam  de verdade.

Dentro do balde, o gelo derreteu, a garrafa ficou vazia, a música era repetida pela quinta vez, anunciando a hora de se encontrar.

O caminho de volta se desenhou sozinho - nada lôbrego como previa – eu me achei. Nada nublou, a chuva não choveu, sem tempestades ou vendavais. Guardei o furacão para mais tarde. Usei apenas a brisa. Fechei o vidro do carro em uma sinaleira com medo que alguém invadisse pela janela tudo aquilo que eu pensava. O sinal abriu e eu segui.

É uma grande verdade que nunca se vem igual ao que se foi. Do meu baú de guardados, umas peças foram desguardadas. Elas não estão atravancando a passagem, nem viraram peça de decoração. Estão organizadas dentro da nova decoração. O que fazer não é um problema. Quem vê de fora pode achar um caos. Pode até ser, mas é tão bonito.

O caos é lúdico. Eu só sei crescer dos meus antagonismos. Sem conflito, não abro o olho pela manhã!

Qualquer erro é bem-vindo. Qualquer medo é justificável. Viver ainda é a minha escolha. O sossego me dá apenas saudade. Os pequenos enredos me fascinam.

Eu sigo tocando fogo no paiol e apagando a conta-gotas.


Sim, querendo credibilidade.

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2003 continua bem legal!

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- Que diferença isso faz? Amor não tem passado.
- Tem sim.
- Tem nada. Amor é substantivo atemporal!
- Mas amar é verbo... transitivo ou intransitivo?
- Hmmm, vem transitar aqui, mais pertinho e descobriremos juntos!

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PLEASE BABY DON'T
(John Legend and Sergio Mendes)

Please baby don't (baby don't)


Don't fall in love with me

Please baby don't (baby don't)

You know my history

See honey I (honey I)

I'm just trying to warn you (let me warn you)

Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me



I've been cruisin down this road for a while now,

I should tell the truth...

Girl you've been so good to me but I know

I'm no good for you

You should run while you can

Find yourself a better man

'Cause I'm known for brief romance

And breakin hearts across the land



Yes I've been known to have a few temptations

Out there on the road

And let's say hypothetically I've slipped and

Took a couple home

Girl I know that's not fair

You need someone who'll be there

So just get away before it's too late

And you're pain is too much to bear



Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me

Please baby don't (baby don't)

You know my history

See honey I (honey I'm)

I'm just trying to warn you (let me warn you)

Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me



[Rhodes piano solo]



Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me

Please baby don't (baby don't)

You know my history

See honey I'm (honey I'm)

I'm just trying to warn you (let me warn you)

Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me



Now on second thought maybe we'll give

This love another try

'Cause I can't see you with no one else

I'm selfish I can't lie

So let's go, let's go slow

You know all you need to know

It could end one day but

Let's just say we'll see how far it goes



Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me

Please baby don't (baby don't)

You know my history

See honey I'm (honey I'm)

I'm just trying to warn you (let me warn you)

Please baby don't (baby don't)

Don't fall in love with me.

4 comentários:

Anônimo disse...

A minha dúvida é saber se é mais belo o que escreves ou tu.

F.

Keila disse...

Creio que perder coisas ou se perder é tão necessário quanto errar. É sempre tão bom ler teus textos. Foto linda.

Felipe disse...

Sorte de quem acha vc quando se perde.

Carlos disse...

Perca tudo mas não se perca de nós...
Ah! Também não perca o note para continuar escrevendo!