segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

indicador rebelde

Eu dedilho o tampo das mesas do mindinho ao indicador quando estou com pressa. O dedão fica fixo, observando o trabalho em vão dos colegas, como se aquela agitação pudesse acelerar as pessoas ou o ponteiro do relógio. Não faço uma nem duas vezes, faço centenas. Mão esquerda ou mão direita e as duas juntas, quando os dois dedões - um de frente pro outro - se distraem conversando sobre o tempo. Não faço no sentido contrário, meu indicador não é um bom batuta, a mania perde o ritmo. Poucas coisas são tão ruins quanto manias descompassadas. Manter a ordem de uma mania, como a hierarquia discreta entre os dedos, cada um levantando, baixando ao seu tempo, tocando o tampo com pressões distintas, adequadas para o mesmo som exige aperfeiçoamento. Meus indicadores não possuem este dom da regência, não são obedientes, são traidores. Mais que isso, são desonestos.


A minha pressa é muito exata. As minhas manias são muito organizadas. São moças que estudaram em colégio de freira, com saia plissada e meias longas, do tipo que pouco se vê hoje em dia. Elas estão em mim, porém, são diferentes de mim.


Eu comporto um universo, mas não me comporto.


Meus indicadores apontam sempre o caminho oposto ao que a minha boca fala. Eu digo esquerda, eles apontam a direita. Ainda que o caminho correto seja pegando a direita e que eu não tenha a menor noção de direção – o que vale pra mim é dobra pra lá, dobra pra cá – os indicadores trapaceiam no desejo de me perder. E quando eu quero me encontrar, apontam – precisamente – a pessoa errada.


Apesar de tudo, eu sou uma boa causa, o que complica é que eu sou meio urgente.


Quero os gostos em tempo real. Quero as felicidades já, quero os risos sinceros, quero ouvir uns nãos de verdade. Não perco tempo com as jogadas ensaiadas, fazendo de conta, dizendo que não quando tem um sim luminoso piscando na minha testa. Eu não gosto de sentir nada abreviado, mas empilho sentimentos, sem muitas explicações. Atropelo sem maiores cerimônias. Se me desagradam as entradas nada discretas que eu faço, as saídas triunfais, nem comento. Mas não faço por mal... sempre tenho muita pressa em ir embora porque tenho urgência em saber se vou voltar. Minhas incógnitas fazem parte do meu show. Minhas ambiguidades, minhas indecisões, minhas certezas líquidas e decisões de porcelana, nada consegue ser perpétuo. O que eu combino pode ser descombinado e posso mudar a regra do jogo que eu inventei. O mundo é muito dinâmico pra eu ser estática. Eu tenho pressa. E tenho dedos traidores.

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La ecsplicación soy djhô

(mi espanhol es fueda!!!!)


E quando eu disse nunca mais com o dedo – o mesmo desonesto – em riste, saindo pra qualquer lado, entrando no carro de qualquer jeito, ele deu risada, me pedindo pra baixar o vidro. Eu, ainda com o dedo em riste e uma fileira de xingamentos loucos pra saltarem da ponta da minha língua, baixei. Puxei o ar. Ele pegou meu indicador com a mão, encostou no meu nariz e disse:


- Tu não podes mais reclamar que os teus cabelos são rebeldes, tu inteira é rebelde.


Os xingamentos voltaram pro fundo da boca, engoli todos, um por um. No meu rosto, um sorriso se desenhou com giz, como aquele que as professoras do primário desenhavam no sol, no canto do quadro.


Foi o primeiro que ganhou esse sorriso.

E perderá tantos outros.


*****

Definitivamente, eu não funciono muito bem.
É divertido.


*****

Retrato de costas, tentando domar o indomável bêlo. Quando quero liso, ele enrola, quando quero ondas, ele escorre.



Sometimes (I Wish) - City and Colour

If I was a simple man,

Would we still walk hand in hand?

And if I suddenly went blind,

Would you still look in my eyes?

What happens when I grow old?

And all my stories have been told?

Will your heart still race for me?

Or will it march to a new beat?

If I was a simple man





If I was a simple man,

I'd own no home, I'd own no land

Would you still stand by my side?

And would our flame still burn so bright?





Sometimes I wonder why,

I'm so full of these endless rhymes

About the way I feel inside

I wish I could just get a ride





If I was a simple man

And I could make you understand

There'd be no reason to think twice

You'd be my sun; you'd be my light

If I was a simple man...

If I was a simple man...





Sometimes I wonder why

I'm so full of these endless rhymes

About the way I feel inside

I wish...

Sometimes...












































5 comentários:

Thiago disse...

Kuky e rebeldia, qual a novidade?
beijos

Carlos disse...

A Música abaixo, de um tempo quando o mundo ainda era em P&B, fala por mim...
http://www.youtube.com/watch?v=58iKc9CZOo8
Que foto ESPETACULAR!!!
Um Beijo em cada um daqueles ossinhos no final (ou no começo) da nuca!

Anônimo disse...

eu sempre me identifico com aquilo q vc escreve.
Beijos
Amandinha

Roberto disse...

Sorriso de giz :)

Ministério da saúde disse...

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